“Ao povo colombiano que sonha com a paz: conte conosco”, afirmam as FARC

Cerca de 13 milhões de colombianos e colombianas foram às urnas em 2 de outubro para endossar ou rejeitar os acordos de paz assinados entre o Governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), após quatro anos de intensas negociações. Com uma margem estreita, a negativa venceu. Os movimentos da paz que se solidarizam com o povo colombiano na sua luta pelo fim de mais de cinco décadas de conflito armado acompanharam as negociações e torceram por um desfecho positivo.

Entretanto, as urnas declaram que a nossa luta continua, com um novo desafio, mas continua, e o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) segue engajado e apoiando o empenho do povo colombiano, como reafirma sua presidenta, Socorro Gomes.

Movimentos sociais, frentes e partidos políticos progressistas e comprometidos com a paz já manifestaram sua determinação de, apesar do resultado negativo do plebiscito na Colômbia, continuarem lutando. As forças conservadoras da oligarquia reacionária do país, lideradas pelo ex-presidente Álvaro Uribe, mostram que o seu legado para a Colômbia e a região é a militarização da repressão à insurgência e a perpetuidade da violência armada, além da violência estrutural que mantém a desigualdade e a injustiça social, nos campos e na cidade.

Para estas forças virulentas, o único fim aceitável do conflito é a derrota militar das FARC-EP, é a sua dizimação e a intimidação de qualquer resistente, qualquer combatente pela justiça social contra a dominação e a exploração por parte da oligarquia, sustentada pelo imperialismo estadunidense.

Após a divulgação do plebiscito, o Secretariado Nacional das FARC-EP afirmou: “Ao povo colombiano que sonha com a paz: conte conosco”. O movimento reafirmou seu compromisso com o cessar-fogo, mas lamentou “profundamente que o poder destrutivo dos que semeiam o ódio e o rancor tenha influenciado na opinião da população colombiana”, em nota emitida no mesmo dia. “As FARC-EP mantêm sua vontade de paz e reiteram sua disposição para usar apenas a palavra como arma de construção rumo o futuro,” afirma o texto. “A paz triunfará.”

Timoleón Jiménez, estado-maior das FARC-EP, também garantiu que o movimento “permanecerá fiel ao acordado. A paz com dignidade chegou para ficar. Os sentimentos guerreiristas dos que querem sabotá-la jamais serão mais poderosos do que os sentimentos de concórdia, inclusão e justiça social.” Assista aqui a sua mensagem (em espanhol).

A Marcha Patriótica, composta de forças e partidos políticos engajados no processo de paz, apontou como preocupante o alto índice de abstenção no plebiscito, em 62,67%, mas ressaltou que mais de seis milhões de pessoas votaram a favor dos acordos, número que não pode ser relevado. A margem do “Não” foi de apenas um por cento, “uma vitória tão mínima que não pode ser lida nem assumida como uma vitória absoluta dos promotores do Não para modificar um Acordo de Paz assinado e ratificado pelas partes, endossado pela comunidade internacional em seu conjunto e apoiado por mais de seis milhões de compatriotas.” A Marcha Patriótica também criticou o “secretismo” imposto pelo governo em torno do processo de paz, “facilitando a especulação dos contraditores e o uso de falácias de todo o tipo que alimentaram o medo de muitos setores da sociedade”. Por isso, é preciso o investimento na pedagogia da paz em todo o país, afirma, “para fortalecer o ânimo de reconciliação e apoiar o esforço que a Mesa de Conversações em Havana realizou”, desde 2012.

Para o Pólo Democrático Alternativo, o resultado mostra a debilidade do governo de Juan Manuel Santos e a polarização do país sobre a saída do conflito e pela crise econômica e política, da qual se aproveita a direita reacionária. O partido reivindica um “acordo político nacional que trate da consecução dos acordos de paz como um assunto de Estado e os recomponha em consenso com as partes, viabilizando o seu cumprimento.” Sua preocupação também foca na manutenção do cessar-fogo e no compromisso com a solução política do conflito, tanto com as FARC como com o Exército de Libertação Nacional (ELN), que ainda não estava contemplado no acordo rechaçado nas urnas.

O governo de Juan Manuel Santos também se comprometeu a cumprir os acordos e a buscar soluções para o impasse criado.

A presidenta do Cebrapaz considera que a paz na Colômbia “é vital para os povos de todo o continente. O povo colombiano tem sido vítima de uma política de violência e saque por parte dos Estados Unidos e das oligarquias colombianas há mais de seis décadas, impondo o ódio e a intolerância no país irmão.” Socorro afirma a necessidade do “caminho do diálogo político construído até aqui, que deve ser consolidado e fortalecido, buscando a solução da paz humanizada, dialogando com base nos direitos humanos e políticos garantidos.”

“Nossos destinos estão entrelaçados: Paz e democracia na Colômbia é paz e democracia na América Latina”, diz Socorro.

Moara Crivelente, Cebrapaz

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