Socorro Gomes: Nova guerra do imperialismo contra o Oriente Médio

Assistimos consternados a mais uma escalada na agressão imperialista contra o Oriente Médio. Além de todas as maquinações com autocracias como a da Arábia Saudita e do Catar, os Estados Unidos têm uma “sagrada” aliança com o sionismo institucionalizado em Israel e, principalmente nos últimos anos, com a Turquia, para desestabilizar governos contrários aos seus projetos de domínio, ou intensificar o saque em países como o Iraque, vulneráveis em consequência das devastadoras guerras e saques promovidos pelo imperialismo estadunidense com seu aliados europeus.

As tentativas de invasão militar e golpe direto contra o governo do presidente Bashar Al-Assad são contínuas e abertas desde 2011. Em uma estreita aliança com as decadentes potências europeias, como o Reino Unido e França, e com os governos retrógrados da região, os EUA não só alimentaram e potencializaram disputas deletérias na Síria buscando derrubar um governo que não se rendeu aos seus desígnios, como também financiaram e treinaram diretamente as hordas de mercenários e grupos extremistas que usam para devastar a região, fazendo vítimas entre os milhões de civis dos povos do Iraque, Líbia, Síria, além do Líbano. O mesmo se pode apontar para o caso da Palestina ocupada, cujo povo é massacrado em um lento e arrastado genocídio perpetrado pelo regime sionista de Israel, com incondicional apoio dos Estados Unidos.

Não houve interrupções na história recente da ingerência imperialista no Oriente Médio: na promoção de uma política militarista para supostamente “derrotar o terrorismo” – ou “geri-lo” – os EUA lideram uma aliança duradoura contra os povos árabes e o persa, na tentativa de dominá-los e reformatar o Oriente Médio como lhes convém. O projeto não é recente, mas a brutalidade disseminada e os resultados de uma longa cadeia de guerras, golpes e ingerência de bastidor são assustadores, mais cruéis do que nunca e mais ameaçadores para os povos da região e do mundo.

Os movimentos que buscam e defendem sinceramente a paz devem se posicionar contra a intensificação da agressão e o aumento da escalada militarista, promovida pelo imperialismo, sob o pretexto de lidar com uma grave ameaça, o chamado Estado Islâmico (EI), que ele próprio gestou e que continua alimentando. A denúncia da militarização, da ingerência e da agressão é contínua e se faz cada vez mais necessária uma vez que, ao mesmo tempo em que condenamos enfaticamente o terrorismo, o extremismo e os ataques aos povos da região por grupos como o EI, rechaçamos o ambiente propício criado e o papel direto do imperialismo na concepção da ameaça que agora ele diz combater, impondo mais violência e mais sofrimento aos povos.

Este é um círculo vicioso e sem fim que os movimentos defensores da paz precisam continuar rechaçando. A defesa da autodeterminação dos povos, dos processos políticos como formas de resolver conflitos, da não ingerência nos assuntos internos das nações e o respeito à soberania são condições indispensáveis para estabelecer a Paz entre as nações. Os EUA e os membros da máquina de guerra chamada Otan seguem usando de todos os falsos pretextos para manter sua gigantesca presença militar e suas agressões contra o mundo, com o único intuito de dominar e saquear as riquezas dos povos do mundo, ainda que isso custe milhares de vidas, o empobrecimento generalizado e a vulnerabilidade de povos inteiros, que são presos nas redes infindáveis de propaganda belicosa, ingerência e dominação sustentadas pelo imperialismo.

Os ataques aéreos levados a cabo pelos Estados Unidos, na liderança de uma coalizão duvidosa com alguns países árabes e o Reino Unido – uma tentativa para legitimar a violação da soberania síria em suposto combate ao terrorismo que o próprio imperialismo forjou – é mais um alerta na cadeia de guerras impostas aos povos na região. Embora seja premente e necessário enfrentar a ameaça da miríade de grupos armados e extremistas atuando com brutalidade principalmente no Iraque e na Síria, as ações do imperialismo seguem uma lógica de violação flagrante dos princípios mais básicos do direito internacional, assim como foram as suas guerras anteriores contra o Iraque, o Afeganistão e a Líbia.

Neste mar de violência, os povos estão constantemente ameaçados e não encontram meios de viver em paz, na armadilha cuidadosamente elaborada pelas potências imperialistas para a desestabilização de governos.

Por isso, companheiros, nós, movimentos defensores da paz na luta anti-imperialista, precisamos reafirmar nossa posição contra a guerra perpétua do imperialismo no Oriente Médio, com o objetivo de dominá-lo e saqueá-lo. A propaganda dissimulada, as manipulações, a desinformação e a articulação de estratégias pérfidas para a agressão aos povos da região devem ser expostas, assim como as violações sistemáticas dos princípios mais básicos do direito internacional pela potência que se crê acima de todas as nações do mundo, os Estados Unidos e seus aliados na Otan, além de seus instrumentos na região.

Os sírios são massacrados pelas hordas mercenárias e extremistas gestadas pelos EUA, Arábia Saudita, Catar, Turquia e outros aliados. Que estes se autoproclamem agora os salvadores que combatem o terrorismo bombardeando a Síria e almejando também derrubar o governo eleito pelos sírios é uma afronta à causa da autodeterminação e a todos os povos que aspiram a um mundo de Paz. O terrorismo precisa ser derrotado e os sírios apelaram reiteradamente por isso em diversos fóruns, ignorados pela ânsia do império em derrubar o seu governo a todo custo.

Que não haja engano: a ingerência imperialista na região e a constante agressão aos povos é a maior ameaça a todo o planeta. Já chegamos a esta conclusão nas sucessivas guerras do imperialismo contra o Iraque, o Afeganistão, a Líbia e também no Leste europeu, com a catástrofe imposta à Ucrânia, o golpe contra o governo, a ascensão fascista e a ameaça à Rússia, através de um cerco de provocações e de movimentações militares, além das sanções e das urdiduras juntamente com as potências europeias em foros internacionais.

Sugerimos que as entidades ligadas e ou amigas do CMP intensifiquem as manifestações e atividades em seus países para denunciar e exigir o fim da política de dominação e ingerência no Oriente Médio, que resulta na desestabilização e no sofrimento, na disseminação de grupos fanáticos extremistas e na fragmentação nacional, ameaçando os povos em um constante estado de guerra mantido e fomentado pelo imperialismo.

Pelo fim das guerras imperialistas contra os povos do Oriente Médio!

Pelo respeito à soberania das nações!

Que viva a paz e a solidariedade entre os povos!

Socorro Gomes
Presidente do Conselho Mundial da Paz

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