José Reinaldo Carvalho: G8 e Otan entre falsidades e novas ameaças aos povos

Os líderes do G8 realizaram no último sábado (19) sua reunião de cúpula, em Camp David, nos Estados Unidos. Muito ruído tem sido feito em torno desta reunião de países imperialistas. Os que fazem apologia desse império apresentam as conclusões do seu conclave como se dele fossem resultar medidas positivas para os povos do mundo.

Por José Reinaldo Carvalho*

Ainda mais que convenientemente, os temas em debate do G8 são apresentados de maneira superficial e até falsa, como se estivessem na mesa posições antagônicas entre as potências imperialistas quanto às soluções para a crise econômica e financeira. É como se o G8 tivesse o condão de resolver o impasse e fabricar uma receita desenvolvimentista diante da disjuntiva recessão ou crescimento.

Muito se falou também da aliança entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e o recém empossado presidente francês, François Hollande, em posição oposta à da Chanceler alemã, Angela Merkel em questões conjunturais. Hollande chegou ao poder porque o povo francês já não suportava os efeitos das políticas antipopulares do ex-presidente Sarkozy e comprometeu-se com a realização de mudanças. Leve-se em conta que a eleição foi fortemente marcada pela campanha da Frente de Esquerda, de oposição radical às políticas vigentes na União Europeia.

Mas as contradições no quadro da União Europeia e do G8, nos termos e alinhamentos que se manifestaram são de natureza interimperialista, não significam que uma parte tenha tomado partido dos povos e trabalhadores. O que está em jogo é a busca desesperada para encontrar salvação ao sistema capitalista e perpetuar a espoliação dos trabalhadores e povos.

O problema não é se haverá ou não crescimento, estabilidade e confiança, como se ressalta no comunicado da reunião de Camp David . Para os povos a questão essencial é saber se prosseguirão ou não as políticas conservadoras e neoliberais que atentam contra os direitos sociais dos trabalhadores. Para os povos, não interessam políticas econômicas tecnocráticas. O crescimento e o desenvolvimento só fazem sentido se vinculados ao progresso social. Por isso, as soluções no terreno econômico estão ligadas a rupturas políticas que advirão das lutas políticas e sociais dos povos.

Os potentados reunidos em Camp David discutiram também sobre a crise na Síria e as questões nucleares do Irã e Coreia do Norte. Ameaças de intervenção e sanções foram a tônica da mensagem que transmitiram.

Para completar o cenário de movimentações dos países imperialistas, outro acontecimento de grande importância na esfera geopolítica e militar foi a reunião da Organização do Tratado do Atlânico Norte – Otan, em Chicago. A Otan é um pacto militar agressivo que age para assegurar os interesses das grandes potências, nomeadamente os EUA e seus parceiros da União Europeia. Toda vez que este organismo se reúne, aumentam as tensões e os perigos de ações militaristas e belicistas contra os povos.

*Editor do Vermelho

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