Acordo entre Brasil e EUA não prevê bases, mas acentua laço militar

Representantes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos assinaram, ontem (12), um acordo militar de cooperação na área de defesa.  Ao contrário do que muitos temiam, o acordo não contempla a construção ou o uso de bases por militares estadunidenses em território brasileiro. No entanto, prevê o intercâmbio de informações e tecnologias no campo militar.

O acordo pretende facilitar o comércio de armamentos entre as duas nações e a realização de treinamentos e exercícios militares conjuntos. O texto prevê, ainda, a colaboração entre os dois países firmantes para o combate ao terrorismo.

De acordo com Socorro Gomes, presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), o acordo inclui a "cláusula de garantias" exigida pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que conserva a integridade e a inviolabilidade territorial, assim como a igualdade soberana dos Estados. Mesmo assim, Socorro mostra-se preocupada com o acordo. "A minha opinião é que Estados Unidos não é um bom parceiro", apresenta.

Para ela, o acordo com os Estados Unidos não gera confiança. Isso porque o país norte-americano vai de encontro aos projetos de integração regional da América Latina, os quais buscam eliminar as desigualdades na região. "[A integração da América Latina] vai contra os interesses imperialistas estadunidenses", explica, destacando, posteriormente, que a relação dos EUA "é uma relação de ingerência, de busca de domínio contra o progresso no processo democrático da região".

De acordo com a presidente do Cebrapaz, os Estados Unidos estão tentando retomar a influência na região latino-americana. "É uma potência que tem demonstrado que não se detém diante de nada", acredita. Prova disso são as ações realizadas pelo governo estadunidense.

Relançamento da Quarta Frota, instalação de sete bases militares em território colombiano e apoio ao Golpe de Honduras são apenas alguns exemplos de atitudes tomadas pelos Estados Unidos nos últimos anos na região latino-americana. "Estados Unidos é como uma ave agourenta na região", compara.

Além disso, Socorro lembra outras intervenções estadunidenses na região, como a Escola das Américas – que treinava oficiais e soldados latino-americanos com cursos sobre técnicas de interrogatório, guerra psicológica, entre outros -, os golpes militares – como o ocorrido no Brasil -, e a Operação Condor – articulação multinacional dos regimes militares contra os opositores das ditaduras.

Fonte: Adital

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