Esquerda latino-americana condena ingerência militar dos EUA

Em reunião realizada na Cidade do México de 20 a 23 de agosto últimos, partidos e movimentos políticos da América Latina aprovaram contundente resolução contra as bases militares estadunidenses na Colômbia, a Quarta Frota Naval e a militarização da região.

O XV Encontro do Foro de São Paulo, reunido na Cidade do México nos dias 20 a 23 de agosto de 2009, após análise da situação geopolítica e geomilitar da região, no contexto da situação  econômica mundial, declara:

– Que a presença dos EUA nos nossos países se intensificou devido, fundamentalmente, à aplicação ativa do Plano Colômbia, à implementação dos acordos que permitem a instalação de sete bases militares na Colômbia e à reconstituição da Quarta Frota Naval norte-americana. Estas determinações de ingerência somam-se às bases militares já existentes em Guantânamo, Aruba, Curaçao, Porto Rico, Honduras, entre outras.

– Estes fatos constituem uma ameaça à paz, à segurança e à soberania regionais. Afetam também a democracia e a  vigência de governos democráticos, progressistas, anti-imperialistas e socialistas. Constituem, ademais, uma grave interferência para deter os processos integracionistas que tais governos impulsionam.

– Estes acontecimentos demonstram o aumento do intervencionismo norte-americano, de seu poderio militar e das tentativas de converter nossos territórios em plataformas de guerra e impedir os processos de mudança. Portanto, não se trata de um fenômeno que diz respeito apenas aos EUA e à Colômbia, como afirmam os defensores da dupla-moral, mas, pelo contrário, é algo que envolve o conjunto dos nossos países, porque as ameaças são feitas a todos.

Neste contexto, propomos:

– Expressar a mais absoluta solidariedade ao povo colombiano e aos povos e países diretamente ameaçados pelas políticas belicosas do eixo militar norte-americano – Uribe.

– Convidar os governos progressistas latino-americanos para que atuem nos espaços multilaterais – Grupo do Rio, UNASUL, OEA -, desenvolvendo um amplo debate sobre as implicações da presença das bases militares para a estabilidade e a paz na região, pondo em marcha ações que favoreçam a restituição de espaços de convivência pacífica na América Latina.

– Apoiar a iniciativa da legislatura equatoriana a respeito da auditoria da base de Manta, cujos marines norte-americanos deixaram há pouco.

– Impulsionar a realização de uma campanha regional e continental para  impedir a presença das bases militares na Colômbia e para que a Quarta Frota suspenda suas operações. Neste sentido, apoiamos as iniciativas dos movimentos sociais e políticos, tais como a Aliança Social Continental, a Campanha pela Desmilitarização das Américas e o Conselho Mundial da Paz.

– De maneira particular e de imediato, deverão ser apoiadas as seguintes ações: Mobilização em Bariloche (Argentina), dias 27 e 28 de agosto, por ocasião da Reunião de Cúpula do 1º Conselho de Defesa do Sul; Reunião de partidos políticos em Caracas, nos dias 7 a 9 de outubro; Encontro de partidos políticos e movimentos sociais em favor da retirada das bases militares na Colômbia, no mês de outubro próximo; implementação de seminários e oficinas  acadêmicas e de intelectuais que tratem de assuntos sobre os conflitos da região andina, que serão realizados no primeiro trimestre do próximo ano.

O XV Encontro do Foro de São Paulo condena as políticas militares que pretendem desestabilizar a vida democrática da região; proclama sua determinação em favorecer a paz e convoca os partidos políticos do Foro de São Paulo, os povos e governos da América Latina a impedir o militarismo.

Contra a política de guerra do imperialismo e das oligarquias, defendemos a democracia, a soberania e a paz.

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