Representantes dos movimentos sociais e populares entregam carta denúncia ao Cônsul colombiano

Na manha desta quinta-feira (10), em São Paulo, representantes dos movimentos sociais e populares reuniram-se com o Cônsul da Colômbia, Edyin Ostos. Durante a audiência, foi entregue uma carta – assinada por mais de vinte entidades, entre elas, a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) – endereçada ao presidente Álvaro Uribe.

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Cônsul da Colômbia, Edyin Ostos, recebe carta das entidades brasileiras

O documento é uma síntese do número de mortes e expulsões. Nos últimos 23 anos foram assassinados 2.731 sindicalistas no país. Entre janeiro de 1986 e dezembro de 2008 ocorreram 231 atentados, 4.200 ameaças, 161 sequestros, 1.478 vítimas de deslocamentos forçados, 193 desparecidos, 73 casos de torturas e 43 capturais ilegais.

A presidente da Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), Socorro Gomes, que entregou a carta ao Cônsul, falou sobre o sentimento de solidariedade e a busca de paz na América Latina que motivou a visita.

“Queremos o fim das execuções sumárias ocorridas no país, assim como, a punição dos responsáveis. Estamos aqui, para marcar nossa indignação e revolta com a situação de mortes na colombiana. Além disso, estamos preocupados com a instalação das bases militares estrangeiras no país, a qual consideramos uma ameaça. Este tipo de situação e injustificável, principalmente, em um momento em que todos lutam pela paz”, salientou.

Joaquim Pinheiros, representante do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), acrescentou que muitos assassinatos envolvem lideranças rurais. De acordo com relatórios dos Direitos Humanos, 8 mil pessoas já perderam suas vidas e mais de 50 mil famílias foram expulsas de suas casas e terras.

“Quando se estabelece uma zona militarizada se desencadeia uma corrida por armamentos nos países da região e passa-se a retirar recursos destinados a saúde e educação para compra destes, com a desculpa de que o país precisa melhorar sua defesa”, registrou Joaquim.

Já a integrante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), Maria Fernanda Marcelino, chamou a atenção para o problema enfrentado pelas mulheres. “Uma das coisas que percebemos, e que é fruto do conflito, é a expulsão de pessoas do país, em especial as mulheres, que são perseguidas e muitas vítimas de violência sexual. “Viemos trazer nosso apoio as mulheres que são as primeiras a serem vitimizadas. A Colômbia vive um momento importante que tem chamado a nossa atenção”.

Rubens Diniz, representante da Cebrapaz, questionou a postura política do país. “Quando Uribe fez o anúncio sobre as instalações de bases estrangeiras no país ele lembrou que era um acordo antigo, acertado na década de 50. Depois de tanto tempo não é o caso de rever esta postura já que os problemas persistem?”

Campanha “América Latina é de Paz – Fora Bases Militares Estrangeiras”

À noite será lançada oficialmente a campanha “América Latina é de Paz – Fora Bases Militares Estrangeiras”. A atividade será no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, às 19hs, e contará com apresentação cultural e um brinde em defesa da paz e da soberania nacional.

Ana Paula Carrion – Portal CTB

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