Malvinas: Mopassol defende “descolonização” do Atlântico Sul

A organização argentina Movimento pela Paz, Soberania e Solidariedade entre os Povos (Mopassol) condenou a recente escalada militar do Reino Unido na região das Ilhas Malvinas. O protesto da entidade foi divulgado nesta quinta-feira (25), através de uma nota assinada por sua Mesa Diretiva.

A declaração faz um apelo também a entidades irmãs: “Na luta pela paz na região, em defesa da soberania nacional e de nossos recursos naturais, para conquistar a descolonização de nossas Malvinas e dos outros arquipélagos usurpados no Atlântico Sul, entendemos que é vital que as organizações populares se pronunciem nesse sentido, condenando energicamente os atropelos da Coroa Britânica e os planos agressivos da Otan, assim como a presença da IV Frota de Guerra dos Estados Unidos em nossos mares”.

Confira abaixo a íntegra da nota do Mopassol.

Frente à pirataria britância
Em defesa de nossa soberania e dos recursos naturais do povo argentino. Pela paz e pela descolonização dos arquipélagos usurpados no Atlântico Sul

O Movimento pela Paz, Soberania e Solidariedade entre os Povos (Mopassol) condena energicamente o novo ato de usurpação cometido pela Grã Bretanha em nossas Malvinas e conclama as forças populares a se pronunciarem ativamente em defesa de nossa soberania e dos recursos naturais que pertencem ao povo argentino.

Ao negociar com grandes empresas estrangeiras a concessão de licenças de exploração de petróleo num territótio atualmente em disputa de soberania — como vem acontecendo também a respeito da pesca —, a Coroa Britânica realiza uma ação ilegal e fragrantemente violadora das resoluções das Nações Unidas sobre os arquipélagos dos mares do Atlântico Sul. Essas resoluções instam ambas as partes a iniciar negociações para resolver a disputa, pondo fim a uma ocupação colonial que persiste desde o século 19, enquanto se privam de qualquer ação unilateral que torne o conflito mais agudo.

Mas a Inglaterra se nega sistematicamente a cumprir esse mandato da comunidade internacional e continua realizando ações francamente agressivas, das quais uma das mais graves é a construção, na Ilha Soledad, da base aeronaval de Mount Plasant, uma grande fortaleza militar com mais de 2 mil efetivos permanentes, à cuja manutenção a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) dedica 7% de seu orçamento global. Uma semelhante inversão, por parte da organização militar sob o mando dos Estados Unidos — que encabeça há 60 anos as aventuras bélicas contra os povos da Terra —, deixa bem às claras para que lhe serve a fortaleza Malvinas: não para defender os 2.500 kelpers que povoam as ilhas,  mas, sim, para custear os planos imperialistas de domínio do mundo e seguir saqueando a nossos povos.

Nessas circunstâncias, o Mopassol reafirma sua convicção — expressada em numerosos documentos dos últimos 30 anos — de que é necessário seguir lutando pelo desmantelamento da Fortaleza Malvinas e pela abolição de todas as bases militares estrangeiras instaladas na região; exigir o cumprimento das resoluções da ONU que tendem a fazer do Atlântico Sul una zona de paz e cooperação; e apoiar as negociações pacíficas encaminhadas para resolver o conflito.

Concordamos, do mesmo como, com as medidas importantes tomadas por autoridades argentinas, no sentido de persistir e intensificar uma verdadeira ofensiva diplomática, para buscar o apoio dos países da Unasul, da Alba, do Movimento dos Países Não-Alinhados e da Assembleia Geral da ONU, geralmente com pronunciamento favorável em todos os foros internacionais onde é possível levar nossas mensagens. Sob esse aspecto, é particularmente alentador o apoio expressado pelos 32 países do Grupo Rio, na Recente Cúpula de Cancun, onde ademais se deliberou constituir um espaço de integração latino-americana e caribenha sem a participação dos Estados Unidos e do Canadá.

Na luta pela paz na região, em defesa da soberania nacional e de nossos recursos naturais, para conquistar a descolonização de nossas Malvinas e dos outros arquipélagos usurpados no Atlântico Sul, entendemos que é vital que as organizações populares se pronunciem nesse sentido, condenando energicamente os atropelos da Coroa Britânica e os planos agressivos da Otan, assim como a presença da IV Frota de Guerra dos Estados Unidos em nossos mares

Mesa Diretiva – Mopassol

Buenos Aires, Argentina, 25 de fevereiro de 2010

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