“Feira da Morte” promove militarização internacional e indústria bélica israelense

A Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa (“Laad Security 2014”) acontece no Rio de Janeiro, neste ano, organizada pela Clarion Events, que se dedica a eventos de defesa e segurança, para o encontro entre governos e a indústria do setor, com a promoção de grandes corporações do complexo industrial-militar internacional. Traduz, na prática, a militarização da política internacional e a falta de transparência nos assuntos de Defesa, em que o imperialismo sempre consegue vantagem, na promoção da guerra.

O Cebrapaz soma-se a diversas outras entidades e movimentos anti-imperialistas na denúncia à realização da feira, que conta com a participação de nove empresas israelenses ligadas à repressão dos palestinos, sujeitos aos experimentos de novos armamentos. O apelo aos governos participantes no evento é pelo boicote à “indústria da repressão e da ocupação”, promovida nesta que ficou denominada de “Feira da Morte.”

 

A Clarion Events também organiza a “Laad Defence & Security”, que reúne companhias internacionais especializadas no fornecimento de equipamentos, serviços e tecnologia às Forças Armadas, Polícia e Forças Especiais, Serviços de Segurança, consultores e agências governamentais. Esta feira também acontecerá no Rio de Janeiro, em 14 e 15 de abril de 2015, de acordo com a página oficial da organização.

Os dois eventos são objeto do protesto internacional pelo seu escopo abrangente dos negócios obscuros, antidemocráticos e de guerra determinados pelos governos e as grandes corporações. O chamado complexo-industrial militar encontra nestes eventos a sua expressão institucional e propagandística, fortalecendo a influência das grandes corporações dedicadas ao setor sobre os governos e as suas decisões relativas à guerra e à segurança – aqui entendida apenas em termos militares –, nacional e internacional.

O movimento palestino de Boicotes, Desinvestimentos e Sanções (BDS), que ganhou expressão internacional, foi um dos grandes responsáveis por colocar as feiras Laad no mapa dos movimentos anti-imperialistas em todo o mundo, com protestos contrários aos negócios efetuados entre diversos governos e as grandes empresas militares israelenses participantes do evento.

No caso do Brasil, recentes acordos de Defesa entre o país e Israel levaram os movimentos solidários à causa palestina a exigirem uma posição diferente, que resguarde o povo palestino da repressão israelense e responsabilize o governo colonialista de Israel pelas violações massivas dos direitos humanos e do direito internacional humanitário em frequência diária.

São várias as denúncias, inclusive entre ex-combatentes israelenses, sobre o teste de novos armamentos contra os palestinos. Os exemplos são diversos, mas chegaram a ser documentados pela Organização das Nações Unidas (ONU) no caso da Operação Chumbo Fundido, que as Forças Armadas israelenses impuseram contra a Faixa de Gaza, entre o fim de 2008 e o início de 2009, onde mais de 1.400 palestinos foram mortos.

Na feira deste ano, a empresa israelense Rafael, que se apresenta como “líder no desenvolvimento de armas e outras tecnologias relacionadas,” apresenta sistemas integrados de segurança para a proteção de infraestruturas, fronteiras e cidades; um sistema de estacionamento de armamentos e de comunicação; sistemas de detecção de ataques e outros relacionados. Entretanto, seu grande show costuma ser realizado na Laad Defence & Security, quando apresenta equipamentos militares mais pesados.

A Rafael é responsável pelo desenvolvimento do sistema de mísseis Iron Dome (“Cúpula de Ferro”), coproduzido com os Estados Unidos. Em 2013, a empresa somou US$ 4,1 bilhões (R$ 9 bilhões) em encomendas para as atividades de dois anos de vendas, de acordo com o seu balanço oficial. Destes pedidos, 65% serão destinados à exportação para muitos países na América Latina, para os Estados Unidos e a Ásia.

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Outras empresas presentes no evento, responsáveis por negócios bilionários com governos, no setor militar e de segurança, incluem a FAB Defence, que fabrica equipamentos e produz armas para as Forças Armadas israelenses, e o Israel Export Institute, instituto governamental para as exportações, para a facilitação dos negócios internacionais no setor.

Além disso, também participam a AEL Sistemas e a Ares, duas subsidiárias brasileiras da Elbit – uma das 12 empresas israelense que têm atuado na construção de um muro de segregação projetado para ter 800 quilômetros, dos quais cerca de 700km já estão prontos, e que produz os VANT (veículos aéreos não tripulados).

O boicote às empresas militares e à política do governo israelense de ocupação dos territórios palestinos, através da repressão violenta, da construção do muro, dos ataques e das políticas de “segurança” estabelecidas pela segregação institucionalizada – que impõe um regime militar sobre palestinos e um civil sobre os israelenses que vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Leste, territórios palestinos – é uma reivindicação que ganha cada vez mais força, não só entre os movimentos de solidariedade ao povo palestino, mas também entre governos.

O Cebrapaz empenha-se nesta luta pela denúncia à ocupação dos territórios palestinos e à repressão exercida pelas forças israelenses sobre o povo palestino, viabilizada pelo desenvolvimento tecnológico do setor militar e a sua indústria bélica, que retira seus lucros da opressão sistemática e violenta dos palestinos.

Neste sentido, a denúncia aos eventos e acordos que promovem as grandes companhias militares, em sua relação estreita com os governos – e, assim, seu papel na promoção das agressões e dos regimes repressivos – é essencial na campanha internacional contra o imperialismo, a militarização, a falta de transparência dos setores de Defesa e contra a sua ligação com a opressão de povos inteiros, como o palestino. 

 

 

 

 

  

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