O que significa hoje internacionalismo?

Por Domenico Losurdo*

Como pode exprimir-se hoje o internacionalismo?A situação mudou radicalmente em relação ao passado. Sob o ímpeto da falênciado projecto hitleriano de retomar e radicalizar a tradição colonial,identificando na Europa de Leste o Velho Oeste a colonizar e germanizar, sob oímpeto de Estalinegrado e da derrota infligida ao nazi-fascismo logo após a IIGuerra Mundial, desenvolveu-se uma revolução anti-colonialista à escalaplanetária. Não foram apenas as colónias propriamente ditas a ser atingidas. Empaíses como os EUA e a África do Sul os povos de origem colonial rebelavam-secontra o estado racista e o regime da Whitesupremacy. Ainda antes deencontrar expressão consciente nos partidos e forças de esquerda, ointernacionalismo estava nos factos: abraçava os povos coloniais e de origemcolonial, os países socialistas que apoiavam a revolução anti-colonialista eanti-racista, as massas populares do Ocidente que tinham sacudido o jugo dofascismo e que por vezes, como aconteceu com a Itália, puderam consagrar naConstituição a rejeição da guerra e da política de guerra e de hegemonia. 

A revolução anti-colonial ontem e hoje
Para responder à pergunta inicial (como se configura hoje o internacionalismo?)devemos colocar uma pergunta preliminar: o que significa hoje a gigantescarevolução anti-colonial estimulada pela Revolução de Outubro e acelerada porEstalinegrado? Não, essa revolução não desapareceu. Numa realidade como apalestiniana o colonialismo continua a subsistir na sua forma clássica, comodemonstram a ininterrupta expansão das colónias israelitas nos territóriosocupados, a consequente expropriação, deportação e marginalização do povopalestino e a difusão de um regime de Apartheid, de acordo com a definição dopróprio Jimmy Carter, antigo presidente dos EUA. E, todavia, não obstante asuperioridade e o uso bárbaro da máquina de guerra israelense, apoiada pelosEUA e pela própria União Europeia, não obstante tudo isso, o povo palestinoresiste heroicamente. A solidariedade com aquele que é nos nossos dias o povomártir por excelência é um elemento essencial do internacionalismo. 

Noutras partes do mundo, a luta entre colonialismo e anti-colonialismomanifesta-se de formas diversas. No continente norte-americano, o séc. XX abriacom uma significativa declaração de Theodore Roosevelt: à “sociedadecivilizada” no seu todo, afirmava, competia um “poder policial internacional”,e tal poder os EUA tê-lo-iam exercido na América Latina. A partir desta retomae radicalização da Doutrina Monroe, não têm conto as intervenções militaresefectuadas pelos EUA para prejuízo dos seus vizinhos, considerados estranhos aomundo civilizado e equiparados a bárbaros que precisam da tutela imperial.Acontece que a Doutrina Monroe caiu radicalmente em crise a partir de uma revoluçãoque celebra nestes dias o seu quinquagésimo aniversário. No curso do meioséculo entretanto transcorrido, cada metade foi usada para isolar, difamar,estrangular e liquidar a revolução cubana, mas hoje a sua força e o seusignificado internacional são confirmados nas mudanças em curso em países comoa Venezuela, a Bolívia, o Equador, o Brasil, a Nicarágua, o Paraguai. Sobformas assaz diversas consoante o caso, a revolução anti-colonialista eanti-imperialista está em marcha na América Latina e também a essa se dirige anossa solidariedade internacionalista. 

No curso do séc. XX a revolução anti-colonialista rebentou também na Ásia e emÁfrica. E hoje? Para fazer o ponto da situação, convém compreender o alcanceduma observação de Frantz Fanon, o grande teórico da revolução argelina. Quandose sentem levadas a capitular (escreve Fanon em 1961) as potências coloniaisparecem dizer aos revolucionários: “Já que pretendem a independência, tomem-nae desapareçam do mapa”; de tal modo que “a apoteose da independênciatransforma-se na maldição da independência”. É a este novo desafio, de carácternão militar, que é preciso saber responder: “é preciso capital, técnicos,engenheiros, mecânicos, etc”. Por outro lado, já em 1949, ainda antes daconquista do poder, Mao havia insistido na importância da construção económica:Washington deseja que a China se “reduza a viver da farinha dos EUA”, acabandoassim por “se tornar uma colónia estado-unidense”. E então, sem a vitória naluta pela produção, agrícola e industrial, a vitória militar estava destinada arevelar-se frágil e inconclusiva. Por outras palavras, Mao e Fanon de algumamaneira previram por um lado o estado de tantos países africanos que nãoconseguiram passar da fase militar à fase económica da revolução e, por outro,a mudança que se operou em revoluções anti-coloniais como a chinesa e avietnamita. 

