Socorro Gomes: Sírios resistem ao imperialismo e realizam eleições

A Síria realiza eleições presidenciais no território nacional, enquanto seu povo resiste heroicamente à agressão, sustentada há mais de três anos pelos Estados Unidos, por seus aliados europeus e por monarquias árabes. O respaldo criminoso a grupos paramilitares e extremistas mergulhou o país na violência disseminada e no terrorismo, através da “guerra por procuração” imperialista, mas as forças sírias continuam lutando.

As autoridades sírias têm reafirmado a proteção à Constituição nacional para a realização das votações, previstas por lei, e garantem o acompanhamento do processo para, enquanto afirmam a soberania popular e o seu direito civil e político, mostrarem o ambiente em que se realiza o esforço, apesar dos desafios fundamentais enfrentados.

Apesar das manifestações contrárias no seio da chamada “comunidade internacional” – pelos Estados Unidos, por seus aliados europeus e até pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon – o governo sírio pretende ouvir a opinião do povo, que é quem deve escolher o seu destino. As eleições são um processo democrático em que a população exerce seu direito eleitoral, e não pode ser apresentada, pelas vozes internacionais contrárias, como “comprometedora” das negociações impulsionadas a duras penas pela Rússia, China e outros amigos do povo sírio, com a chamada oposição, sedeada no exterior.

Reunião de parlamentares, indivíduos e representantes de organizações não governamentais internacionais que participaram da observação eleitoral. 

A Síria tem apresentado reiteradamente seu compromisso com a superação destes anos de desestabilização e violência disseminada, com a assinatura da convenção contra armas químicas – após um episódio farsante que serviria para o imperialismo continuar acusando o governo do presidente Bashar al-Assad por crimes hediondos que, na realidade, foram cometidos por seus próprios mercenários – e com o empenho pela diplomacia, nas diferentes rodadas de negociações só realizadas devido à atuação da Rússia, que impediu a iminente agressão militar promovida pelos EUA, pelo Reino Unido, pela França, a Arábia Saudita e a Turquia, principalmente.

O povo sírio conta com diversos aliados empenhados na defesa da sua soberania contra a agressão imperialista, como o Conselho Mundial da Paz, que tem reiterado com frequência a sua solidariedade na luta contra o terrorismo e a ingerência externa. Embora os danos dos mais de três anos de confrontos sejam visíveis pelo país, com efeitos dramáticos para o povo, a Síria avança, resiste e mostra sua determinação na luta contra os efeitos dessa ingerência sistemática que sustenta a violência alastrada não só em território nacional, mas já em toda a região.

Neste contexto de celebração das eleições, parecem longínquos os meses de tensão pelos quais se arrastou a promoção ativa, pelo presidente Barack Obama e seus aliados europeus, François Hollande e David Cameron, de uma intervenção militar contra a Síria. Impedidos por seus Legislativos e por protestos civis de tomarem parte ativa na agressão, Hollande e Cameron acabaram por abandonar, ao menos no plano da ação, o projeto estadunidense. Além disso, Obama viu-se pressionado pela atuação da Rússia e da China em sentido contrário ao da intervenção.

Ainda insistindo na ideia, porém, os EUA e outros países europeus, assim como as monarquias árabes envolvidas na guerra que se deflagrou contra a Síria, ignoram deliberadamente a ênfase do governo sírio à necessidade de combate ao terrorismo que se alastrou pela região, não apenas com o respaldo destes países, mas também já sem o seu controle. Pois esta é uma história que se repete, em que o imperialismo arma e financia seus mercenários e os grupos extremistas já organizados para um determinado fim, mas em seguida, quando pensa ter conquistado objetivos como o da derrubada dos governos que não seguem sua agenda, faz o movimento contrário, com o investimento em novas guerras contra esses próprios grupos que antes financiou.

A instabilidade que domina a região hoje é comprovadamente determinada pelas articulações estadunidenses, através da sua aliança inabalável com o sionismo e o Estado agressivo de Israel, assim como com as monarquias autocráticas da região.

Na Síria, assim como no Líbano, as tensões sectárias intensificaram-se. A manipulação da informação, o envio de mercenários, de armas e de extremistas religiosos são estratégias já comprovadas, mas ficaram ainda mais evidentes com a agressividade dos discursos de Obama, dos chefes de Estado do Reino Unido, da França, de representantes da monarquia saudita e do sionismo.

No sentido contrário e em gestos diplomáticos, a Síria ratificou a Convenção para a proibição das Armas Químicas, convidou inspetores internacionais para conduzirem a destruição do seu arsenal e da capacidade de produção de armas químicas e continuou instando a oposição a sentar-se à mesa de negociações. Enquanto isso, os paramilitares e terroristas sofrem sucessivas derrotas, com o avanço vitorioso do Exército sírio na recuperação de territórios por eles tomados à custa do sofrimento do povo, da sua expulsão e da sua morte.

Ao imperialismo não importa que as nações vitimadas por suas políticas desapareçam, destroçadas pelas guerras de agressão e por monstruosos crimes, como ocorreu com a antiga Iugoslávia, com o Iraque, o Afeganistão e a Líbia.

Os Estados Unidos ainda buscam o “redesenho do Oriente Médio”, na promoção de uma política externa retrógrada e caricata de domínio mundial, para o que fomentam e instrumentalizam conflitos étnicos e religiosos, montam redes de espionagem e de mercenários para criar o caos, fragilizar Estados e governos e, com o apoio da grande mídia, criar uma rede de desinformação. O povo sírio tem demonstrado grande valentia e coragem na defesa de sua autodeterminação, constituindo exemplo e esperança para os povos em luta.

Devemos intensificar nossos esforços em defesa da paz e na oposição à guerra, manifestar incondicionalmente nossa solidariedade ao povo sírio e apoiá-los na realização dos seus direitos mais fundamentais: o direito à soberania nacional e à autodeterminação livre da ingerência externa, neste momento traduzido na realização das eleições.

Cabe a todos os governos que têm compromisso com a paz condenarem as forças que ainda promovem a agressão à Síria e exigirem o respeito à diplomacia, à soberania, à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional.

Por Socorro Gomes, presidenta do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz (CMP).

*Este artigo contou com a colaboração de Moara Crivelente, jornalista do Portal Vermelho e membro do Cebrapaz.

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