Literalmente tornando arma o coronavírus: um dos países mais afetados pelo vírus fatal, Irã sofre com novas “brutais” sanções dos EUA

Enquanto os iranianos são assolados pelo coronavírus, os EUA são cúmplices da sua morte. Isto é um crime contra a humanidade.

Por Julia Conley, do Common Dreams 

Médicos iranianos tratam de paciente infectado pelo novo coronavírus em Teerã. 02/02/2020. Foto: Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency.

“Quão maligno pode ser este governo?” questiona a ativista da paz Medea Benjamin na quarta-feira (18), após o Departamento de Estado ter anunciado que imporia novas sanções contra o Irã, enquanto o país enfrenta um dos piores surtos de coronavírus no mundo.

A medida do governo estadunidense foi a resposta às demandas de grupos civis e do governo iraniano pela suspensão das sanções, para garantir que os iranianos possam aceder à medicação e suprimentos vitais.

O secretário de Estado Mike Pompeo anunciou que os EUA introduzirão novas sanções contra nove entidades e três indivíduos que os Estados Unidos alegam prover o governo iraniano com rendimentos, para “privar o regime de rendimento crítico da sua indústria petroquímica e aprofundar o isolamento econômico e diplomático do Irã.”

A medida segue-se a ataques contra forças estadunidenses no Iraque, o que o governo Trump alega ter ligação com forças apoiadas pelo Irã.

Benjamin, cofundadora do grupo anti-guerra CODEPINK, classificou a medida do Departamento de Estado de “inescrupulosa”.

“Puro mal”, escreveu o jornalista Ben Norton. “Isso é comportamento nazista”. O Irã é um dos países mais atingidos do mundo pela pandemia de coronavírus. Mais de 17.300 pessoas testaram positivo para a doença respiratória no momento da publicação e mais de 1.100 morreram. Sob circunstâncias normais, as sanções estadunidenses contra o Irã, que foram reforçadas pela última vez no ano passado, têm impedido o povo do país de aceder a medicação e também elevado o preço da alimentação e dos aluguéis.

Enquanto o Irã enfrenta o surto de coronavírus, entretanto, os impactos das sanções elevaram, já que o Irã é deixado sem conjuntos de teste suficientes, ventiladores médicos, anti-virais e outros suprimentos vitais. Com o aumento do número de mortos na quarta-feira, o senador Bernie Sanders tuitou que os Estados Unidos “não deveriam estar contribuindo para esse desastre humanitário.”

Na terça-feira (17), o chanceler iraniano Javad Zarif classificou a recusa dos Estados Unidos de levantar as sanções de “terrorismo médico”, enquanto o CODEPINK instou os países europeus a desconsiderarem as sanções.

A imposição de novas sanções, enquanto o país luta contra o surto, resulta no “literal uso do coronavírus como arma”, disse o advogado de direitos humanos Arjun Sethi. Assal Rad, pesquisador no Conselho Nacional Iraniano Americano (NIAC, sigla em inglês), disse que as novas sanções tornariam os EUA “cúmplice” nas mortes de um inúmeros iranianos, enquanto Trita Parsi do Instituto Quincy acusou o governo Trump de “desumanidade”.

Benjamin instou os estadunidenses a rejeitar veementemente as novas sanções, circulando uma petição pelas mídias sociais. “Vamos, o povo americano, realmente nos omitir e assistir enquanto o governo estadunidense torna mais e mais difícil para os iranianos, literalmente, respirarem?”, escreveu Benjamin. “Adicionar ainda mais sanções hoje é imoral e perverso.”

Fonte: Common Dreams
Tradução: Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ).