Discurso de Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz durante o aniversário de 60 anos do Movimento Cubano pela Paz (MOVPAZ)

Estimado companheiro José Ramon Rodrigues, presidente do Movimento Cubano pela Paz – MOVPAZ, Estimados Convidados. Para mim é uma honra saudar o povo cubano, os lutadores pela paz deste heróico país, em nome do Conselho Mundial da Paz, no transcurso do Sexagésimo aniversário do MOVPAZ. Ao fazê-lo recordamos o Dr. Juan Marinello Vidaurreta, o grande poeta Nicolas Guillén e Blas Roca, entre outras figuras destacadas da intelectualidade e das lutas políticas e sociais em Cuba, que integraram a delegação cubana ao Primeiro Congresso Mundial dos Partidários da Paz, realizado em Paris em abril de 1949, ponto de partida para a fundação do Conselho Mundial da Paz. É com grande alegria que saudamos os companheiros Alfredo Guevara, Raúl Valdés Vivó e Orlando Fundora López, presentes neste ato comemorativo. O companheiro Fundora desempenhou importante papel no período mais recente da vida do Conselho Mundial da Paz como seu presidente, um período de refundação e retomada das nossas atividades, que culminou na realização da Assembléia de Caracas em abril do ano passado. Hoje como presidente de honra do Conselho Mundial da Paz, o companheiro Fundora é referência para a atual geração de dirigentes do movimento pela paz no mundo.

Valorizamos a história heróica e frutífera do MOVPAZ cubano. Na década de 1950 o MOVPAZ cubano distinguiu-se como uma das mais ativas organizações nacionais do Conselho Mundial da Paz. O Chamamento de Estocolmo pela proscrição do uso da bomba atômica alcançou em seu país um extraordinário respaldo, graças à ação militante e abnegada dos integrantes do MOVPAZ.  O MOVPAZ cubano também foi força destacada entre as organizações co-irmãs pelo mundo nos protestos contra a Guerra da Coréia. Depois da Revolução Cubana, foi o MOVPAZ especialmente ativo na solidariedade aos povos da Ásia, África e América Latina e uma das principais organizações nacionais do Conselho Mundial da Paz na luta contra o uso da arma nuclear, a proliferação das armas atômicas e a corrida armamentista.

O MOVPAZ cubano também é nos dias de hoje um dos principais esteios do Conselho Mundial da Paz na nova fase de sua existência. Sua presença nos órgãos de direção do CMP, sua liderança na coordenação das Américas, sua ação prática e de propaganda da nossa causa comum constituem garantias de que o Conselho Mundial da Paz dará na presente etapa passos ainda mais significativos como organização que aglutina os partidários da paz em todo o mundo.

Desde a última Assembléia realizada em Caracas em abril de 2008, o Conselho Mundial da Paz encontra-se empenhado em renovar e dinamizar sua ação em favor da paz e em solidariedade aos povos agredidos e ameaçados, contornando as dificuldades e os obstáculos surgidos em finais dos anos 1980 e começos dos anos 1990 com os retrocessos então ocorridos no mundo. A própria Assembléia de Caracas foi um indicador de que começamos a viver a nova etapa. Na cidade bolivariana, que nos dias da nossa Assembléia tomou o edificante título de Capital Mundial da Paz, reuniram-se durante cinco dias mais de 500 partidários da Paz de 76 países representando 126 organizações. Nesta Assembléia ratificamos o caráter do CMP como organização antiimperialista e reafirmamos nossa vocação para o trabalho de massas e a mais ampla unidade de ação entre os defensores da paz independentemente de filiações partidárias, concepções filosóficas e ideológicas. Estamos intensificando agora o trabalho organizativo, com a realização de importantes reuniões regionais em diversos continentes. Há poucos dias, sob a liderança do MOVPAZ cubano realizou-se no Brasil, nos marcos da Assembléia Nacional do Cebrapaz, a reunião das Américas, que entre outras decisões, aprovou importante pronunciamento contra golpe de Estado em Honduras.

O tempo transcorrido desde a fundação do MOVPAZ e do Conselho Mundial da Paz repleto de acontecimentos históricos marcantes, justificou plenamente a existência dessas organizações.

Também hoje, em condições inteiramente diversas e defrontando problemas novos, justifica-se a existência do Movimento pela Paz e a Solidariedade Internacional e em particular do CMP e suas organizações integrantes.

A humanidade encontra-se ainda traumatizada pelo terrorismo de Estado que vigorou ao longo dos últimos oito anos. As chamadas guerra infinita ao terrorismo e guerras preventivas cobraram elevado preço aos povos. Países foram ocupados, genocídios foram cometidos, soberanias nacionais foram vilipendiadas, o direito internacional foi violado, chefes de Estados legitimamente investidos foram desalojados do poder, encarcerados, submetidos a processos arbitrários e alguns até assassinados. Na América Latina, que vive tempos de transformações progressistas e revolucionárias, sob o signo do antiimperialismo e da integração solidária, não foram poucas as ameaças de liquidação das liberdades, de intervencionismo, de ataques à autodeterminação, de secessionismo e de magnicídio

Depois da mudança na chefia de governo da superpotência imperialista, tem lugar nova retórica, nova linguagem e empregam-se novas táticas. Mas as ameaças, os contenciosos e os focos de conflitos permanecem inalterados e até em constante agravamento.

