Forças leais ao imperialismo avançam sobre capital líbia

Após um intenso bombardeio de 48 horas realizado pelo Pacto Militar do Atlântico Norte (Otan) os contrarrevolucionários líbios teriam dominado parte da capital do país, Trípoli, “sem resistência” do exército regular, que, de acordo com a mídia ocidental, teria se retirado da cidade. Integrantes do Conselho Nacional de Transição, fantoche da Otan e do imperialismo americano, fez várias declarações na noite deste domingo, afirmando que havia aprisionado vários filhos do presidente do país, Muamar Kadafi, assim como sua esposa mais velha, Fadhia.

Os ataques da Otan mataram 1.600 pessoas nas últimas 24 horas, de acordo com as próprias forças amotinadas. A capital líbia sofre forte desabastecimento de água, comida e energia desde o início da agressão estrangeira contra o país.

“Trata-se do último capítulo do fim do regime”, disse, a partir da Túnisa, o pretenso “ministro da Justiça” do Conselho Nacional de Transição, Mohammed al-Alaqi. O contrarrevolucionário, supostamente um dos integrantes do grupo Irmandade Muçulmana da Líbia, afirmou que “entre as pessoas sob proteção dos rebeldes está Fadhia, mãe de Mohammed Kadafi”, o filho mais velho de Kadafi, e que também teria sido detido pelos contrarrevolucionários.

Perguntado sobre as mortes de civis nas últimas 24 horas, Al-Alaqi não disse nada de novo, atribuindo as mortes a disparos e bombardeios aleatórios “das forças de Kadafi”.

Segundo o fantoche das forças ocidentais, Kadafi estaria negociando diretamente com os agressores, que invadiram a capital no sábado, por um cessar-fogo. Segundo o Conselho de Transição – que fez reavivar a velha bandeira da monarquia absolutista líbia, com as três cores e o crescente branco – a pausa na agressão só acontecerá se Kadafi deixar o país.

Emissoras de televisão e agências internacionais noticiam que dois filhos de Kadafi foram capturados e um terceiro se rendeu, assim como a guarda pessoal do coronel. Segundo números oficiais, mais de 1,6 mil pessoas morreram nos conflitos das últimas 24 horas.

Conflito na fronteira

A delegação de ativistas e deputados brasileiros que se encontra na fronteira do país, impedida de ultrapassar a linha que divide a Tunísia e a Líbia, relatou que as forças armadas da Tunísia estão se preparando para a possibilidade de um conflito com as forças líbias.

Segundo o deputado Protógenes Queiros (PCdoB-SP), “um senhor Líbio, Mohamed Hassan, mercador de alimentos na fronteira com a Tunísia, afirmou que os caminhões e tanques que encontramos na estrada estão de prontidão na fronteira para evitar que o conflito entre na Tunísia”.

Protógenes cita a tomada da embaixada na Tunísia como um indício de que a hipótese do conflito é real, “pois a embaixada da Líbia na Tunísia foi tomada pelos rebeldes, o que pode agravar ainda mais a guerra”.

“A situação em Trípoli é de desabastecimento total de alimento e combustível. Os bombardeios aéreos da OTAN acontecem toda a noite, mas, pelo que me informaram, a tomada da cidade pelos rebeldes não será fácil e com certeza sangrenta”, acreditava Protógenes na manhã de sábado.

“Na cidade de Djerba avistei um avião do governo venezuelano esperando seis membros da família Kadafi para serem asilados. A posição de Kadafi é de resistir até a morte”, informou o deputado federal do PCdoB de São Paulo.

Há quinze dias a ofensiva contra o governo líbio vivia um impasse, com fortes indícios de desagregação da liderança contrarrevolucionária. O principal dirigente do “governo” instalado em Bengazi foi sequestrado e morto, em circunstâncias misteriosas.

Tratava-se de Fatah Iunes, um ex-integrante do governo líbio que desertou semanas depois do início do motim militar que levou o país a uma guerra civil. O caso aparentemente foi um “golpe de estado” dentro do Conselho Nacional de Transição.

Durante a semana passada, notícias de que os contrarrevolucionários estariam dominando áreas próximas à capital do país foram sendo disseminadas pela mídia, culminando com a ação de bombardeio da Otan, sobre uma cidade que já não mais possuía estrutura para resistir a um assédio incessante.

Apesar da aparente vitória das forças leais ao imperialismo, os agressores devem ter em consideração que trataram com forças que diziam combater, como membros da Al-Qaida lutando ombro a ombro com os contrarrevolucionários. Por sua vez, caso os contrarrevolucionários conquistem a vitória, como tudo indica nas últimas horas, deve emergir fortalecido da luta o grupo religioso Irmandade Muçulmana, que promete imprimir um forte teor religioso ao novo governo, que será indubitavelmente submisso aos interesses do imperialismo.

Os acontecimentos posteriores à “Revolta Árabe”, que atravessou o mundo árabe do oeste para o leste, têm demonstrado que o imperialismo aceitou se desfazer de alguns dos seus fantoches, mas reluta em aceitar uma transição política que conduza a uma verdadeira independência desses países. Como exemplo, há que se lembrar a cruel repressão imposta pelos regimes mais submissos aos Estados Unidos, como a Arábia Saudita, Iêmen e Barein.

Terror nas ruas

Sanções impostas contra a Líbia, sob o pretexto de forçar a derrubada do presidente do país, serviram fundamentalmente para atingir a população civil, que se vê privada da ajuda humanitária. Em muitas zonas urbanas e rurais da Líbia – bombardeada sem descanso – são evidentes as carências, afirmou na semana passada o chefe das missões do Comitê Internacional da Cruz Vermelho (CICR) no Norte e Oeste da África, Boris Michel.

Outros perigos semeados pelo Pacto Militar são as bombas que não explodiram ainda e que estão espalhadas no solo, lembrou o responsável da Cruz Vermelha, para quem os castigos impostos pelas Nações Unidas contra a Líbia são incompatíveis com o direito internacional.

“As sanções incluem mecanismos de exceção para a ajuda humanitária”, disse, “mas essas exceções, na prática, não foram observadas”, frisou.

Para ilustrar como é a política criminosa contra o povo, Michel falou do caso do material médico. A Líbia depende quase totalmente da importação de medicamentos e material médico. Com a guerra, muitas empresas abandonaram o país, paralisando a importação daqueles bens, provocando a quebra dos estoques existentes, com consequências graves na proliferação de doenças, explicou Michel.

Faltam igualmente motores para captação hídrica e geradores de energia elétrica, o que provoca dificuldades no abastecimento de água e na alimentação de equipamentos absolutamente essenciais não apenas à qualidade de vida, mas, sobretudo, à sua manutenção, caso dos hospitais.

Desde o passado dia 31 de março, a Otan já efetuou mais de 18.500 incursões aéreas, 7 mil das quais foram bombardeios. Pelo menos 1.200 civis líbios foram assassinados pela coligação imperialista antes do bombardeio iniciado na sexta-feira (19), e milhares de outros resultaram feridos.

É vergonhoso que certas personalidades e forças políticas, pretensamente de esquerda, argumentem a favor de uma “intervenção” imperialista para que se destrone um pretenso ditador, em nome de uma “democracia” importada e gestada na barriga do império, como a que viceja hoje nas terras do Iraque e do Afeganistão, que lamentam os milhares que perderam a vida com essas “intervenções”.

Por Humberto Alencar,
de São Paulo.

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