Conselho Português realiza ato sobre a América Latina com diplomatas de Cuba e Venezuela e o Cebrapaz

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) realizou um debate intitulado “Os novos desafios para a Paz na América Latina” nesta segunda-feira (16), no Clube dos Fenianos Portuenses, em Porto, Portugal. O evento foi mediado pela presidenta da Direção do CPPC, Ilda Figueiredo, com a participação do embaixador da Venezuela Lucas Rincón, da representante da Embaixada de Cuba Jassellys Roque, e da diretora do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), Moara Crivelente.

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Ato do CPPC sobre a América Latina no Porto, Portugal. Dezembro de 2019. Foto: CPPC

O ato contou com a participação e presença de indivíduos e representantes de entidades dos movimentos sociais que acompanham atentamente a situação da América Latina e o Caribe, com cartazes de apoio à resistência do povo venezuelano às manobras e ameaças golpistas no país.

A presidenta do CPPC Ilda Figueiredo introduziu a sessão abordando a situação do ponto de vista da solidariedade internacional e, em particular, dos portugueses. Também intervieram Vitor Pinto Basto, jornalista e escritor, com uma análise das políticas imperialistas, intervencionistas e promotoras de golpes; Henrique Borges, da União de Sindicatos do Porto / Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), que falou da solidariedade dos trabalhadores à luta dos cubanos, venezuelanos, brasileiros e bolivianos, e da política doméstica portuguesa a respeito; e Vitor Tito, da direção do Clube dos Fenianos Portuenses, que fez uma saudação ao evento e falou da larga tradição de 115 anos de resistência democrática e solidariedade que sustenta o clube.

Moara Crivelente abordou os desafios na região começando por saudar a iniciativa do CPPC e expressar a solidariedade dos brasileiros aos povos cubano e venezuelano, contra quem o Governo Bolsonaro age com uma política externa regional agressiva e desestabilizadora. Denunciou o golpe de Estado racista, fanático e servil aos EUA na Bolívia contra o presidente Evo Morales e mencionou as manifestações e greves em países como a Colômbia e o Chile, saudando ainda a vitória eleitoral de Alberto Fernández e Cristina Kirchner na Argentina.

A imagem pode conter: textoTambém falou do fortalecimento da resistência no Brasil aos retrocessos históricos impostos aos trabalhadores e à juventude pelo Governo Bolsonaro, inclusive a perseguição e criminalização dos movimentos sociais e da população mais pobre, denunciando a perigosa apologia à ditadura por parte do próprio presidente, seus filhos parlamentares, seu ministro da Economia e seu vice-presidente, o general Mourão.

Moara ressaltou ainda que os retrocessos no plano interno incluem o gravíssimo aumento do desemprego e da miséria num dos países mais desiguais do mundo, a suspensão de direitos fundamentais e a normalização do estado de exceção e, no plano externo, a total subserviência à agenda estadunidense, o entreguismo ao capital internacional e a aliança carnal com o regime sionista de Israel, normalizando também seus mais graves crimes contra o povo palestino.

A seguir, o embaixador da Venezuela Lucas Rincón, general que era o oficial militar de mais alto escalão durante a tentativa de golpe de Estado de 2002 contra o presidente Hugo Chávez, fez contundente denúncia das contínuas tentativas de golpe contra o presidente Nicolás Maduro; da ação ofensiva da Organização de Estados Americanos (OEA), sob a influência dominante dos Estados Unidos; e das sanções e o roubo das volumosas reservas venezuelanas no exterior, enquanto lideranças ocidentais, de forma hipócrita, condenam o governo pelas dificuldades enfrentadas pelo povo sob este cerco.

Denunciou ainda a subserviência de países vizinhos aos ditames da potência imperialista, participando da ofensiva contra a Revolução Bolivariana, ao tempo em que reafirmou a disposição do seu povo, das forças armadas e do seu governo em defender sua pátria e sua soberania. Saudou também a valente resistência do povo cubano ao bloqueio criminoso imposto pelos Estados Unidos e rechaçou o golpe de Estado contra o presidente Evo Morales na Bolívia.

Já a representante da Embaixada de Cuba, a segunda-secretária Jassellys Roque, denunciou o aperto do bloqueio estadunidense contra Cuba com a ativação do título três da Lei Helms-Burton, com que a potência imperialista busca estrangular ainda mais o povo cubano para, em vão, tentar dissuadi-lo de continuar resistindo.

A diplomata agradeceu o apoio e solidariedade ao povo cubano e garantiu que a luta se fortalece à medida em que os Estados Unidos e seus aliados regionais buscam intensificar o cerco à ilha revolucionária, que resiste há mais seis décadas.

No fim, um jovem na audiência falou da importância de eventos como aquele para o fortalecimento do espírito de solidariedade internacional e ressaltou a massiva participação da juventude na resistência e na defesa da democracia e da justiça social em diversos países, como no Brasil.

Ficou reafirmada a confiança em que a solidariedade entre os povos e a unidade nesta luta comum é que travarão os retrocessos e fortalecerão a defesa da democracia, da soberania nacional e do progresso social.