Seminário Internacional da Paz divulga o “Chamamento de Havana”

 O Teatro do Instituto Raúl Roa García, em Havana (Cuba), abrigou de 4 a 6 de janeiro o "Seminário Internacional da Paz – Por uma Cultura de Paz num Mundo Globalizado". Cerca de 120 delegados, vindos de diversos países, participaram das atividades do encontro, que foi promovido, entre outras entidades, pelo Movimento Cubano pela Paz e Soberania dos Povos (MovPaz), entidade parceira do Cebrapaz.

Aberto pela reitora do instituto, doutora Isabel Allende Karan, o seminário contou com uma série de painéis sobre temas como "A paz: história e desafios do século 21", "A construção da paz no contexto da crise mundial", "Política de desenvolvimento e intervenções das Nações Unidas e da União Europeia", "Ciências e paz: questões tecnológicas e produtivas em relação à construção da paz" e "Estratégia para a construção da paz e da justiça social no século 21".

Os participantes renderam também homenagens ao professor Manuel Terrazas Guerrero, presidente do Movimento Mexicano pela Paz e pela Democracia (Mompade), falecido no dia 4, horas antes do início do seminário. Ao fim dos debates, os delegados aprovaram o "Chamamento de Havana" – um documento endereçado à comunidade internacional que tem como premissa o caráter universal da paz. O Chamamento tem quatro pontos essenciais:

1) Repensar o conceito de paz a partir de suas múltiplas possibilidades de análise, polissemia semântica e conteúdo próprio, dentro das complexidades dos tempos atuais;

2) Reconhecer o desenvolvimento sustentável como condição sine qua non da paz, reconhecendo-se a soberania e as diferenças econômicas e sociais dos quase 200 países da comunidade internacional;

3) Considerar que a raiz dos conflitos e das ameaças à paz se encontra nas limitações estruturais, condicionadas pela história de mais de 500 anos de imposição do modelo colonial-moderno, depredador, capitalista, branco, eurocêntrico e patriarcal;

4) Advertir que o cenário internacional, caracterizado pela política de espoliação, não é propício para a paz;

5) Reconhecer a importância da cooperação internacional para o sucesso da paz;

6) Denunciar a corrida armamentista que levou os Estados a gastarem US$ 1,46 bilhão em 2008, um incremento de 40% em relação a 1989, no fim da Guerra Fria;

7) Apoiar plenamente a "Declaração de Luarca sobre o Direito Humano à Paz";

8) Exigir que os Estados Unidos siga a orientação do grupo de trabalho sobre o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e liberte os cinco cubanos presos injustamente por lutarem contra o terrorismo.

 

Com informações do boletim Sintesis Informativa, do MovPaz

Clique aqui para ler a íntegra da edição de janeiro do boletim.

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