Ativistas encerram Encontro de Solidariedade com compromissos e demandas

De 17 a 20 de fevereiro, Tocoa, em Bajo Aguán (Honduras) foi palco do Encontro Internacional pelos Direitos Humanos em Solidariedade Com Honduras. O evento reuniu mais de mil pessoas entre ativistas da América Latina, Europa, Estados Unidos e Austrália, e recebeu o apoio e a solidariedade de centenas de organizações de todo o continente.

Durante quatro dias foi possível participar de eventos de discussão, denúncia, intercâmbio, debates e propostas.  

Os participantes do Encontro fizeram a muitas mãos a Declaração final com demandas, denúncias e tarefas que precisam ser cumpridas. Eles recordaram os homens e mulheres que deram a vida lutando pela justiça e os homenagearam. Meninos e meninas também foram lembrados. A favor da vida e do futuro dos pequenos, os e as ativistas se comprometeram a seguir lutando pela infância deste país e do mundo. Da mesma maneira, as mulheres foram citadas como pessoas que necessitam ter suas demandas fortalecidas, sobretudo as referentes à luta contra todas as formas de violência e agressão contra as mulheres por serem mulheres.  

Durante o evento também denunciaram ao mundo a intensa violação de direitos humanos em Honduras, que piorou depois do Golpe de Estado de 28 de junho de 2009. Ate hoje, ativistas, a população hondurenha sofre com os “assassinatos, perseguições, criminalização de ações organizativas, sequestros, agressões sexuais contra as mulheres, climas de terror intencionado contra meninas e meninos que vivem nos assentamentos e comunidades campesinas em luta, atentados contra meios de comunicação popular, encarceramento, exílio e ultimamente atentados com fogo contra várias populações do país”.  

Na cidade a situação é difícil, mas no campo é pior. Por isso, de maneira particular denunciam as ameaças contra campesinos/as, as tentativas de desocupação da comunidade de Rigores, a crescente militarização em que vive a comunidade Guadalupe Carney e os inúmeros assassinatos de pessoas que lutam para defender suas terras. Em Bajo Aguan e em muitos lugares de Honduras, os declarantes asseguram que um dos responsáveis por estes problemas se chama Miguel Facussé Barjum.   A Assembleia do evento definiu como objetivos continuar lutando e exigir uma solução definitiva ao conflito agrário em Bajo Aguan sem negociações indignas de compra e venda de terra; a desmilitarização total e imediata da zona de Aguán e de todo o território nacional; prisão e castigo para os assassinos e agressores do povo hondurenho; e investigação imediata e castigo aos responsáveis pelas matanças contra os presos em Comayagua.  

Penando nos problemas de outros povos do mundo, reivindicam a liberdade dos Cinco [cubanos presos nos Estados Unidos acusados de terrorismo]; a saída das tropas militares do Haiti; apoiam a luta pela terra dos povos indígenas e dos/as campesinos/as em toda a Mesoamérica e em toda Abya Yala e se comprometem a fortalecer a solidariedade com todos os povos apoiando o evento internacional que se realizará no Haiti, no próximo mês de julho, onde as jornadas continuam.   Na Declaração do Encontro também há acordos firmados em plenária, que dizem respeito a Criar o dia internacional de solidariedade com o povo hondurenho, que seja no dia 28 de junho; criar condições em cada um dos países para os refugiados e refugiadas hondurenhas; fortalecer o Observatório Permanente d Direitos Humanos do Aguan; criar uma cadeia internacional de rádios comunitárias para denunciar as violações de DH, entre outros.

Natasha Pitts
Jornalista da Adital

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