Otan amplia ataques na Líbia, enquanto governo pleiteia a paz

A Otan intensificou, nesta terça-feira (26), seus ataques aéreos contra a Líbia, encorajando avanços rebeldes no oeste, enquanto o governo de Muamar Kadafi faz gestões por um cessar-fogo com a insurgência, baseado em uma iniciativa africana.
Fontes oficiais em Trípoli relataram novos ataques dos aviões da Otan sobre posições na capital, após atacarem um complexo residencial de Kadafi em Bab Aziziyah, na madrugada de segunda.

Outras posições do Exército regular em áreas estratégicas do leste do país foram alvo de incursões nas últimas horas, depois que a Itália anunciou sua decisão de contribuir com aviões de guerra para atacar diretamente os objetivos do governo.

Enquanto isso, os residentes da localidade montanhosa de Nafusa, no extremo ocidental limítrofe com a Tunísia, afirmaram que os primeiros bombardeios da Aliança Atlântica favoreceram os rebeldes, para ganhar terreno e lutar contra as forças leais ao líder líbio.

Nafusa é uma região habitada por tribos da minoria Bereber, que registrou um êxodo em massa de seus habitantes no início dos confrontos entre partidários e opositores de Kadafi há dois meses, e o posterior cerco do Exército.

Por outro lado, o ministro líbio das Relações Exteriores, Abdelati Al-Obeidi, insistiu na necessidade de encontrar uma solução para a beligerância, mas lamentou a rejeição dos insurgentes aglutinados no Conselho Nacional de Transição (CNT), conforme relatado pela televisão.

O ministro encontrou-se na segunda-feira, em Addis Abeba – capital da Etiópia e sede da União Africana (UA) – com dois representantes do CNT, sob os auspícios da organização continental, que há menos de um mês apresentou um plano de armistício que foi contestado pelos rebeldes.

Al-Obeidi e os opositores reuniram-se separadamente com funcionários do Conselho de Paz e Segurança da UA, bem como com representantes de outras organizações internacionais, para encontrar uma solução que passe pelo diálogo entre os beligerantes.

O chanceler da Líbia lembrou que Trípoli faz esforços pela paz e, nesse sentido, respaldou as iniciativas apresentadas pela Turquia, a UA, a Grécia e países latino-americanos, que reprovaram a posição do CNT, relutante em dialogar com Kadafi e exigem sua saída do país.

Os rebeldes insistem que o líder líbio deve demitir-se e sair do país com sua família, exigência que Kadafi despreza e não é uma prioridade na proposta africana, que a CNT considerou “obsoleta”.

Embora ambas as partes tenham aceitado a mediação africana, e o governo líbio afirme seguir em constante contato com outros potenciais operadores de um cessar-fogo, os combates continuam até hoje em Misratah, o principal enclave insurgente no oeste do país.

Fonte: Prensa Latina

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