Entidades organizam seminário de solidariedade no Ceará e declaram compromissos

O núcleo cearense do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz-CE) e a Fundação Maurício Grabois (FMG) realizaram na quarta-feira (21), em Fortaleza, um seminário internacionalista com uma fala do presidente do Cebrapaz, Antônio Barreto, intitulada “A luta pela Paz e a ação imperialista na América Latina. Na conclusão do evento, as entidades participantes emitiram a Carta de Fortaleza de Solidariedade ao Povo Brasileiro, a Cuba e à Venezuela.

De acordo com a organização, cerca de 50 pessoas participaram do evento, inclusive representantes de 10 a 15 entidades populares, que endossaram Carta.

Diante das ameaças de desestabilização e ingerência estrangeira, imperialista, no evento, o presidente nacional do Cebrapaz enfatizou que “cada país tem direito à paz e à soberania, e o seu povo o direito de conduzir os seus destinos.”

Barreto destacou, entre outras ameaças, “o perigo que as bases militares estrangeiras representam,” alertando ainda para o “pretexto de ‘segurança’ e ‘defesa’” com que os EUA “imprimem uma política de guerra e de violência, em busca de hegemonia.”

Seminário Cebrapaz-CE

O presidente denunciou também as recentes ações do governo golpista de Temer, que convidou tropas estadunidenses para os exercícios militares conjuntos previstos para novembro, na tríplice fronteira amazônica entre Brasil, Peru e Colômbia, e que negocia um acordo sobre o uso da base espacial de Alcântara, no Maranhão, pelos EUA.

Também deram importantes contributos para o fortalecimento da luta anti-imperialista, em defesa da soberania e na solidariedade a Cuba e à América Latina o presidente da Casa de Amizade Brasil-Cuba, Antônio Ibiapina, o mestre em Sociologia Gustavo Guerreiro, representando a FMG e o Observatório das Nacionalidades, o presidente estadual do PCdoB-CE, Luiz Carlos Paes.

Leia o documento emitido na conclusão do evento, a seguir:

Carta de Fortaleza de Solidariedade ao Povo Brasileiro, a Cuba e à Venezuela

O Retrocesso político por que passa hoje a nossa América Latina, onde nas últimas duas décadas foram dados grandes passos para o progresso econômico e social, através de processos democráticos, é parte da crise estrutural do sistema capitalista dominado pelo capital financeiro internacional.

Essa crise já se aproxima de uma década, e é nesse quadro que ocorre a intensificação da política agressiva e belicista dos Estados Unidos contra os povos, para tentar recuperar a hegemonia no mundo a qualquer preço.

Na América Latina, vem acontecendo um processo de intervenção através da ingerência do imperialismo estadunidense nos países do continente, com o fomento da desestabilização política e social, interferência em processos eleitorais e articulação de golpes de estado de novo tipo com o objetivo de interromper o ciclo progressista que culminou com o fortalecimento e reconfiguração do MERCOSUL, a criação da ALBA, da UNASUL e da CELAC, para retomar o neo-colonialismo na região.

É neste cenário de ofensiva imperialista que devemos estar na linha de frente na defesa da continuidade das mudanças progressistas na República Bolivariana da Venezuela, sob constante processo de desestabilização pela oligarquia local, em conluio com os Estados Unidos, inclusive através da violência, onde quase 70 pessoas já foram assassinadas.

Salientamos também o criminoso bloqueio econômico, financeiro e Comercial pelos Estados Unidos a Cuba, bloqueio que já foi declarado obsoleto pelo próprio governo estadunidense no final do mandato do presidente Barak Obama e condenado pela Assembléia Geral das Nações Unidas pela 23ª vez, sendo que na última, neste ano, por unanimidade, apenas com a abstenção de Israel e do próprio Estados Unidos.

As entidades representadas no seminário, unem-se ao movimento brasileiro e internacional de solidariedade a Cuba e a Venezuela, para repudiar a atitude do atual presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, que sob o falso pretexto de defesa dos direitos humanos, revogou as poucas medidas de flexibilização do bloqueio negociadas pelos dois países, após a reaproximação diplomática nos dois últimos anos, exigir do governo estadunidense o fim imediato do criminoso bloqueio, que há 55 anos vem causando imensas dificuldades para o povo o Estado cubano e a devolução do território de Guantánamo a Cuba.

Condenar a ingerência do imperialismo estadunidense na Venezuela e manifestar todo apoio ao processo democrático da convocação e eleição da Assembléia Nacional Constituinte pelo presidente Nicolás Maduro, para a consolidação da democracia popular, independência e soberania do país.

No nosso Brasil, condenar o golpe de estado parlamentar/jurídico/midiático que derrubou a presidenta Dilma Roussef, democraticamente eleita por mais de 54 milhões de votos, para assumir o governo do país uma quadrilha a serviço do capital e do imperialismo estadunidense, com o objetivo de entregar das nossas riquezas e demolir toda a legislação de proteção dos trabalhadores, da seguridade social e da soberania do nosso país.

Fora Temer golpista, eleições diretas já e constituição de uma frente ampla, democrática e popular com um programa para um Novo Plano Nacional de Desenvolvimento, com justiça social e restauração da democracia, anulando assim o fraudulento impeachment que golpeou a democracia reconquistada a duras penas, após 20 anos de ditadura militar implantada pelo golpe de 1º de abril de 1964.

Assinam esta Carta:

Núcleo do Cebrapaz do Ceará (Cebrapaz)
Casa de Amizade Brasil Cuba
Fundação Maurício Grabois – Seção Ceará
Observatório das Nacionalidades
Movimento Médicos Pela Democracia
Rede de Médicos e Médicas Populares
Partido Comunista do Brasil – Diretório Estadual do Ceará
Federação de Bairros e Favelas de Fortaleza (FBFF)
União Nacional LGBT (UNA LGBT)
União Brasileira de Mulheres – Ceará (UBM-CE)
UJS – CE – União da Juventude Socialista – Ceará
Central de Trabalhadores e Trabalhadoras – Ceará (CTB – CE)
Movimento Democracia Participativa

Fortaleza, 21 de junho de 21017