Movimento contra bases militares discute estratégias de luta

Realizou-se na sexta-feira passada (17) em São Paulo uma reunião continental da campanha “América Latina e Caribe, uma Região de Paz: Fora Bases Militares Estrangeiras”, onde representantes de organizações sociais da América Latina, mundo árabe e países asiáticos puderam compartilhar ações realizadas em seus países e debater estratégias para fortalecer a iniciativa.

No encontro o secretário geral do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), Rubens Diniz, afirmou que nos últimos dez meses a campanha conseguiu alcançar os objetivos propostos e citou ações como a Jornada de Solidariedade a Honduras que, dentre outros atos, pretende lançar no país uma convocação para a “Assembleia Nacional Constituinte originária, participativa, inclusiva, democrática e pela refundação de Honduras”.

O membro do comitê propulsor da Coalizão Colômbia Não às Bases, Enrique Daza, chamou a atenção para a política dos Estados Unidos. “Depois do fracasso de (Barack) Obama no Brasil e no Chile, eles relançarão sua política na América Latina de alguma maneira”, disse. Ele também lembrou que os norte-americanos mantêm exercícios militares no Panamá, na região do Canal, e sugeriu que a campanha trabalhe com este tema.

Rina Bertaccini, coordenadora do Movimento pela Paz, Soberania e Solidariedade entre os Povos (Mopassol) da Argentina, falou sobre o caso das Ilhas Malvinas. “Na Argentina lutamos pela descolonização das Malvinas e denunciamos a instalação de uma fortaleza militar da Otan”, afirmou. Para ela é importante definir em cada país o conceito de base militar e a partir daí estudar estratégias de ações contra o imperialismo norte-americano.

No caso de Cuba, o presidente do Movimento Cubano pela Paz, José Ramon Rodriguez, explicou que a base militar em Guantânamo é uma ameaça ao povo. Já o peruano Guillermo Borneu fez um alerta: “O Peru não é uma apenas uma base, é uma plataforma militar dos Estados Unidos”, disse. Para ele a eleição de Ollanta Humala foi uma conquista, mas não será fácil que a presença imperialista deixe a região. “O país é uma engrenagem importante na estratégia da guerra que foi imposta pelos EUA”, declarou.

A coordenadora geral do Comitê de Familiares de Detentos Desaparecidos em Honduras (COFADH) e da Comissão da Verdade, Bertha Oliva, falou sobre a vulnerabilidade do país, principalmente depois do golpe de Estado, em 2009. “A primeira medida do governo foi assinar com os Estados Unidos a instalação de bases militares”, afirmou. Segundo ela, os direitos humanos no pais estão sendo constantemente violados.

Hegemonia norte-americana

J.K. Suleiman Rachid, da Palestina, lembrou que os norte-americanos, nos últimos 40 anos, têm feito muitas guerras para poder manter sua hegemonia e ressaltou. “Temos que pensar em diferentes formas de lutar contra as bases”, disse. Para o representante do Vietnã, Nguyen Huynh, membro do Conselho Vietnamita pela Paz, uma ação importante é explicar para o povo o que está acontecendo e compartilhar as informações dos diferentes países.

Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, finalizou as intervenções. “Neste momento acredito que o desafio maior é a luta contra a militarização imperialista que agride os povos e as nações, devemos aprofundar e ampliar a campanha contra as bases militares”, disse. Socorro agregou que esta luta está relacionada com outras duas de caráter global: pelo desmantelamento da Otan e a abolição das armas nucleares.
No final da reunião foram apresentadas estratégias de comunicação como a criação de um site e a realização de um documentário. Chegou-se à conclusão de que a campanha vai ter um formato de acordo com a realidade de cada país.

Além disso, foram propostas outras ações: priorizar o funcionamento de uma instância interna de coordenação; realizar consultas a cada 15 dias, mantendo uma dinâmica ativa de contato e compartilhamento das tarefas; estimular a realização de encontros nacionais e regionais temáticos, como forma de ir consolidando a campanha nos níveis nacional e continental; aproveitar a realização de eventos para coordenar ações da campanha em conjunto; estabelecer alguns temas e países como prioridade; editar algumas publicações especificas sobre o tema.

Érika Ceconi, da redação do Cebrapaz

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