É preciso defender os avanços da Síria contra o terrorismo, pelo diálogo e a soberania

As forças da paz veem com otimismo o avanço da Síria no enfrentamento à crise política, aos grupos terroristas e às agressões estrangeiras. Em janeiro, do Congresso de Diálogo Nacional Sírio surtiram importantes resultados e as forças nacionais têm acumulado vitórias contra os que atuam a soldo do imperialismo estadunidense e de seus aliados. Fica evidente, assim, o fracasso da campanha imperialista pela derrubada do governo sírio e o êxito do empenho por uma solução política e soberana.

Por Socorro Gomes*

Na frente diplomática e na frente militar, o governo legitimamente eleito do presidente Bashar al-Assad tem contado com o apoio da Rússia, do Irã e do Hezbollah, enquanto mantém firme compromisso com a defesa da soberania da Síria, da vontade popular, da paz e da estabilidade. Já são sete anos de agressão regada aos dólares do império ou aos petrodólares de monarquias regionais. Centenas de milhares de pessoas foram massacradas e milhões buscam escapar de atrocidades indizíveis, praticadas por forças como o autoproclamado “Estado Islâmico”, alimentadas desse caldo.

Já os EUA e seus aliados entre as potências hegemônicas deixam claros os seus desígnios ao se associarem a regimes conservadores e reacionários, autocráticos, submissos à agenda imperialista. São os casos da Arábia Saudita, da Turquia – membro da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), à qual esta presta satisfações sobre a ofensiva que realiza – e de outros entre os principais investidores na desestabilização da Síria.

Manifestantes estadunidenses condenam ataques aéreos ordenados por Trump a uma base aérea da Síria em 2017 e repudiam as guerras imperialistas.

É também gravíssima e ultrajante a notícia desta quinta-feira (8) de que os EUA e a coalizão que lideram atacaram regiões da Síria atingindo forças populares que combatem o “Estado Islâmico”. Tal agressão deve ser não só denunciada pela violação da soberania da Síria e pelas mortes que acarretou, mas também repreendida por atuar clara e diretamente contra o avanço do povo sírio no combate aos grupos terroristas, o que, mais uma vez, evidencia o plano do império para a nação resistente.

Por um lado, em 29 e 30 de janeiro, o Congresso de Diálogo Nacional Sírio realizado em Sochi, na Rússia, teve resultados exitosos para o processo que se desenrola. Entre eles está o compromisso com uma nova reforma constitucional realizada por uma comissão composta pelo governo e pela oposição. Também foi reiterado que apenas o povo sírio poderá determinar os rumos da nação, princípio reconhecido na Resolução 2254, adotada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2015, que tem servido de referência na construção do processo.

A agência russa de notícias TASS, na terça-feira (6), já previa também a realização de uma nova rodada de diálogos para o final de fevereiro, em Astana, Cazaquistão, que recebeu o 8º Congresso Internacional sobre a Síria em dezembro de 2017. A Rússia, o Irã e a Turquia coordenaram então a realização do Congresso de janeiro.

Manifestantes britânicos protestam contra ataques à Síria em Londres, em 2015, quando o Parlamento discutia tomar tal medida agressiva alegando combater grupos terroristas.

Por outro lado, forças diretamente ligadas à devastação da Síria, como a própria Turquia, seguem empenhadas na ingerência criminosa. Cidadãos de Afrin protestam contra os ataques das forças turcas à cidade, que já decorrem há mais de 20 dias e mataram 142 pessoas até o início desta semana, de acordo com a agência síria de notícias Sana. É preciso repudiar enfaticamente a continuidade da ingerência estrangeira e a presença de tropas não autorizadas pelo governo soberano da Síria, como tem feito o movimento internacional da paz desde o início da agressão.

O povo sírio permanece resoluto na resistência, ainda assim. Só nesta semana, o Exército declarou a libertação de mais de uma dezena vilas antes sob o terror do cerco e várias outras nas semanas recentes. Ademais, a participação popular no processo de construção de uma saída soberana é essencial.

A resolução 2254 do Conselho de Segurança promove os diálogos e propõe um plano para um cessar-fogo a nível nacional, defendendo a tomada de medidas para uma saída política a ser dirigida pelo povo sírio. Embora as potências e a ONU exijam do governo Assad provas das suas intenções, é preciso também sério compromisso por parte das forças de oposição que participam do processo e as que o rechaçam, com base em alegações contra o governo, ainda que sejam elas próprias armadas e financiadas por forças regionais e imperialistas.

Cabe também à ONU trabalhar para facilitar a continuidade do processo e garantir o respeito à soberania da Síria, responsabilizando aqueles que continuam a agredir a nação árabe e a respaldar grupos armados que insistem em mergulhar o país no caos.

Tais táticas servem apenas aos interesses do império e de seus aliados regionais de devastação para garantir o saqueio de recursos e a submissão das nações. Mas o povo sírio resiste e o movimento internacional da paz solidifica a solidariedade à sua luta pela soberania e pela paz justa, livre do terrorismo, da intervenção, da agressão e da ingerência estrangeira.

*Socorro Gomes é a presidenta do Conselho Mundial da Paz