Um ano de fortalecimento de um movimento mundial contra a guerra

O ano de 2016, como os anos recentes, começou por mostrar ainda mais desafios e tarefas emergentes. Como temos enfatizado em nossas reuniões, campanhas e debates, o Conselho Mundial da Paz (CMP) tem a tarefa imprescindível de se fortalecer enquanto organização internacional popular e de massas, envolvendo as sociedades e os cidadãos na defesa da paz, em posição resoluta contra as guerras e ameaças à soberania dos povos.

Por Socorro Gomes*

Pablo Picasso, Paloma.

Estamos chamados como organização internacional a interagir com os movimentos organizados de luta dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, da intelectualidade e de uma ampla gama de patriotas, democratas, ativistas progressistas que em todo o mundo se batem pela causa da democracia, da justiça social, da independência nacional e da paz.

Temos destacado que os EUA, munidos de sua máquina de guerra, as suas próprias forças armadas e a  Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), de suas bases militares esparramadas pelo mundo, de frotas de sua Marinha de guerra cravadas nos mares e oceanos, sua extensa rede de satélites de espionagem que controla terra, mar e espaço sideral, aliados às potências europeias, têm reorganizado suas forças e reagido ao declínio relativo da sua hegemonia com renovada agressividade.

É certo que o imperialismo estadunidense veste-se de novas roupagens para perpetrar os mesmos crimes contra os povos de todo o planeta. Com o rosto da vez, o de Barack Obama, por oito anos a retórica foi uma e a prática, outra. Sabemos que a promessa de Obama foi, principalmente, a do fim da guerra contra o Iraque e contra o Afeganistão.

Apesar da redução nas suas tropas, porém, os EUA continuam embrenhados em ambos os países, que resultaram destroçados e onde centenas de milhares de pessoas morreram desde as invasões de 2001 e 2003. Além disso, Obama oferece a esses povos massacrados a inovação tecnológica do assassinato à distância, com um aumento considerável no uso de veículos aéreos não tripulados (drones) para levar adiante sua guerra suja sob falsa aparência modernizada, matando civis no Afeganistão, no Iraque e no Paquistão.

A militarização do planeta ocorre de forma acelerada, sob uma perspectiva hegemonista da política internacional de ameaça e guerra. Em 2015, segundo o Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisas para a Paz (Sipri), 2,3% do PIB do planeta foi gasto no setor militar; os Estados Unidos novamente batem o recorde, gastando US$ 595 bilhões, mais do que o dobro do segundo montante, o da China, US$ 215 bilhões. Os países membros da OTAN comprometeram-se com a destinação de 2% dos seus PIBs à guerra, enquanto seus cidadãos continuam lutando pela manutenção das suas conquistas sociais e trabalhistas, os primeiros alvos das políticas de arrocho durante a crise internacional.

Além da denúncia sobre a corrida armamentista generalizada, continuamos aprofundando nossa luta resoluta pela abolição das armas nucleares e outras armas de destruição em massa, colocando-a no topo da agenda dos movimentos que compomos o Conselho Mundial da Paz. Recobramos o nosso Apelo de Estocolmo e respaldamos iniciativas como a do Conselho Japonês contra as Bombas Atômicas e de Hidrogênio (Gensuikyo), que deve realizar uma conferência em Hiroshima e Nagasaki em agosto, arregimentando cada vez mais apoio à luta determinada pela abolição desses armamentos.

A luta pela desmilitarização das relações internacionais é fundamental para o avanço de um mundo mais justo, de paz e liberdade para todos os povos, principalmente  livre  da ameaça de aniquilação ou de mais uma guerra generalizada que se sugere iminente.

Também promovemos campanhas decisivas contra as bases militares estrangeiras esparramadas pelo planeta e a ingerência imperialista que se verifica no Oriente Médio, na África, na Ásia e na América Latina. Onde as potências não conseguiram arraigar suas hegemonias, onde alternativas ao seu poderio e subjugação se consolidaram em ciclos progressistas e nacionalistas, a invasão ou a promoção de golpes é a solução imperialista para restabelecer seus canais de saque e achaque de recursos e de povos. Vemos esta tática aplicada na Venezuela Bolivariana, em Honduras, no Paraguai, no Equador, no Brasil, no flagelado continente africano, e assim por diante.

Na República Árabe da Síria, cinco anos de uma guerra cruenta já ceifaram a vida de centenas de milhares de pessoas, obrigando outros milhões a se deslocar ou a buscar refúgio fora de seu país. A tentativa de derrubada de um governo legitimamente eleito promovida pelo imperialismo estadunidense fracassa, mas o povo paga o preço por desafiar a jogada geopolítica que buscava remover do poder um governo fiel à soberania do seu país, que resiste. As negociações por um cessar-fogo continuam mostrando que os EUA têm um objetivo único, que não é a proteção do povo sírio.

Por isso, impulsionamos também a nossa solidariedade aos povos em resistência contra a guerra, a opressão e o colonialismo, denunciando a ocupação da Palestina e do Saara Ocidental por Israel e pelo Marrocos, assim como a persistência da colonização de Porto Rico pelos Estados Unidos, das Ilhas Malvinas, pelo Reino Unido, e de 16 outros “territórios não-autônomos”, como definidos pela ONU. A pendência da descolonização é uma vergonha para a humanidade que se diz avançar política e culturalmente, um anacronismo injustificável, principalmente depois  de tanta luta e sangue vertido.

Estas são algumas das nossas prioridades nas preparações para a nossa Assembleia, entre 17 e 20 de novembro, no Brasil. Entre as reuniões regionais e a do Secretariado, continuamos a articular campanhas e ações conjuntas ou nacionais, engajados na elaboração de atividades que fortaleçam o Conselho Mundial da Paz enquanto mobilizador contra as agressões imperialistas, pela soberania dos povos e pela Paz entre as nações, enquanto instrumento dos povos na construção de um mundo mais justo.

Por isso, reafirmamos: apesar da agressividade da sua reação, o imperialismo não é invencível, e os povos mobilizam-se para derrotá-lo.

*Socorro Gomes é presidenta do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz

 

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