O nascimento do Terceiro Mundo 
Eis um ponto fundamental que é importante precisar. Perguntamo-nos de que modose formou o Terceiro Mundo, o espaço tradicionalmente oprimido e saqueado peloOcidente colonialista e imperialista. Com um longo passado, em que mantevedurante séculos ou milénios posição eminente no desenvolvimento da civilizaçãohumana, já em 1820 aChina tinha um PIB que constituía 32% do Produto Interno Bruto Mundial; em1949, no momento da sua fundação, a República Popular da China tornava-se opaís mais pobre, entre os mais pobres, do globo. Não muito diferente é ahistória da Índia que, ainda em 1820, contribuía com 15,7% para o PIB mundial,antes de cair, também ela, numa miséria terrível. Ou seja, não podemoscompreender o processo de formação do Terceiro Mundo abstraindo-nos da políticade saque e de desindustrialização conduzida pelas potências colonialistas eimperialistas.

Mas outra circunstância contribui para oprocesso de formação do Terceiro Mundo.
 Para compreendê-la,devemos reportar-nos a uma revolução que ocorreu no final do séc. XVIII, numpaís que hoje se chama Haiti, mas que então se chamava Santo Domingo. É uma revoluçãode escravos negros, que rompia ao mesmo tempo as cadeias do regime colonial eda instituição esclavagista; assim nascia no continente americano o primeiropaís livre do flagelo da escravatura. A dirigir este processo de emancipaçãoestava um jacobino negro, Toussaint Louverture, um grande personagem histórico,ignorado nos nossos livros de história, mas que numa sociedade democráticadeveria obrigatoriamente figurar mesmo nos livros de educação cívica. Ora,depois da vitória militar, Toussaint Louverture colocou o problema daconstrução económica: para tal fim quis usar também os técnicos e peritosbrancos provenientes das fileiras do inimigo derrotado; razão pela qual foiacusado ou suspeito de querer restaurar o domínio branco e assim trair a revolução. 

Daí resultou uma tragédia que ainda nos deve fazerreflectir. Santo Domingo foi uma ilha muito rica, graças ao açúcar produzidonas plantações de grandes dimensões e eficiência notável, e largamenteexportado. É certo que a riqueza produzida pelos escravos era para proveito dosseus patrões. Seria possível a antigos escravos fazerem funcionar em seupróprio benefício a economia desenvolvida por eles, herdada graças à revolução?Infelizmente, após a derrota dos homens de Toussaint Louverture, Santo-Domingo/Haitiadoptou uma atrasada agricultura de subsistência. A ilha conhecia assim amiséria generalizada e é ainda um dos países mais pobres do globo. Emconclusão, a formar o Terceiro Mundo há também os países que não são capazes depassar da fase militar para a fase económica da revolução, os países onde, porum motivo ou outro, a revolução anti-colonial conhece a derrota ou o fracasso. 

O Imperialismo e a condenação dos povos rebeldes à fome 
Nada se compreenderá da luta entre o colonialismo e o anti-colonialismo, entreo imperialismo e anti-imperialismo, se não se tiver em conta que ela éconduzida inclusive no plano económico. Imediatamente após a revolução lideradapor Toussaint Louverture, Thomas Jefferson declarou que queria reduzir à“inanição” o país que teve a audácia de abolir a escravatura. Esta mesmahistória repetiu-se no séc. XX. Imediatamente após Outubro de 1917, Herbert Hoover,na época um alto funcionário da administração Wilson e mais tarde presidentedos Estados Unidos usou explicitamente a ameaça de "fome absoluta" ede "morte por inanição” não apenas contra a Rússia soviética, mas contratodos os povos propensos a deixar-se contagiar pela revolução bolchevique. Éuma política que continua até hoje: é notório para todos que o Imperialismoprocura estrangular economicamente Cuba e possivelmente reduzi-la à condição deGaza, onde os opressores podem exercer o seu poder de vida e morte, mesmo antesdos bombardeamentos terroristas, com o controlo de recursos vitais. No querespeita à República Popular da China, no início dos anos 1960 um funcionárioda administração Kennedy, Walt W. Rostow, vangloriou-se com o facto de os EstadosUnidos terem conseguido atrasar por "dezenas de anos” o desenvolvimentoeconómico do grande país asiático! E contra esse Washington ainda hoje conduzuma política de embargo tecnológico, a política que até ao fim foi levada acabo contra a União Soviética. 