A começar pela eclosão de grave, extensa e profunda crise econômica e financeira que atinge os centros mais importantes da economia capitalista e cujo peso é descarregado sobre os países pobres e em desenvolvimento e sobre os ombros dos trabalhadores.

Uma crise econômica e financeira que se entrelaça com a energética, a alimentar, a ambiental e agrava enormemente as contradições econômicas e sociais e carregam imenso potencial de gerar conflitos, porquanto não se pode descartar em tal ambiente os intentos de impor saídas conservadoras, fascistizantes, militaristas e belicistas.

A tendência espontânea da evolução dos acontecimentos não pode ser de paz quando estão intactas mais de 800 bases militares estrangeiras em mais de uma centena de países em todas as regiões. Quando os Estados Unidos decidem instalar em território colombiano cinco novas bases militares, quando a Marinha de Guerra desta superpotência imperialista relança a Quarta Frota preparada para singrar o mar do Caribe e o Atlântico e Pacífico Sul com suas belonaves capacitadas até mesmo para lançar mísseis com ogivas nucleares. Não tende o mundo para a paz quando a OTAN, ao comemorar 60 anos formula novo conceito estratégico, agressivo e expansionista ou quando os Estados Unidos preparam-se para instalar o seu escudo antimísseis no extremo leste da Europa. Não é tendente à paz uma situação política marcada pelas ameaças à República Popular Democrática da Coréia e ao Irã.

Não tende à paz uma situação mundial em que se mantêm acesos os focos de conflitos e há países que se encontram sob ocupação, como na martirizada Palestina, no Iraque e no Afeganistão.

Em tal situação, emerge a importância do Conselho Mundial da Paz e das organizações nacionais e regionais que o constituem.

São vigentes os valores da luta pela paz, da solidariedade internacional e do antiimperialismo.

É urgente lutar pelas bandeiras e plano de ação da nossa Assembléia de abril de 2008.

Pela abolição das armas nucleares, das bases militares, da OTAN e da Quarta Frota.

Pela retirada das tropas de ocupação do Iraque e do Afeganistão

Pela libertação da Palestina, com o fim da ocupação israelense e a criação do Estado Nacional Palestino

Apoio aos processos de integração solidária na América Latina

Solidariedade à Revolução Cubana, pelo fim do bloqueio imperialista e pela libertação dos cinco heróis patriotas cubanos encarcerados nos Estados Unidos.

Companheiros, companheiras,

Ao congratularmo-nos com o MOVPAZ no transcurso do Sexagésimo Aniversário de sua Fundação, homenageamos o heróico povo cubano que neste ano comemora o Qüinquagésimo Aniversário de sua Revolução.

A Revolução Cubana perfila-se entre os mais importantes acontecimentos do Século 20 e seu comandante, o companheiro Fidel Castro entre as mais insignes figuras da Humanidade, um defensor conseqüente da Paz, da Soberania, da Independência e da Autodeterminação dos Povos e Nações.

A Revolução vitoriosa nesta inexpugnável Ilha foi a Revolução dos pobres e dos humildes, teve e tem caráter antiimperialista, popular e libertador e abriu caminho para a emancipação definitiva do povo cubano vítima do intervencionismo imperialista desde os albores do século 20.

A Revolução Cubana vitoriosa há cinquenta anos foi o primeiro brado da segunda e definitiva independência da "Nuestra América", América indômita, rebelde e vencedora, que hoje com a consolidação da própria Revolução Cubana, com a Revolução Bolivariana e os processos democráticos e populares em curso na região, dá largos passos no rumo de uma histórica transformação. 

Os povos do mundo, os amantes da paz, os ativistas da solidariedade são imensamente gratos ao povo cubano pelo internacionalismo de sua Revolução e pela ajuda desinteressada à vitória das causas mais nobres da humanidade.

Reverenciamos o heroísmo do povo cubano que em nome dessas causas tem arrostado ingentes dificuldades. O imperialismo não lhe perdoa nem lhe dá descanso. Promoveu a invasão de Playa Girón, instituiu e mantém o odioso bloqueio, perpetra outras agressões econômicas, políticas e diplomáticas, alimenta o terrorismo contra sua população, suas instituições, seus dirigentes. Inúmeras vezes intentou o magnicídio.

Enaltecemos o valor da Resistência. Como disse o comandante Fidel no pronunciamento que fez durante o trigésimo aniversário da Revolução, em 1989, "Aqui estamos porque temos podido resistir". Repetimos com Fidel, repetimos com vocês: Resistir. Porque na adversidade, sob a ofensiva do inimigo, Resistir é vencer.

O Conselho Mundial da Paz que se aproxima também de completar 60 anos, inspira-se também no exemplo de heroísmo e de resistência do povo cubano. Nesta ocasião reafirmamos nossas convicções, nosso compromisso e nossa luta.

Viva o MOVPAZ!

Viva o Povo Cubano!

Viva a Luta pela Paz e a Solidariedade Internacional!
                           

Socorro Gomes, Presidente do Cebrapaz

 

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