Em conferência na Ásia, Socorro Gomes denuncia militarismo dos EUA

Realizou-se neste final de semana (4 e 5) em Bangladesh a conferência sobre segurança, estabilidade e progresso na região da Ásia e do Pacífico, organizada pelo Conselho da Paz de Bangladesh, organização que integra o Conselho Mundial da Paz (CMP). O encontro contou com a participação da primeira-ministra do país anfitrião, Sheik Hasina, da presidente do CMP, Socorro Gomes, e delegações da Índia, Vietnã, Nepal, Paquistão, entre outros.

Leia abaixo a íntegra do discurso da presidente do CMP:

Esta Conferência já nasce como um encontro histórico, por diversos motivos. Em primeiro lugar, pela presença da honorável primeira-ministra Sheikh Hasina, o que demonstra o real interesse de seu governo na busca pela Paz. E este é um fato que merece a atenção de todos aqueles que, em qualquer parte do mundo, clamam por Paz.

Este momento é histórico, também, pelo fato de ocorrer num contexto em que crescem as agressões do imperialismo dos Estados Unidos e de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao redor do mundo. O Norte da África, o Oriente Médio e boa parte da Ásia sofrem todos os dias novas agressões, com invasões de países, bombardeios que atingem populações civis, espalhando o terror, a morte e a destruição em todos os quadrantes.

As agressões contra a Líbia extrapolam todos os princípios de soberania e autodeterminação dos povos, com bombardeios que atingem e matam populações civis, numa sequência de atos destrutivos. A decisão inicial do Conselho de Segurança da ONU, de criar uma zona de exclusão aérea, abriu caminho para uma guerra de pilhagem, que hoje se aplica também no caso da Síria. São ações que apenas reproduzem uma política que há muito o imperialismo vem praticando naquela região. Mas não é só naquela parte do mundo.

Aqui na Ásia, persiste a presença avassaladora de tropas imperialistas no Afeganistão, com sérias agressões também ao Paquistão. A Paz não voltará a essa região enquanto não forem retiradas as tropas americanas que ali implantaram medo e terror. O controle físico desses territórios, com pesados armamentos, espalhando morte, destruição e permanente pressão psicológica não podem mais ser tolerados.

Os argumentos que as potências imperialistas usam se contradizem com suas próprias ações no continente asiático. A insidiosa aproximação dos Estados Unidos com a Índia, que envolve o desenvolvimento de armas nucleares, tem o claro objetivo de ameaçar a China, de tentar isolar esse país que, com o Vietnã e a Coreia do Norte, sustenta o socialismo como caminho para a Humanidade. E a permanente presença no Japão, onde suas inúmeras bases, explícitas e camufladas, humilham aquele povo e servem para um amplo controle militar de toda a região.
Hoje, se alguém encostar aleatoriamente o dedo sobre o mapa do mundo, por certo apontará um ponto indicador de alguma base militar das grandes potências. São tantas as instalações belicistas dos Estados Unidos e de outros membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que todos os países do mundo são vigiados e intimidados de perto a todo instante.

Também os oceanos e mares estão, todos eles, repletos de embarcações militares imperialistas, prontas a entrar em operação a qualquer momento, em qualquer lugar. São forças que se movimentam constantemente, num tenebroso e ameaçador desfile da arrogância e da prepotência. Um exemplo maior desse crescente controle é o assustador aumento da presença da marinha americana no Oceano Índico.

E no campo nuclear, que serve de justificativa para invasões e agressões, o setor tem recebido permanente incentivo do governo de Barack Obama. Não é possível hoje se dimensionar com segurança o tamanho do arsenal nuclear dos Estados Unidos. Mas é certo que se trata de uma ameaça permanente a toda a Humanidade.

Vivemos em um mundo que é como se as famílias de nossas comunidades urbanas e rurais dormissem todas as noites com um policial armado em suas portas e telhados. Pois é desta forma que as nações do mundo são tratadas, com o agravante de que esses países centrais, apesar da crise econômica instalada em 2009, aumentaram de forma assustadora os gastos com armas e ações militares em 2010 e início de 2011. Especialmente os Estados Unidos.