Portanto, a solidariedade internacionalista deve ser aplicada também aos paísesque conseguem passar da fase militar à fase mais propriamente económica darevolução anti-colonialista e anti-imperialista. Os líderes da América Latinaestão conscientes da importância desta fase de transição. Para dar apenas umexemplo, há algum tempo atrás o vice-presidente da Bolívia lançou uma palavrade ordem assaz significativa: "industrialização ou morte!" Aos olhosde Alvaro Garcia Linera trata-se de realizar “o desmantelamento progressivo dadependência económica colonial”. Nesta perspectiva torna-se importante ocrescente intercâmbio comercial e tecnológico com um país como a China: tornamenos grave a ameaça de estrangulamento económico agitada pelo Imperialismo etorna assim mais fácil a luta contra a doutrina Monroe também no planoeconómico. 

Já se delineia uma convergência entre os países e povos protagonistas darevolução anti-colonialista e anti-imperialista. É uma frente internacionalistaque tende a alargar-se. Depois da vitória conseguida na Guerra Fria, valendo-setambém da cumplicidade da União Europeia, os EUA transformaram em semi-colóniaspaíses como a Albânia e territórios como o Kosovo. Confirma-se a tese queenunciei segundo a qual para formar o Terceiro Mundo e o espaço colonial esemi-colonial de que precisa o capitalismo, surgem por um lado a iniciativadirecta do Imperialismo e do outro a falência ou derrota de determinadasrevoluções, seja por causas internas seja pela intervenção repetida doImperialismo. Não se deve esquecer que a própria Rússia, depois da restauraçãodo capitalismo, se estava a tornar ou arriscava tornar-se uma semi-colónia. Eaté mesmo este país mostra uma resistência ao louco projecto de Washington deimpor o seu domínio a nível mundial. 

Infelizmente, a esta frente anti-colonialista e anti-imperialista que poderiaconstituir-se falta ainda uma componente essencial: ela não desfruta ainda daplena solidariedade dos movimentos de oposição que efectivamente se manifestamnos países capitalistas avançados. Como explicá-lo? Não se trata de um problemanovo. Na Segunda Internacional não faltavam por certo na Europa as vozes quejustificavam o expansionismo colonial em nome da exportação da civilização. Asvozes duramente contrastantes foram, entre outras, de Rosa Luxemburgo. Hoje, aideologia dominante prefere falar de direitos humanos e de luta contra oautoritarismo, o totalitarismo, o fundamentalismo, mas a substânciacolonialista ou neocolonialista de tal conduta não muda. 

O Imperialismo como inimigo principal dos direitos do homem 
Para perceber isto, não é preciso voltar a Marx ou a Lenine. Quero aqui retomaro sentido do discurso pronunciado a 6 de Janeiro de 1941 por Franklin DelanoRoosevelt. Na proposta para que não mais se perca de vista “a supremacia dosdireitos humanos", para além da tradicional liberdade da tradição liberal(liberdade de expressão e religião), o presidente estado-unidense teorizatambém o "libertar-se da necessidade" ( freedom from want ) e o "libertar-se domedo" ( freedom from fear ). Concentremo-nos inicialmentenestes dois últimos. Bem, não só uma parte substancial da população dos EUAcarece ainda de cuidados de saúde, mas as sucessivas administrações nos últimostempos em Washington empenharam-se numa espécie de cruzada planetária paraacabar com o estado social mesmo nos países em que ele existe em maior ou menormedida. Teorizando em vez disso sobre o “libertar-se do medo”, F. D. Roosevelttem em vista a Alemanha Nazi, que ameaçava invadir os países vizinhos epróximos. Hoje são em primeiro lugar os EUA a fazer pesar sobre cada parte domundo o medo e a angústia dos bombardeamentos, das destruições em larga escalae até mesmo da aniquilação nuclear. Com o objectivo de encetar a política do“libertar-se do medo”, em polémica indirecta contra o Terceiro Reich, F. D.Roosevelt invocava a “redução” dos armamentos. Hoje os EUA sozinhos gastam emarmamento o mesmo que o resto do mundo emconjunto. Isto é, pelo menos no que respeita a estes"direitos humanos" fundamentaisque são o "libertar-se doquerer" e "libertar-se do medo",o principal inimigo é o própriopaís que aspira a ser o juiz inapelável dacausa dos direitos humanos. 


