CMP leva mensagem de paz à República Dominicana

Amigos da Paz
Companheiros

É uma honra estar aqui na República Dominicana, berço das Américas dos nossos dias. Trago a mensagem do Conselho Mundial da Paz num momento que podemos considerar histórico, muito importante para a América Latina e o Caribe. As conquistas na luta anti-imperialista nessa região têm sido marcantes, a começar pela decisão de nações que têm escolhido governantes com uma postura altiva, em defesa da soberania dos povos.

Este solo dominicano tem a marca da dominação. Foi a porteira do colonialismo e sempre viveu nas barbas do imperialismo. A localização geográfica, numa confluência intercontinental, fez de parte do mundo um alvo cobiçado pelas forças dominadoras desde as primeiras investidas do colonialismo europeu, que ainda se faz presente em muitos pontos da região. E tornou-se vítima da ganância imperialista dos Estados Unidos, que ronda permanentemente os mares do Caribe.

Mas nos tempos atuais cresce em toda a região a consciência de que a maior parte das Américas tem vocação para a Paz. E o Conselho Mundial é testemunho disso, pois desde o seu surgimento, ainda na década de 1940, quando o mundo acabava de presenciar o holocausto de Hiroshima e Nagasaki, a campanha pela Paz teve enorme apoio nesse Continente.

No plano mundial e nos nacionais, o Conselho e as entidades locais carregam a história de mais de 60 anos de lutas contra a dominação dos povos e a hegemonia das forças imperialistas, que ampliam cada vez mais seu poderio militar e sua voracidade pelo controle dos recursos naturais ao redor do mundo.

Já naqueles primeiros anos de existência do Conselho, enormes campanhas mundiais pregavam a destruição das armas atômicas e a imediata paralisação de todos os projetos no campo nuclear para fins militares. Uma ampla mobilização popular se juntou à ação de artistas e intelectuais do mundo inteiro, que realizaram congressos em países da Europa Ocidental e do Leste Europeu. Foi, pois, como fruto de amplo processo de mobilização popular que nasceu o Conselho Mundial da Paz.

Mas temos um longo caminho pela frente. Ainda hoje, a pressão do imperialismo traz instabilidade e até provoca conflitos também nesta parte do mundo. A militarização imposta pelos Estados Unidos e seus aliados, por terra, mar e ar, gera insegurança e é uma ameaça constante à nossa soberania.

Por outro lado, contudo, cresce a luta e pela integração dos povos do mundo inteiro no rumo de um objetivo comum, que é a autodeterminação, a soberania plena dos países para o progresso da humanidade. A integração solidária progressista joga nisso um importante papel. Todos sabem, porém, que essa tarefa não fácil. Mas temos certeza de ela é possível.

A incessante luta pela Paz no mundo tem mobilizado gente de todos os quadrantes do Planeta. Vemos isso nos eventos internacionais, que se repetem num volume crescente e reforçam, dia após dia, a consciência de que as novas gerações só conseguirão um futuro de progresso e justiça se conseguirmos a Paz.

O próprio povo dos Estados Unidos rejeita o belicismo desenvolvido por seus governos. A conferência de Seatle foi um momento exemplar, mas no cotidiano daquele país há mais e mais manifestações em defesa dos direitos humanos e da Paz. O mesmo ocorre na Europa, onde cresce a olhos vistos o movimento por um mundo melhor, resistindo aos ataques aos direitos dos trabalhadores, que são partes do direito à Paz.

Ano após ano, o Fórum Social Mundial avança no sentido de aparar diferenças e fazer com que o movimento popular cresça no, mundo inteiro, no caminho da justiça, soberania e da Paz.
Por todas essas razões é que estamos aqui, agora. Sairemos daqui, uma vez mais, com propostas concretas de ações que nos levem a cumprir o objetivo de um mundo diferente, de um mundo melhor. Disso eu tenho certeza.

Vivemos em um contexto em que crescem as agressões do imperialismo dos Estados Unidos e de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ao redor do mundo. O Norte da África, o Oriente Médio e boa parte da Ásia e das Américas sofrem todos os dias novas agressões, com invasões de países, bombardeios atingindo populações civis, espalhando o terror, a morte e a destruição em todos os quadrantes.

A ocupação da Líbia, que extrapola todos os princípios de soberania e autodeterminação dos povos, com bombardeios que atingiram e mataram populações civis, numa ciranda de horror e crimes contra a Humanidade.

A decisão inicial do Conselho de Segurança da ONU, de criar uma zona de exclusão aérea na Líbia, apenas abriu caminho para uma guerra de pilhagem, que se aplica também no caso da Síria. São ações que apenas reproduzem uma política que há muito o imperialismo vem praticando naquela região, de controle de territórios e de recursos naturais. Mas não é só naquela parte do mundo.

