Organizações sociais de 19 países discutem o Brics em Moscou

Organizações de 19 países emergentes (Rússia, China, Brasil, Índia, África do Sul, Argélia, Argentina, Egito, Indonésia, Irã, Cazaquistão, Quirguistão, Lituânia, Mongólia, Nigéria, Tajiquistão, Turquia, Vietnã e Uzbequistão) participaram em Moscou nos dias 4 e 5, de um encontro promovido pela Federação Internacional pela Paz e Conciliação, entidade sucessora do antigo Comitê Soviético pela paz.

O encontro, de dois dias, contou com a participação de uma delegação do Cebrapaz, liderada pela presidente nacional da entidade, Socorro Gomes, e composta ainda por Thomas Toledo e Wevergton Brito, membros da direção nacional.

Clima frio, debate quente

A temperatura média por volta de 10 graus abaixo de zero não impediu que diferentes opiniões expressassem suas visões sobre o Brics e seu papel no mundo. Uma das primeiras a falar, Socorro Gomes iniciou sua intervenção caracterizando o Brics como “um agrupamento no qual cinco grandes nações de quatro continentes, com povos culturalmente diversos e economias em desenvolvimento, num quadro internacional marcado por crises, instabilidade, ameaças de guerra e contradições geopolíticas, compartilham diálogos e convergem opiniões na busca de cooperação para um mundo mais justo, pacífico e solidário.”

Depois de discorrer sobre os desafios das nações da América do Sul e do Caribe, Socorro denunciou que “a situação internacional atual é marcada por conflitos, intervenções militares, violações dos direitos das nações e povos, ofensiva generalizada do imperialismo para saquear as riquezas nacionais daqueles, atropelos ao direito internacional, tudo com o objetivo das potências imperialistas de impor sua hegemonia no mundo. Os países do Brics, na medida em que sejam dirigidos por forças políticas voltadas para outros objetivos, podem ajudar a construir uma nova ordem internacional, onde haja respeito pleno à soberania e à autodeterminação dos povos, cooperação, desenvolvimento e paz”.

Os demais membros da delegação do Cebrapaz também intervieram, sustentando que estamos caminhando para um mundo multipolar, mas que existem constantes violações ao direito internacional, quase todas cometidas pelo imperialismo estadunidense, e os Brics não ignoram esta realidade, contribuindo para um ambiente internacional mais plural e democrático.

Depois de um encontro com estudantes da Universidade de Moscou (encontro onde Socorro Gomes foi uma das palestrantes) foi realizada, na Duma Estatal (o parlamento nacional russo) uma reunião com um representante do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa. Como que confirmando os pontos principais da análise do Cebrapaz, o representante do governo Putin afirmou, entre outras coisas, que “após o fracasso do neoliberalismo e o advento da crise do capitalismo, que é uma crise sistêmica, os Estados Unidos têm mais dificuldades de sustentar o papel de gendarme de um mundo unipolar, apesar de sua condição de maior potência econômica e militar, o que abre caminho para uma ordem internacional mais justa e democrática, sendo o Brics um instrumento para acelerar a construção de um mundo multipolar.”

O documento final, que será divulgado brevemente pela entidade anfitriã, abordará a necessidade de fortalecer os laços econômicos, políticos e culturais entre os países do Brics, tendo como agentes importantes neste processo as organizações da sociedade civil de cada país. Além disso, defenderá o direito do Irã desenvolver a energia nuclear para fins pacíficos e a existência de um Estado palestino soberano (proposta do Cebrapaz), entre outros temas que dão uma conformação progressista ao exitoso encontro de Moscou.

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