Resistência no Afeganistão considera irracional permanência de tropas

Reagindo ao anúncio feito durante reunião de cúpula de Lisboa – dias 19 e 20 – da intenção de se retirar as tropas da Otan do Afeganistão entre 2011 e 2014, o comando do talibã considerou que tal decisão evidencia “o fracasso da estratégia do governo norte-americano”. Para o grupo que resiste à ocupação do país, os invasores estrangeiros deviam retirar-se imediatamente, por isso, esta é uma “decisão irracional” que prolonga “uma guerra sem sentido”.

A declaração foi feita pelos insurgentes em comunicado publicado na internet. Até 2014, “vários eventos trágicos e batalhas ocorrerão, por conta desta guerra sem sentido, imposta e impossível de ser vencida. Não deveriam adiar a retirada das suas forças por um único dia”, afirmam.

“Nos últimos nove anos, os invasores não puderam estabelecer nenhum sistema de Governo em Cabul e também não serão capazes de fazê-lo no futuro”, advertem. O fato é que a resistência recrudesce, e nem os 150 mil militares estrangeiros que ocupam o território, a maioria dos quais dos EUA, a consegue dominar.

Ainda no último dia 13, um grupo de homens armados atacou a base dos EUA situada no aeroporto de Jalalabad. A ação ousada não é caso isolado. Nos últimos meses, a resistência tem acossado os imperialistas com vários ataques diretos a unidades militares.

A degradação da situação é igualmente notória quando, segundo o Washington Post, o governo norte-americano decide, pela primeira vez em nove anos, enviar para o Afeganistão tanques de guerra do tipo M1-Abrams, os quais permitem às tropas fazer frente à resistência a maior distância.

No mesmo sentido, informa o Post, as operações punitivas contra os “talibans” triplicaram nos últimos meses, com a força aérea da Otan e dos EUA lançando mais mísseis que em qualquer outro período da ocupação, iniciada em 2001.

Conflito se alastra

A resistência à guerra no Afeganistão não se limita, no entanto, àquele território, estendendo-se ao Paquistão. No dia em que se reuniram em Lisboa os “senhores da guerra”, dez caminhões da Otan eram incendiados na cidade paquistanesa de Peshawar. Seis dias antes, do outro lado da fronteira, no Afeganistão, mas na mesma rota de abastecimento, 14 caminhões foram atacados e destruídos na província de Nangarhar.

Em resposta, também aumentaram os bombardeios dos invasores no Paquistão. Na segunda-feira, 22, pelo menos cinco pessoas morreram durante um ataque com aviões não-tripulados no Noroeste do país.

De acordo com a cadeia de comunicação DawnNews, este foi o quinto bombardeio com drones norte-americanos na última semana. Na véspera, outras nove pessoas morreram num ataque semelhante. A aposta na mortífera arma que são os aviões sem piloto (desde setembro, pelo menos 250 pessoas, a maioria civis, já morreram devidos a esses ataques) parece ser crescente por parte dos EUA.

Ainda segundo o Washington Post, a Casa Branca teria pedido ao Paquistão para alargar a área de atuação deste tipo de aeronaves. O governo paquistanês, diz o jornal, teria recusado o pedido norte-americano, mas a realidade tem demonstrado que, para além da condenação formal, o Executivo de Islamabad nada mais tem feito para deter as ações ilegais dos EUA na sua área de soberania.

Fonte: Avante!

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