Athanasios Pafilis: África é nova vítima do imperialismo

O Deputado do Parlamento Europeu e secretário-geral do Conselho Mundial da Paz, o grego Athanasios Pafilis, apontou, neste sábado (25), o continente africano como  ''a nova vítima das intervenções e rivalidades imperialistas''.  Ao participar do painel ''Solidariedade aos povos em luta'', na 2ª Assembléia Nacional do Cebrapaz, ele afirmou que há uma tentativa de controlar as riquezas do país, sinalizada com forte presença militar sob a justificativa de ''controlar'' conflitos locais.

Segundo Pafilis, mais de quatro milhões de pessoas foram mortas no ultimo 15 anos, na África. ''A pobreza e a miséria são uma praga nesse continente que já se constitui como a nova do imperialismo'', disse, afirmando que alguns países expõem uma ''preocupação hipócrita'' com a região.

''A África foi tópico de discussão do encontro do G-8, em Rostock. Mas, por trás de tudo isso está a tentativa de controlar os recursos de  produção de riquezas. A presença militar lá, com o pretexto de cuidar dos conflitos, é forte e está aumentando'', colocou o parlamentar.

Ele detalhou que o aumento de tropas militares estrangeiras no continente se deu precisamente na área que é rica em petróleo, no sub-saara. Hoje, há quatro bases francesas em Djibuti, Dakar e Gabão.

Já os Estados Unidos, informou Pafilis, mantêm presença militar em 25 países africanos. ''O último passo foi a fundação do Africom, o comando especial dos EUA na áfrica. A presença militar da França, Inglaterra e União Européis de forma geral também cresce'', colocou, afirmando que a recente visita dos presidente Barack Obama à África nada teve a ver com resgatar o passado do norte-americano.

De acordo com o secretário-geral do CMP, os conflitos na África são resultados exatamente de intervenções imperialistas, ''que encorajam movimentos secessionistas e a instabilidade, transmitindo um retrato de países imersos em conflitos éticos, regionais ou internos, para poder controlar o petróleo e o poder político nesses países por meio de presença militar''.

O deputado grego ponderou ainda sobre as ''esperanças'' depositadas em Obama. Segundo ele, o norte-americano cria ilusões. ''A forma de tratar é diferente do governo Bush, mas no fundo, eles é tudo igual'', declarou, afirmando que o jeito Obama pode até ser mais ''perigoso'', por ''desorienta as pessoas''.

Movimento pela Paz

Também participante do painel ''Solidariedade aos povos em luta'', José Ramon, do Movimento Cubano pela Paz e Soberania dos Povos (MovPaz), fez um histórico dessa luta em seu país e no mundo. Ele falou sobre a necessidade incorporar gente jovem na defesa da paz, movimento que, segundo ele, precisa de energia e dinamismo.

Ele informou que, partindo do critério de que não há paz sem soberania e desenvolvimento, Cuba tem cooperado com cerca de 100 países do mundo, em especial ajudando na formação.

José Ramon reforçou que é necessário ampliar as iniciativas de solidariedade a Honduras e classificou o golpe de Estado naquele país como um ''balão de ensaio'' dos imperialismo dos Estados Unidos na região. ''Esta é uma luta larga, difícil, possivelmente com derramamento de sangue. Precisamos desenvolver todas as iniciativas possíveis'', colocou.

De acordo com ele, nunca antes, a Organização dos Estados Americanos e as Nações Unidas tiveram uma reação tão positiva como à de repúdio ao golpe, mas destacou que há, nos Estados Unidos, uma ''dupla moral'' em relação ao caso.

''Por um lado, o presidente Obama condenou o golpe, mas, por outro, setores da direita apóiam e divulgam esse golpe. Nossa preocupação é que isso não termine em Honduras. Querem impedir que a América Latina siga rebelde'', declarou.

Secessionismo

Participaram ainda do debate o ex-ministro das Relações Exteriores da antiga Iugoslávia, Jivandin Jovanovic, e o representante do Movimento de Independência da Guiana, Jean Michel Aupount.

Jovanovic lembrou os 10 anos da Agressão à Iugoslávia. ''Este país, que servia de exemplo a outras nações, foi destruído pela força do imperialismo.  Ao invés de um grande país, fizeram sete pequenos, sujeitos à dominação'', disse., afirmando que o separatismo é política recorrente para promover os interesse imperialistas.

Segundo ele, sob o pretexto da ''democratização'', os Estados Unidos importam seu modelo de vida exercendo a dominação, o que termina, ao contrário, distanciando os governos de seus povos.

Guiana: porta de agressão ao continente

Já Jean Michel começou sua intervenção afirmando que Guiana ainda permanece sob a dominação colonial da França, num estado máximo de dominação imperialista. Ele afirmou que a Guiana está localizada em uma região – junto à Venezuela e o Brasil – que possui riquezas importantes, como a área amazônica e o petróleo. E que, mais que uma colônia, a Guiana pode ser utilizada como uma porta de Agressão à América do Sul.  ''É tudo isso que justifica a presença francesa'', colocou.

Ele explicou que todo o país está militarizado e há forte arsenal bélico e as forças francesas estão treinadas, inclusive, em táticas de guerrilha, e podem ser uma ameaça, em especial, à região amazônica. O local também é sede de uma base européia de lançamento de satélites.

Jean Michel afirmou ainda que, apesar de seu um país pequeno e pouco populoso, a Guiana possui grande diversidade. ''São 12 culturas diferentes, mas os direitos desses povos não são respeitados. Nem mesmo os direitos internacionais são praticados lá'', narrou, falando sobre a necessidade autonomia dessas populações.   

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Do Rio de Janeiro,
Joana Rozowykwiat

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