Israel envia tanques à fronteira de Gaza e ataca na Cisjordânia

A violência de Israel contra a Palestina ocupada continua se intensificando. Nesta quinta-feira (3), o governo israelense mobilizou tropas e tanques na fronteira com a Faixa de Gaza, alvo de repetidos ataques aéreos, e também pela Cisjordânia, onde as incursões militares, detenções arbitrárias, demolição de residências e os confrontos com os palestinos são relatados e o número de mortes continua crescendo, enquanto o mundo equaciona uma reação.

Manifestações em diferentes cidades de Israel que exigem “vingança” contra os palestinos pelas mortes de três colonos israelenses na Cisjordânia – incitação que já resultou na morte do jovem palestino Mohammed Abu Khdeir, de 16 anos – foram novamente noticiadas.

Há três semanas, o desaparecimento dos jovens colonos foi dado como pretexto pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para a operação militar Guardião Fraterno (uma referência bíblica), lançada em 12 de junho, com o aumento da presença militar israelense na Cisjordânia, detenções arbitrárias, toques de recolher, demolições de casas, invasões e as mortes de 10 pessoas, inclusive crianças.

Neste contexto, a resistência palestina continua sendo retratada por Israel enquanto “terrorismo”, supostamente justificando a destruição das casas de famílias inteiras, com escavadeiras ou com ataques aéreos, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, a detenção ilegal – sob a ótica do direito internacional – de cerca de 640 pessoas, desde o início da operação, e as mortes causadas pelos bombardeios, pela repressão e pela “vingança” ou pelo “sentimento nacionalista”, como tem sido denominado o caso de Mohammed, encontrado morto, após ter sido torturado e queimado, nesta quarta-feira (2).

Além dele, outros quatro jovens foram mortos nas últimas semanas: Yusuf Abu Zagher, de 18 anos, no campo de refugiados de Jenin, na terça-feira (1º/7); Mahmoud Dudin, de 15 anos, na cidade de Dura; Mohammad Abu Thahr, também de 15 anos, e Nadim Nuwara, de 17 anos, ambos alvos de um atirador de elite israelense, o que foi gravado em vídeo.

Das 640 pessoas detidas, de acordo com o Ministério palestino de Relações Exteriores, 170 estão sob “detenção administrativa”, uma modalidade de aprisionamento de “suspeitos” que três leis israelenses permitem ser mantida por períodos indefinidamente renováveis de seis meses, sem acusação formal ou julgamento.

Mais violência e ameaça

Segundo a agência palestina de notícias Maan e o jornal israelense Haaretz, os palestinos de Gaza voltaram a reagir à operação militar de Israel contra o território litorâneo e contra a Cisjordânia lançando foguetes contra o sul israelense, sobretudo no deserto de Negev, sem vítimas fatais. O governo de Israel, por sua vez, alega estar respondendo aos “atos terroristas” de Gaza ao ordenar dezenas de ataques aéreos por dia contra o território bloqueado há anos, em constante emergência humanitária.

Força Aérea de Israel lança dezenas de bombardeios diários contra a Faixa de Gaza. Na foto, cratera é causada pelos ataques na Cidade de Gaza, nesta quinta (3).

Nesta quinta-feira, além das dezenas de bombardeios, em que 11 pessoas ficaram feridas, o governo de Netanyahu também enviou tropas e tanques para a fronteira. O porta-voz das Brigadas Ezedin Al-Qassam do Hamas – partido à frente do governo de Gaza – disse em coletiva de imprensa que “a ameaça de uma ação militar israelense contra a Faixa de Gaza não nos amedronta” e garantiu que as brigadas têm meios para contra-atacar.

Após a ambiguidade da reação internacional frente à trágica notícia da morte dos três colonos israelenses – Eyal Yifrah, de 19 anos, Gilad Shaar e Naftali Fraenkel, ambos de 16 – e à violação cotidiana e sistemática dos direitos dos jovens palestinos, além das frequentes notícias sobre as suas mortes, o jornal estadunidense The New York Times, reiteradamente criticado pela injustiça na abordagem da ocupação israelense, relatou o sofrimento da família de Mohammed, nesta quinta, correspondendo à comoção causada pelo seu caso.

“Não espero qualquer resultado”, disse o pai, Hussein Abu Khdeir, a respeito da investigação lançada sobre o assassinato cruel de Mohammed, em entrevista ao New York Times, numa matéria intitulada “Luto e protesto pela morte em Jerusalém”. Os repórteres notaram também que o funeral, adiado em um dia devido aos confrontos entre soldados israelenses e manifestantes palestinos, é precedido pelo luto da família sufocada com o gás lacrimogênio usado pela polícia de Israel em Jerusalém Leste, território palestino ocupado.

Por Moara Crivelente, membro do Cebrapaz e jornalista do Portal Vermelho

Fonte: Portal Vermelho

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