Conselho Mundial da Paz condena acordo Marrocos-Israel e defende direitos de palestinos e saarauís

Doesn't serve Palestinians': Israel-Morocco to normalise ties | Middle East  News | Al Jazeera
Esq. para a dir.: Benjamin Netanyahu, premiê de Israel; Donald Trump, presidente dos EUA; Mohamed VI, rei do Marrocos.

O Conselho Mundial da Paz (CMP) reagiu ao acordo mediado pelo governo de Donald Trump de oficialização das relações diplomáticas entre Israel e o Marrocos, o quarto país árabe a dar este passo nos últimos meses. Os palestinos protestam contra o que consideram uma traição da promessa de unidade árabe no estabelecimento de relações com Israel enquanto este prossegue com a ocupação e a colonização da Palestina. Desta feita, o acordo com o Marrocos também se concretizou às custas da autodeterminação povo saarauí, já que Trump incluiu na barganha o reconhecimento da soberania marroquina sobre o Saara Ocidental pelos Estados Unidos. Leia a declaração do Secretariado do CMP, de que o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) é membro:

O Conselho Mundial da Paz denuncia às forças amantes da paz no mundo o recente acordo pela normalização das relações diplomáticas entre o Reino do Marrocos e o estado de Israel, em troca pelo reconhecimento, pelos Estados Unidos, da “soberania do Marrocos sobre todo o território do Saara Ocidental”. Mais um “acordo” de Israel com um país árabe sob os auspícios dos EUA, desta vez claramente marcado como um acordo de “Ocupação por Ocupação”, que se refere a dois estados, Israel e Marrocos, que ocupa os territórios de dois outros estados, os da Palestina e do Saara Ocidental, respectivamente.

O anúncio mais recente e vergonhoso mediado pelo governo de Trump de saída tem a União Europeia (UE) como cúmplice silencioso, que toma posições arbitrárias em ambos os casos (Palestina e Saara Ocidental), que legitima o regime de ocupação. Como continuação de acordos similares entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Sudão, este último acordo é parte do plano imperialista para o Oriente Médio mais amplo, incluindo a África do Norte, que negligencia provocativamente os direitos inalienáveis do povo da Palestina e do Saara Ocidental à autodeterminação e o fim do sofrimento de décadas sob ocupação.

A normalização de relações diplomáticas dos estados com Israel vai contra todas as resoluções relevantes da ONU. O povo palestino passar por um genocídio lento, vivendo sob cerco na Faixa de Gaza e com o muro de separação na Cisjordânia, enquanto Jerusalém está sendo declarada a capital eterna e indivisível de Israel e as colônias israelenses na Cisjordânia estão sendo legalizadas pelos EUA. É um ato de hipocrisia da UE não se opor à ocupação israelense ao tempo em que fala de “solução de dois Estados”. Ao mesmo tempo, o Reino do Marrocos recebeu aberto apoio do imperialismo estadunidense e dos imperialistas da UE, que saudaram esse acordo, pelo respaldo à ocupação do Saara Ocidental, a última colônia na África.

Israel não está interessado em conversações de paz genuínas e honestas com a Palestina por um Estado independente da Palestina dentro das fronteiras anteriores a 4 de junho de 1967 com Jerusalém Leste como sua capital, de acordo com várias resoluções da ONU, nem o Marrocos está interessado nessa solução com o Saara Ocidental, apesar das várias resoluções da ONU, que claramente promovem o referendo como meio de livre expressão da vontade do povo do Saara Ocidental sobre o seu futuro.

Os acordos bilaterais, trilaterais ou quaisquer outros tipos de acordos que negligenciem os direitos do povo sob ocupação como resultado de planos e políticas imperialistas não podem servir a qualquer paz ou estabilidade na região mais ampla. Esse “acordo” entre Israel e Marrocos também demonstra a hipocrisia da Liga Árabe, que supostamente respalda a “Iniciativa Árabe [de Paz]”, mas que este e todos os acordos similares com Israel claramente viola.

O CMP insta os seus membros e amigos de todo o mundo a desmascarar e denunciar os planos contra os povos da Palestina e do Saara Ocidental!

A injustiça e a ocupação não podem e não durarão para sempre!

Secretariado do CMP,
Atenas, 14 de dezembro de 2020.