Do mesmo modo, se nos concentrarmos nos direitosclássicos da tradição liberal,o resultado não é muito diferente. Quem foi que,na Primavera de 1999,assassinou com bombardeamentos os jornalistas de televisãojugoslavos culpadosde não partilhar a opinião dos líderes e ideólogos da NATO ede seremobstinados em condenar a agressão sofrida pelos seus países? E quantossão osjornalistas “acidentalmente” assassinados pelo fogo das forças deocupação noIraque ou na Palestina? Gozam de “direitos universais de expressão edeassociação” os habitantes de Gaza que, depois de terem votado pelo Hamasemeleições livres, se viram condenados ao estrangulamento económico, aobloqueioe sucessivos bombardeamentos selvagens e invasões? Gozam destesdireitos osreclusos de Abu Ghraib e de Guantánamo? Têm-nos, enfim, os árabes eosislamitas que nos EUA ousam subscrever um abaixo-assinado a favor dapopulaçãode Gaza e do Hamas arriscando ser perseguidos e condenados como“terroristas”?Para citar Marx, “a profunda hipocrisia, a barbárie inerente àcivilizaçãoburguesa, abertamente e sem véus, não apenas nas grandes metrópolesassumeformas consideráveis, voltemos os olhos para as colónias", ou paraospovos de origem colonial colocados na mesma metrópole. Neste caso,a“hipocrisia e a barbárie burguesas ficam a nu". Como confirmou asortereservada para Gaza. 

Isto não significa negar que se colocam problemasconsideráveis de direitoshumanos aos países e povos empenhados na revoluçãoanti-colonialista eanti-imperialista e nos próprios países que reclamam osocialismo. E todaviabasta ler autores como Madison ou Hamilton para saber quea regra da lei, a rule of law, não pode desenvolver-seondeexiste uma ameaça à segurança nacional. Gritar pela assistência dademocraciaem países submetidos a um assédio com maior ou menor pressão noplanodiplomático, económico e militar é expressão de loucura ou deverdadeirocinismo político. Por outras palavras, não há verdadeira democraciasemdemocracia nas relações internacionais, e o principal inimigo da democracianasrelações internacionais é um país que, pela boca de Clinton, como deBushSénior e Júnior e de tantos outros presidentes pretende ser o país eleitoporDeus com a missão de conduzir e dominar o mundo até à eternidade. 

Também o hodierno “imperialismo dos direitoshumanos” como foi justamentedefinido, não é nada de inteiramente novo. Sedepois de uma heróica revoluçãonos começos do séc. XX, Cuba conquistou aindependência de Espanha, Washingtonforça este país formalmente independente aintroduzir na sua constituição aEmenda Platt, com base na qual se reconhece aosEUA o direito a intervirmilitarmente na ilha cada vez que estes ali vêemameaçados o tranquilo usufrutoda propriedade e da liberdade. É como se hoje osaspirantes a patrões do mundopretendessem fazer valer a Emenda Platt a nívelplanetário! 

É o “Imperialismo dos direitos humanos” aenfraquecer a esquerda nos paísescapitalistas avançados. 

Um novo bloco histórico a nívelinternacional 
Acrescem outros factores. Na Europa e nos EUAvivem núcleos importantes deimigrantes provenientes do Médio Oriente e do mundoárabe e islâmico. Estes,que muitas vezes deixaram suas famílias para trás,sofrem com particularintensidade a tragédia que pesa mais do que nunca sobre opovo palestino. Estãona primeira fila a manifestar-se contra o colonialismo e oImperialismo, contraIsrael e os EUA, e é também por isto, para além da lógicainterna docapitalismo, que estes imigrantes são particularmenteexplorados,marginalizados e muitas vezes (em qualquer caso nos anos daadministração Bush)arbitrariamente detidos para serem torturados nas prisõessecretas da CIA.Empenha-se a esquerda ocidental o suficiente para procurarestabelecer umaligação estreita e permanente com esta comunidade? Persistir emignorá-la seriacomo se nos EUA da supremacia branca o Partido ComunistaAmericano conduzisse asua propaganda esquecendo os negros. Mas não. Mesmo tendoficado gravementeenfraquecidos primeiro pelo terror maccartista e depois pelacrise do camposocialista, ao longo do tempo os comunistas americanos souberamlutar,arriscando a liberdade e até a vida, contra as discriminações, ashumilhações,a opressão e os linchamentos organizados pelo regime da Whitesupremacy. 

