Cotidiano de soldados israelenses lembra Alemanha nazista

Ex-soldados israelenses que participaram da ocupação da Palestina e depois se arrependeram dos crimes que cometeram ou que foram obrigados a cometer relataram à revista francesa Paris-Match o cotidiano das ações que perpetravam contra palestinos nos territórios ocupados. Qualquer semelhança com os relatos das atrocidades cometidas pelos soldados fascistas durante a Segunda Guerra Mundial não é mera coincidência.
O dia a dia dos soldados israelitas nos territórios da Cisjordânia, contado pelos ex-soldados que decidiram quebrar o silêncio:

Granadas para meter medo

“Chegamos a uma aldeia palestina às 3 horas da manhã e começamos a lançar granadas estrondosas nas ruas. Por nada, para meter medo. Vemos as pessoas a acordar esbaforidas… Dizem-nos que isso afugenta os eventuais terroristas. Mentira… Fazíamos isso todas as noites, rotativamente. Rotina. Diziam-nos ‘boa operação’. Não percebíamos porquê.”

Roubar um hospital

“Uma noite, recebemos ordem para entrar numa clínica de Hebron que pertence ao Hamas. Confiscamos o equipamento: computadores, telefones, impressoras, outras coisas, num valor de milhares de shekels. O motivo? Atingir o Hamas na carteira, pouco antes das eleições do parlamento palestino, para que ele perdesse. O governo israelense tinha anunciado oficialmente que não iria tentar influenciar essas eleições.”

“Matamos um homem por pura ignorância”

Não sabíamos que durante o Ramadã os fiéis vão para a rua às 4 horas da manhã com tambores para acordar as pessoas, para que elas comam antes do nascer do sol. Identificamos um sujeito numa avenida que levava uma coisa, gritamos-lhe ‘pare!’. Se o ‘suspeito’ não para imediatamente, o procedimento exige intimidações. ‘Pare ou atiro’, depois atiramos para o ar, depois para as pernas, etc. Na verdade, esta regra nunca é aplicada. A gente o mata e ponto final. E por pura ignorância dos ritos locais.”

Camponeses em lágrimas

“As nossas escavadoras montam uma barreira de separação em pleno campo palestino de figueiras. O camponês chega, a chorar: ‘plantei este pomar durante dez anos, esperei dez anos para que desse frutos, gozei dele durante um ano e agora eles arrancam-no!’ Não há solução de replantação. Só há compensações a partir de 41% de terra confiscada. Se for 40%, não tens nada. O pior é que talvez amanhã eles vão decidir a construção da barreira.”

Devolver os galões, voltar a ser soldado

“Instalamos check-points surpresa. Em qualquer lugar, nunca é claro. E de repente detemos toda a gente, controlamos as suas licenças. Detemos inocentes, pessoas que querem ir trabalhar, procurar alimentos, não terroristas… Tive de fazer isto durante cinco meses, oito horas por dia; isso acabou comigo. Então, decidi devolver os meus galões de comandante.”

“A nossa missão: incomodar, assediar”

“Estamos em Hebron. Como os terroristas são residentes locais e a nossa missão é entravar a atividade terrorista, a via operacional é esquadrinhar a cidade, entrar em casas abandonadas ou em casas habitadas escolhidas ao acaso – não há um serviço de informações que nos oriente -, inspecioná-las, saqueá-las … e não encontrar nada. Nem armas, nem terroristas. Os habitantes acabaram por se habituar, pois isto acontece há anos. Fazer sofrer a população civil, dar-lhe cabo da vida, e saber que isso não serve para nada. Isto provoca um sentimento de inutilidade”

Os castigos coletivos

“Os meus atos mais imorais? Fazer explodir casas de suspeitos terroristas, prender centenas de pessoas em massa, olhos vendados, pés e mãos atados, levá-los em camiões; entrar em casas, despejar brutalmente as famílias; às vezes voltavamos para fazer explodir a casa; nunca sabíamos porquê tal casa nem que suspeitos prender. Às vezes era-nos dada ordem de destruir com escavadeiras ou com explosivos a entrada da aldeia, como castigo coletivo por terem supostamente escondido terroristas.”

Proteger colonos agressivos

“Chegamos ao distrito de Nablus para garantir a segurança dos colonos. Descobrimos que eles decidiram atacar Huwara, a aldeia vizinha, palestina. Eles estão armados, atiram pedras, apoiados nessa ação por um grupo de judeus ortodoxos franceses que filmam, tiram fotos. Resultado: vemo-nos entre árabes surpreendidos, aterrorizados, e a nossa obrigação de proteger os colonos. Um oficial tenta fazer recuar os colonos para as suas terras; recebe pancada, há tiros e ele desiste. Não sabemos o que fazer: retê-los, proteger os palestinos, proteger-nos. Uma cena absurda e louca. Acabamos por conseguir com que os agressores voltem para as suas casas. Uma dezena de árabes ficam feridos.”

Assassinar um homem sem armas

“Estamos instalados numa casa que expulsamos dos seus ocupantes, suspeitamos da presença de terroristas, vigiamos, são 2 horas da manhã. Um dos nossos atiradores de elite identifica um sujeito a andar em cima de um telhado. Eu observo-o com os binóculos, ele tem cerca de 25, 26 anos, não está armado. Informamos por rádio o comandante que nos ordena: ‘É um espião. Abatam-no’. O atirador obedece. Eu chamo a isso um assassinato. Nós tínhamos os meios de o prender. E isto não é um caso único, são dezenas deles.”

Fonte: Blog Solidariedade com a Palestina

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