Conselho Mundial da Paz debate desafios na atual luta anti-imperialista em reunião na Índia

Socorro Gomes, presidenta do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz (CMP), chegou a Goa, Índia, nesta terça-feira (25/11), para participar das reuniões do Comitê Executivo do CMP e de uma Conferência de Solidariedade Internacional sobre a Palestina. O primeiro encontro tem como objetivo discutir as atuais ameaças do imperialismo em contexto de crise e novas guerras, assim como um plano de ação global de luta pela paz. A reunião do Comitê Executivo, entre quarta (26/11) e sexta-feira (28/11), tem como principal desafio fortalecer a luta dos movimentos sociais e organizações de mais de 100 países membros do CMP, que completa 65 anos de existência.

Nascido em uma encruzilhada estrutural para a história da humanidade, logo após a Segunda Guerra Mundial, o Conselho agregou intelectuais, ex-combatentes, movimentos sociais da juventude, sindicalistas, das mulheres e independentistas na luta pela descolonização. “La Paloma”, obra de Pablo Picasso para o CMP, tornou-se o símbolo do Conselho (imagem). No âmbito do aniversário, o Cebrapaz organizou uma agenda comemorativa com diversos fatos históricos na luta global pela paz e na resistência anti-imperialista para preencher a agenda, a ser lançada na reunião e, no Brasil, durante o aniversário de 10 anos do Cebrapaz, a ser comemorado no dia 9 de dezembro.

O propósito da reunião também é a análise do percurso de lutas do CMP e os desafios que ainda enfrenta, nomeadamente pelo desarmamento nuclear, a eliminação das bases militares estrangeiras espalhadas pelo mundo, o respeito pela autodeterminação dos povos contra as intervenções e agressões militares, e a dissolução da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), identificada como a maior máquina de guerra e ameaça aos povos em todo o planeta.

Para Socorro, “a luta anti-imperialista, pela paz e a soberania dos povos tem se mostrado imprescindível. A crise do capitalismo em que o mundo está mergulhado há sete anos revelou com ainda maior força o caráter agressivo do imperialismo, ainda mais deletério devido à falência estrutural do seu modelo, baseado na exploração e na opressão dos povos e dos trabalhadores.”

Assim como a agressividade da política exterior das grandes potências reunidas na Otan, o principal representante do imperialismo global, Estados Unidos, seguem empenhados na manutenção da sua hegemonia sobre o planeta a qualquer custo, especialmente através da guerra. “Enquanto lutamos pela paz e por um mundo mais justo, democrático e com progresso social, as potências imperialistas intensificam as ameaças em todo o mundo e nos impõem novos desafios em nossa luta,” afirmou Socorro.

Entre estes desafios, a presidenta destacou a ascensão do fascismo no leste europeu, sobretudo na Ucrânia; os novos intentos golpistas na América Latina, como foi o caso da Venezuela; as novas agressões e ingerências do império contra o Oriente Médio, principalmente o Iraque e a Síria, e contra a África; o aumento do gasto militar e da presença agressiva da Otan em todo o planeta, entre outros.

Solidariedade ao povo palestino

Na reunião, que deve ter representantes de quase todas as 40 organizações membros do Comitê Executivo do CMP de diferentes países, também se discutirá a solidariedade ao povo palestino e o mais recente massacre perpetrado por Israel, com os mais de 50 dias de bombardeios em uma ofensiva contra a Faixa de Gaza, que matou ao menos 2.150 palestinos, o último episódio na sua história de genocídio pelo regime sionista.

Socorro afirmou, entretanto, que “o poder destruidor do sionismo vai além de sua gigantesca força bélica. A ignominiosa capacidade de Israel de construir mentiras, contando com uma rede midiática agressiva, e a cumplicidade das grandes potências estão entre os mais importantes instrumentos de dominação, usados em abundância, ontem por Hitler e hoje pelos imperialistas sionistas.”

Além disso, mais uma vez, o papel dos EUA terá destaque como principal aliado de um dos maiores criminosos de guerra do século 21, destacou Socorro. A presidenta do Cebrapaz e do CMP voltou a denunciar a impunidade dos líderes israelenses por trás do contínuo massacre dos palestinos e da ocupação sobre a Palestina, mas ressaltou também a resistência do povo palestino, que segue firme na luta por sua terra e pela autodeterminação, prometida pela Organização das Nações Unidas ainda em 1947.

O dia 29 de novembro, quando ocorrerá a conferência, é simbólico. Foi a data em que a ONU aprovou, em 1947, o Plano de Partilha da Palestina entre um Estado árabe e o Estado de Israel, resolução até hoje não cumprida. A data foi ainda instituída pela ONU, em 1977, como o Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino e foi também o dia em que, em 2012, mais de 130 países reconheceram o Estado da Palestina em uma sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. A Conferência do CMP sobre a Palestina será realizada com a presença de representantes do Comitê Palestino para a Paz e a Solidariedade, membro do Comitê Executivo do Conselho.

A afirmação de uma posição clara do CMP sobre o fim da ocupação e da impunidade israelense e pelo estabelecimento de um Estado da Palestina livre e soberano está entre as principais pautas da reunião e da conferência do Conselho em Goa, com o objetivo de fortalecer sua representação nas mais importantes causas atuais e expandir suas atividades globais de luta anti-imperialista e pela paz.

Por Moara Crivelente, do Cebrapaz

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s