Os niggers, de quem falavam comdesprezo osracistas estado-unidenses, são hoje representados no Ocidente pelosimigrantesárabes e islâmicos; e esses não se limitam a reivindicar o “libertar-sedoquerer”; não têm intenção de, enquanto pobres, apelar a umacompaixãopaternalista. Em primeiro lugar reivindicam (para usar umalinguagemfilosófica) o reconhecimento; exigem ser reconhecidos na sua dignidadehumana,na sua cultura, na sua reivindicação nacional, a começar pelareivindicaçãonacional do povo palestino, o povo-mártir por excelência dosnossos dias! 

Apenas liquidando por completo a influência do“Imperialismo dos direitoshumanos” e da islamofobia (que tomou nos nossos diaso lugar do tradicionalflagelo racista) o movimento de oposição presente nospaíses capitalistasavançados poderá dar um real contributo para a luta contra areacção. 

Encontramo-nos hoje numa situação que temperspectivas positivas eencorajadoras: 1. sob o ímpeto da lutaanti-imperialista ressurgem povos ecivilizações que estavam a ser destruídaspelo colonialismo: pense-se no papelcrescente dos índios na América Latina; 2.o prodigioso desenvolvimento de umpaís como a China quebra o monopóliotecnológico detido pelo Imperialismo. A “grande divergência”, como lhe chamamos historiadores, para quem a dada alturase abriu um abismo entre os paísescapitalistas avançados e o Terceiro Mundo,esta “great divergence” tende areduzir-se; 3.A tomada de consciência da crise do capitalismo dá umnovo impulso à perspectiva dosocialismo para além do Terceiro Mundo, também nospaíses capitalistasavançados. Por outro lado vemos os países-guia docapitalismo imersos numaprofunda crise económica e cada vez mais desacreditadosa nível internacional;ao mesmo tempo continuam a agarrar-se à pretensão de sero povo eleito de Deuse a aumentar febrilmente a sua já monstruosa máquina deguerra e a estender asua rede de bases militares a todas as partes do mundo.Tudo isto não prometenada de bom. É a presença conjunta de perspectivasprometedoras e de ameaçasterríveis a tornar urgente a construção, a nívelinternacional, de um novobloco histórico, para usar a linguagem de Gramsci. Nãoé uma empresa fácil,porque se trata de juntar forças em contextos histórico-culturaise situações políticas e geopolíticas assaz diversas. E este novo blocohistórico, que podedar um novo impulso ao internacionalismo, apenas poderá serconstruído se os partidos comunistas, inclusive aqueles dos países capitalistasavançados, porum lado recuperarem o orgulho na sua própria história e, poroutro, reforçarem a sua capacidade de análise concreta da situação concreta.

 


Referências bibliográficas:
 

Frantz Fanon, Lesdamnés de la terre (1961), trad. it., de Carlo Cignetti, Idannati della terra, pref. de Jean-Paul Sartre, Einaudi, Torino, II ed.,1967, pp. 55-58. 
Alvaro Garcia Linera em entrevista a PabloStefanoni, in «il manifesto» de 22 Julho de 2006, p. 3. 

Mao Tsetung, Ilfallimento della concezione idealistica della storia (16Setembro de 1949), in Opere scelte, Edizioniin lingue estere, Pechino, 1969-75, vol. 4, p. 467. 
Karl Marx-FriedrichEngels, Werke, Dietz, Berlin 1955-89, vol. 9, p.225 (Die künftigen Ergebnisse der britischen Herrschaft in Indien). 

Per Jefferson, Hoover e Rostow cfr. Domenico Losurdo. Stalin. Storia e criticadi una leggenda nera, Carocci, Roma, 2008, pp. 196 e 288. 

Franklin DelanoRoosevelt, “Four Freedoms Speech” (6 Janeiro de 1941), in RichardHofstadter-Beatrice Hofstadter, GreatIssues in American History, VintageBooks, New York, 1982, pp. 386-91. (publicado com o título“Imperialismus der Menschenrechte”, in XIV. InternationaleRosa-Luxemburg-Konferenz 2009, Junge Welt, Berlin, 2009; pp. 11-13) 

Fonte: Marxismo Oggi, 2009/1 

Textos deDomenico Losurdo em resistir.info:   

 As raízes norte-americanas do nazismo 

Negacionismoe liberdade de investigação

 A suposta"não violência" do Dalai Lama é desmentida pela CIA

Acerca do liberalismo

Boicotar os JogosOlímpicos de Pequim?

Quem recorre a escudos humanos: oHamas ou Israel?

Os"Protocolos dos Sábios do Islão 

Tradução de André Rodrigues P. Silva. 

Esteartigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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* Filósofo marxista italiano e pesquisador do Istituto di Science Filosofiche ePedagogiche, Urbino, Itália.

 

 

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