O Cebrapaz publica, na íntegra, intervenção de abertura do presidente do Conselho Mundial da Paz, Pallab Sengupta, na abertura da Reunião do Secretariado do CMP, em Praga, no dia 10 de maio de 2026.
Caros camaradas e amigos,
Saudamos calorosamente todos os participantes desta importante reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz aqui em Praga. Expressamos nossa sincera gratidão ao Movimento Tcheco pela Paz por nos receber em condições desafiadoras e elogiamos seu firme compromisso com o movimento anti-imperialista pela paz em um momento em que forças reacionárias intensificam seus ataques.
Reunimo-nos na véspera de 9 de Maio, o Dia da Vitória Antifascista dos Povos. Este aniversário histórico marca a derrota decisiva do fascismo e a libertação da Europa, incluindo a Tchecoslováquia, por meio dos heroicos sacrifícios da União Soviética e do Exército Vermelho. Prestamos homenagem aos 25 milhões de cidadãos soviéticos e a todos aqueles que deram suas vidas na luta contra o fascismo. Seu sacrifício continua sendo um farol para nossas lutas atuais.
Ao mesmo tempo, devemos denunciar firmemente as tentativas em curso da União Europeia de falsificar a história — rebatizando este dia como “Dia da Europa” e equiparando fascismo e comunismo. Essa distorção não é acidental; ela visa apagar o conteúdo revolucionário da luta antifascista e criminalizar as forças que lideraram o combate ao fascismo. As crescentes campanhas anticomunistas em toda a Europa, incluindo as ameaças contra o Partido Comunista da Boêmia e Morávia, fazem parte dessa perigosa tendência. Expressamos nossa total solidariedade aos nossos camaradas tchecos.
Caros camaradas,
Estamos nos reunindo em um período marcado por profunda instabilidade e graves perigos para a paz mundial. O agravamento das contradições do imperialismo está intensificando os conflitos em todo o mundo. A luta pelo controle de recursos, mercados e esferas de influência está impulsionando políticas agressivas, guerras e intervenções. O risco de uma confrontação mais ampla, até mesmo global, é real.
Os gastos militares atingiram níveis sem precedentes, aproximando-se de 2,9 trilhões de dólares em escala mundial. Os Estados Unidos e seus aliados da OTAN respondem pela parcela esmagadora desses gastos, enquanto milhões de pessoas em todos os continentes enfrentam pobreza, aumento dos preços e deterioração das condições de vida. Esse contraste gritante revela as verdadeiras prioridades do imperialismo: os lucros da guerra acima das necessidades humanas.
A guerra na Ucrânia, agora em seu quinto ano, continua ceifando incontáveis vidas. A posição consistente do CMP — de que este é um conflito imperialista enraizado na expansão da OTAN e na competição geopolítica — foi confirmada. Opomo-nos a qualquer violação da soberania, mas também identificamos claramente a estrutura imperialista mais ampla que alimenta essa guerra. A recusa dos Estados Unidos, da OTAN e da União Europeia em buscar negociações genuínas, combinada com sanções e escalada militar, prolonga o sofrimento dos povos envolvidos.
As consequências são profundamente sentidas em toda a Europa, onde as dificuldades econômicas estão aumentando. As políticas de sanções servem a interesses corporativos e estratégicos, e não ao bem-estar da população. A militarização da Europa, incluindo enormes alocações financeiras para as indústrias de guerra, está empurrando o continente ainda mais para longe da paz.
Caros camaradas,
O Oriente Médio continua sendo um palco central da agressão imperialista. Em seu centro está a questão não resolvida da Palestina. Durante décadas, o povo palestino suportou ocupação, deslocamento e violência. Os recentes ataques devastadores contra Gaza e a repressão contínua na Cisjordânia evidenciam a brutalidade das políticas israelenses, realizadas com o pleno apoio dos Estados Unidos e a cumplicidade da União Europeia.
O CMP reafirma seu apoio inabalável ao estabelecimento de um Estado palestino independente dentro das fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital. Sem justiça para a Palestina, não pode haver paz duradoura na região.
O Oriente Médio mais amplo está mergulhado na instabilidade — desde a fragmentação da Síria até as intervenções em curso dirigidas contra o Irã e o Líbano. Esses conflitos são impulsionados por ambições imperialistas de controlar recursos energéticos, rotas estratégicas e a dominação geopolítica. O perigo de escalada para uma guerra mais ampla é agudo, especialmente com o aumento dos deslocamentos militares e das ações agressivas das grandes potências.
Caros camaradas,
Na África, a questão não resolvida do Saara Ocidental continua a expor a hipocrisia das instituições internacionais. Ao povo saaraui é negado seu legítimo direito à autodeterminação, enquanto Estados poderosos ignoram seus próprios compromissos.
Na América Latina e no Caribe, a interferência imperialista permanece constante. Cuba, símbolo de resistência e soberania, enfrenta agressões intensificadas, bloqueio econômico e ameaças. Os acontecimentos recentes que afetam a Venezuela e a região em geral demonstram ainda mais a postura agressiva do imperialismo estadunidense.
O CMP mantém firme solidariedade ao povo cubano e à sua Revolução. Devemos fortalecer as campanhas internacionais contra o bloqueio e explorar iniciativas concretas, incluindo intercâmbios de delegações e ações coordenadas, para expressar nosso apoio.
Caros camaradas e amigos,
Neste contexto internacional complexo e perigoso, o papel do Conselho Mundial da Paz torna-se ainda mais crucial. Nossas tarefas são claras e urgentes.
Primeiro, devemos fortalecer nossa clareza ideológica e unidade política. O caráter anti-imperialista de nossa luta deve permanecer no centro de todas as nossas atividades. Devemos expor as verdadeiras causas das guerras e combater a propaganda que busca justificar a agressão imperialista.
Segundo, devemos ampliar e aprofundar nossa presença organizativa. Isso inclui fortalecer as organizações-membro existentes, construir novas parcerias e ampliar nosso alcance, particularmente entre os jovens, os trabalhadores e os movimentos progressistas. A Europa, em particular, exige esforços renovados para combater a militarização e as narrativas anticomunistas.
Terceiro, devemos intensificar nossas ações de massa. Mobilizações, manifestações e campanhas de solidariedade devem ser coordenadas em níveis regional e internacional. Nossa voz deve ser ouvida claramente nas ruas, nos locais de trabalho e no debate público.
Quarto, devemos fortalecer nossos mecanismos de solidariedade. Seja em relação à Palestina, Cuba, Saara Ocidental ou outras lutas, o CMP deve atuar como uma força unificadora da solidariedade internacional.
Por fim, devemos nos preparar para os próximos marcos, incluindo as reuniões em Montreal e a futura Assembleia Mundial. Esses encontros devem servir não apenas como fóruns de discussão, mas como catalisadores para a ação e o crescimento organizativo.
Caros camaradas,
Os desafios diante de nós são imensos, mas também é imensa nossa força coletiva. A história de nosso movimento nos ensina que os povos, quando unidos e organizados, podem derrotar até mesmo as mais poderosas forças de opressão.
Utilizemos esta reunião para aprofundar nossa análise, fortalecer nossa unidade e planejar ações decisivas. Honremos o legado daqueles que lutaram antes de nós, avançando na luta pela paz, justiça e progresso social.
O Conselho Mundial da Paz deve estar à altura das exigências de nosso tempo.