Segundo confirma o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), durante o pior ano desta crise econômica, que foi 2009, o governo de Washington aumentou em 7,2% seus gastos em equipamento militar. Isto significa um gasto de 661 bilhões de dólares, ou seja, 41 bilhões de dólares a mais do que no ano anterior.

A estrutura das forças armadas dos Estados Unidos, que é diferente da maioria das demais nações do mundo, facilita nos dias atuais a manutenção de suas perto de mil bases militares espalhadas pelo mundo. Há um comando fechado, mas descentralizado com tentáculos ágeis com grande autonomia de ação.

Essa estrutura é dividida de modo a confundir sua forma de ação. O United States Army é uma só força, mantendo em atividade, em março de 2011, cerca de 380 mil componentes, entre homens, mulheres e pessoal administrativo.

São gastos extraordinários com pessoal, hoje só comparáveis aos picos ocorridos na Segunda Grande Guerra e nas guerras da Coreia e do Vietnã. Os dados oficiais do Departamento de Defesa dos Estados Unidos dão conta de um contingente de cerca de 2,4 milhões de pessoas engajadas. Desse total, 1,5 milhão está em serviço militar regular, mas outros 900 mil são considerados “adicionais”. Ou seja, são mercenários empregados em ações pelo mundo afora.

Os maiores contingentes estão no Afeganistão (71 mil pessoas), Iraque (50 mil), Alemanha (53 mil), Japão (36 mil), República da Coreia (30 mil). Mas um enorme efetivo está espalhado por 135 países onde existem cerca de 850 bases das forças armadas daquele país.

Na parte aérea existe a United States Air Force, que mantém um efetivo de 40 mil homens e cerca de 2.000 aviões e helicópteros. Entretanto, essa força só cuida das atividades a partir de solo firme, ou seja, as aeronaves operadas a partir de navios porta-aviões são da Marinha.

E a Marinha, que é a mais expansiva e tentacular das três armas dos Estados Unidos, é dividida em três partes. A primeira é a US Navy, com suas amedrontadoras frotas de navios de guerra e os porta-aviões. A segunda é a Mariner Corps, que congrega forças operadas em terra a partir de apoio naval. E a terceira é a Cost Guard, com forças regulares que se confundem com as do Exército.

Toda essa estrutura é subordinada à Secretaria da Defesa, que é o próprio ministério e responde ao Departamento da Defesa, chefiado pelo próprio presidente da República estadunidense.

Apresento esses dados porque eles são importantes para vermos que o poderio bélico dos Estados Unidos e da Otan cresce a olhos vistos. E para que nos lembremos de difundi-los em nossos países, porque eles fazem real radiografia do poderio que ameaça o Planeta. E o próprio discurso oficial dessas potências é agressivo e ameaçador, contrariando a tendência mundial dos povos de buscar o fim do autoritarismo, o fim da dominação, o fim das agressões e o início de um mundo de Paz e prosperidade para todos. Uma Terceira Grande Guerra certamente representaria o fim da Humanidade.

Reunido em Havana, Cuba, nos últimos dias 29 e 30 de abril, o Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz divulgou documento em que reafirma suas posições com respeito às ameaças à Paz ao redor do mundo. Agora, aqui em Bangladesh, nesta Conferência da região Ásia-Pacífico, centramos nossas atenções nessa parte seriamente ameaçada do mundo.

É muito louvável a iniciativa do Conselho da Paz de Bangladesh, pois representa um importante esforço de aprofundamento do conhecimento de uma situação que é bastante específica, embora seja também uma reprodução do que acontece no restante do mundo. E sinaliza para a necessidade cada vez mais forte de unificarmos cada vez mais nossa luta nos diversos continentes.
Daqui sairão idéias e posições que fortalecerão nossa luta para conquistar uma nova ordem de paz e desenvolvimento.

Tenho certeza de que sairemos desta conferência muito mais fortalecidos, muito mais solidários e unidos do que quando aqui chegamos. E assim seguiremos.

Abaixo o imperialismo! Salve a Paz e a Liberdade!

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