Conselho Mundial da Paz apela à ONU pelo fim da ocupação israelense da Palestina

O Conselho Mundial da Paz (CMP), de que o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) é membro, enviou um apelo, nesta segunda-feira (29), ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) e a chefes de Missões Diplomáticas na sede do órgão, em Genebra, contra o plano de Israel de anexar vastas porções de território palestino e pelo fim da ocupação militar. O governo israelense pode apresentar projeto de anexação a partir de 1º de julho. Leia a tradução do texto do CMP:

Ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra e às Missões Diplomáticas de Estados na ONU em Genebra

Declaração do Conselho Mundial da Paz

Atenas, 29 de junho de 2020

O Conselho Mundial da Paz, como organização internacional de movimentos de paz e em cooperação com o sistema da ONU em Nova York, Genebra e Viena, baseado em na longa defesa de 70 anos da causa da paz e da amizade entre os povos, expressa suas mais profundas preocupações e oposição aos planos do Estado de Israel de proceder, em 1º de julho de 2020, com a anexação de territórios palestinos do Vale do Jordão.

Queremos chamar sua atenção à corrente ocupação de territórios palestinos desde 5 de junho de 1967 (inclusive Jerusalém Oriental), que, apesar do “Acordo de Oslo” de 1993, atravessou vários estágios e fases. A ocupação tronou-se permanente e avança através das colônias ilegais israelenses na Cisjordânia palestina, através da criação de um muro de separação, o cerco à Faixa de Gaza, os assédios diários aos cidadãos palestinos e a violência contra eles, assim como o roubo de terras em Jerusalém Leste e os esforços pela judaização da cidade pelo governo israelense, contrariando todas as resoluções relevantes da ONU.

Sublinhamos nossa firme condenação à posição de governos que têm endossado, tolerado ou apoiado essas violações do direito internacional por Israel, alimentando sua corrida agressiva e expansionista contra o povo e o Estado da Palestina. Rejeitamos quaisquer políticas de opressão do povo palestino por décadas e apoiamos a solução do conflito com a criação de um Estado da Palestina independente, soberano e viável nas fronteiras anteriores a 4 de junho de 1967, com Jerusalém Leste como sua capital, ao lado de Israel.

Os recentes acontecimentos nos últimos anos, com a decisão do governo estadunidense de transferir sua Embaixada de Tel Aviv a Jerusalém e reconhecê-la como “capital indivisível israelense”, a “lei de nacionalidade” sobre cidadãos não judeus de Israel e o “Plano do Século” dos EUA sobre o conflito israelense-palestino prova claramente as intenções dos EUA e de Israel de ignorar os direitos inalienáveis do povo palestino a seu Estado. Além disso, o “Plano do Século” dos Estados Unidos inclui a anexação de 30% da Cisjordânia (a área do Vale do Jordão, áreas a norte do Mar Morto e grandes colônias na Cisjordânia), o que foi recentemente anunciado pelo governo israelense para 1º de julho de 2020.

O CMP declara sua firme rejeição e repúdio aos planos acima, que contrariam qualquer sentido de direito internacional e a opinião geral da grande maioria das nações e povos do mundo. Esses planos constituem uma grave violação das resoluções da ONU e vão piorar ainda mais as vidas do povo palestino. Os planos de anexação trazem ainda mais desestabilização e colocam obstáculos à paz em todo o Oriente Médio.

Instamos o Conselho de Segurança da ONU, todos os Estados Membro da ONU, o Conselho de Direitos Humanos da ONU e todos os povos amantes da paz no mundo a condenar e se opor ao aprofundamento da ocupação de terras palestinas por estes ou por planos semelhantes marcados para 1º de julho ou qualquer outro momento por Israel. Reafirmamos nossa solidariedade com o povo palestino e seu direito à autodeterminação:

  • Pelo fim da ocupação israelense e um estado palestino independente nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Leste como sua capital;
  • Pelo reconhecimento, pelas Nações Unidas e seus Estados membro, do Estado da Palestina, como membro pleno da ONU;
  • Pelo desmantelamento das colônias e a partida dos colonos, a remoção do Muro de Separação e a implementação do direito de retorno de refugiados palestinos aos seus lares;
  • Pela libertação de todos os prisioneiros políticos palestinos dos cárceres israelenses.

Não pode haver Paz no Oriente Médio sem Justiça!

Pelo Secretariado do CMP,

Socorro Gomes – Presidente

Thanassis Pafilis – Secretário-Geral