Dia Internacional da Paz: comemorar e mobilizar

Neste 21 de setembro, quando se comemora o Dia Internacional da Paz, devemos intensificar nossos esforços na divulgação e realização de atividades em defesa da paz e do respeito à autodeterminação dos povos. 

Por Wevergton Brito Lima*

Infelizmente, a bandeira da paz mundial ainda é encarada por muitos militantes do campo progressista como uma bandeira abstrata, sem relação com o cotidiano local e sua realidade concreta. Nada mais equivocado. Porém, o desenvolvimento da cena política no Brasil e na América Latina vem despertando cada vez mais pessoas para a importância do internacionalismo anti-imperialista.

Por outro lado, cabe ao movimento pela paz colocar em relevância o fato de que a luta pela paz mundial está diretamente ligada à luta por justiça social.

Esta é a maneira mais eficaz de tornar concreta, para as massas, a bandeira da paz, pois paz sem justiça social é a paz dos cemitérios, ou seja, é uma falsa paz, que só interessa a quem vive da guerra e da exploração.

Já vem de algum tempo que a guerra, bem sabemos, não se resume a armas e canhões (embora deles não prescinda). Mas seja qual for o aspecto que a agressão contra os povos assuma, ela nada tem de “branda”. Mata de uma ou de outra forma, seja com bombas, seja condenando milhões à morte por falta de alimento, assistência médica, pelo incentivo camuflado ao crime, etc.

Enquanto isso, os “senhores da guerra” aumentam o investimento na indústria bélica e recorrem a toda sorte de expedientes ilegais diante do direito internacional para desestabilizar e agredir povos que buscam caminhos alternativos e soberanos de desenvolvimento.

Quem são esses senhores da guerra? Que interesses representam?

Temos, no fundamental, as respostas para estas duas perguntas, o desafio é traduzi-las para que o trabalhador entenda sobre o que estamos falando e para isso, além da linguagem adequada, devemos também esclarecer que a atividade mundial do imperialismo tem impacto direto na vida do cotidiano, no aumento do pão, do desemprego, dos baixos salários, etc.

Com Bolsonaro na presidência a relação entre a política externa e a realidade interna ganha contornos nítidos que devemos saber explorar. Sua postura de submissão integral aos interesses de Washington não aponta para qualquer saída viável para a crise que, pelo contrário, tende a se aprofundar, penalizando cruelmente o povo.

Portanto, defender a paz, os direitos humanos, a preservação da natureza, ligando estas lidas à defesa dos direitos dos trabalhadores, tem grande potencial mobilizador no Brasil governado pela extrema-direita.

Um exemplo claro é a defesa da Constituição Brasileira, ameaçada por Bolsonaro e seu clã de belicistas fanáticos. Nossa Constituição, logo em seu preâmbulo, diz que, em relação à ordem internacional, o Brasil é comprometido “com a solução pacífica das controvérsias”.

No entanto, o mesmo governo que, alegando falta de recursos, ataca a aposentadoria dos mais pobres, corta verbas da educação e da saúde, promove também uma incessante campanha internacional pelo envolvimento do Brasil em uma insana agressão militar contra a Venezuela, um vizinho pacífico que, em nenhum momento, nos ameaçou.

No dia 7 de dezembro o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta Pela Paz (Cebrapaz) irá realizar sua 5a Assembleia Nacional, em Salvador-BA, sob o lema: “Derrotar os senhores da Guerra”.

O Cebrapaz é um instrumento valioso para a defesa desta causa. Reforçá-lo é reforçar a luta anti-imperialista. É reforçar a atividade internacionalista consequente. É participar da luta de ideias elevando o nível de consciência política das massas, pois quem empunha a bandeira da paz e é coerente com ela, inevitavelmente evolui para o anti-imperialismo, dando outra qualidade à atuação militante.

Neste dia internacional da Paz, conclamamos todos e todas a se integrar neste esforço de mobilização. Nossos inimigos são, de fato imensamente poderosos, mas a história já mostrou, mais de uma vez, que não são invencíveis. Temos a nosso favor um acervo riqusíssimo de ideias que representa o que existe de mais avançado na humanidade. Temos ao nosso lado milhões e milhões de homens e mulheres que, ao redor do globo, na Venezuela, em Cuba, na Palestina, na China, na Coreia Popular, no Irã, no Vietnã, no Saara Ocidental e em muitos outros países, não desistem do ideal de um mundo livre das guerras, com relações internacionais baseadas na solidariedade entre os povos.

No último dia 5 de setembro comemoramos os 70 anos de realização do Congresso Continental pela Paz, realizado na Cidade do México em 1949, parte da mobilização que resultou na fundação do Conselho Mundial da Paz. Um dos que participaram do histórico encontro no México foi Charles Chaplin, que no filme, “O Ditador”, fez um apelo pungente pela paz, dizendo entre outras coisas:

“Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.”

*Wevergton Brito Lima é Secretário-Geral do Cebrapaz