Na Ásia, persiste a presença avassaladora no Afganistão, com sérias agressões também ao Paquistão. A Paz não voltará a essa região enquanto não forem retiradas as tropas estadunidenses e de seus aliados que ali implantaram medo e terror. O controle físico desses territórios, com pesados armamentos, espalhando morte, destruição e permanente pressão psicológica não podem mais ser tolerados.

Falam em defesa de civis quando destroem países e assassinam milhares de civis como no Iraque, Afganistão e Paquistão, e sustentam o genocida estado sionista de Israel contra o povo palestino. E usam a mídia para impregnar a idéia de que estão fazendo o bem. Mas fazem o bem do império, apenas.

Os maiores crimes contra a humanidade foram cometidos pelos EUA com o uso de armas atômicas e químicas, mas nunca foram punidos. O povo do Vietnã, por exemplo, sofre até hoje as consequências do lançamento do agente laranja e do napalm sobre populações civis.

Hoje, se alguém encostar o dedo sobre em qualquer parte do mapa do mundo, por certo indicará alguma base militar das grandes potências. São tantas as instalações belicistas dos Estados Unidos (EUA) e de outros membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que todos os países do mundo são vigiados e intimidados de perto a todo instante.

Também os oceanos e mares estão, todos eles, e em especial aqui no Caribe, repletos de embarcações militares imperialistas, prontas a entrar em operação a qualquer momento, em qualquer lugar. São forças que se movimentam constantemente, num tenebroso e ameaçador desfile da arrogância e da prepotência. Um exemplo maior desse crescente controle é o assustador aumento da presença da marinha americana no Oceano Índico.

E no campo nuclear, que serve de justificativa para invasões e agressões, o setor tem recebido permanente incentivo do governo de Barack Obama. Não é possível hoje se dimensionar com segurança o tamanho do arsenal nuclear dos Estados Unidos. Mas é certo que se trata de uma ameaça permanente a toda a Humanidade.

As armas nucleares, que são fundamentais na atual corrida armamentista, são uma ameaça muito maior do que as mudanças climáticas que assombram o mundo. Se fosse detonada uma mínima parcela das 23 mil ogivas atômicas armazenadas, a humanidade seria extinta. A resolução da Assembléia-Geral da ONU, de janeiro de 1946, que determina a eliminação das armas nucleares jamais foi cumprida pelos Estados Unidos e seus aliados, que inclui o estado de Israel, o único no Oriente Médio que tem bombas atômicas

É fato que ainda hoje vivemos em um mundo que é como se as famílias de nossas comunidades urbanas e rurais dormissem todas as noites com um policial armado em suas portas e telhados. Pois é desta forma que as nações do mundo são tratadas, com o agravante de que esses países centrais, apesar da crise econômica instalada em 2009, aumentaram de forma assustadora os gastos com armas e ações militares em 2010 e início de 2011. Especialmente os Estados Unidos.

São gastos extraordinários com pessoal, hoje só comparáveis aos picos ocorridos na Segunda Grande Guerra e nas guerras da Coréia e do Vietnã. Os dados oficiais do Departamento de Defesa dos Estados Unidos dão conta de um contingente de cerca de 2,4 milhões de pessoas engajadas. Desse total, 1,5 milhão está em serviço militar regular, mas outros 900 mil são considerados “adicionais”. Ou seja, são mercenários empregados em ações pelo mundo afora.

Na parte aérea existe a United States Air Force, que mantém um efetivo de 40 mil homens e cerca de 2.000 aviões e helicópteros. Entretanto, essa força só cuida das atividades a partir de solo firme, ou seja, as aeronaves operadas a partir de navios porta-aviões são da Marinha. E a Marinha, que é a mais expansiva e tentacular das três armas dos Estados Unidos.

É condição fundamental para a própria sobrevivência da Humanidade e desmonte da máquina de horrores e destruição, assim é que o Conselho Mundial da Paz tem promovido e apoiado campanhas pelo desmantelamento da OTAN, pelo desmonte das bases militares estrangeiras nos países em todo o mundo, a começar pela de Guantânamo, em Cuba, um verdadeiro campo de concentração, bem como pela destruição total das armas nucleares.

Também é urgente a retirada do boicote econômico a Cuba, agora aplicado também em outros países, como a Venezuela. Da mesma forma, devem ser colocados em liberdade os cinco patriotas cubanos presos e maltratados nos Estados Unidos por lutarem contra o terrorismo.

A Humanidade não pode mais conviver com as ameaças e o terrorismo contra povos e nações que é inerente à natureza imperialista. Uma Terceira Guerra Mundial certamente significaria o fim da Humanidade.

O Conselho Mundial da Paz para a necessidade cada vez mais forte de unificarmos nossa luta nos diversos continentes. Daqui, da República Dominicana, com certeza sairão novas idéias e posições que fortalecerão nossa luta em busca de uma nova ordem mundial, para um desenvolvimento com Paz e sustentabilidade.

Muito obrigada!

Setembro de 2011
Socorro Gomes
Presidente do Conselho Mundial da Paz 

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