Irã comemora aniversário da revolução com apelo à unidade e Cebrapaz participa

A República Islâmica do Irã comemora o 39º aniversário da Revolução que, em 1979, derrubou um regime autocrático e subserviente ao imperialismo, consolidando a soberania nacional e a sua projeção como importante ator internacional, enfrentando o hegemonismo ofensivo das potências. Iranianos e convidados de todos os continentes comemoraram, inclusive o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), cuja delegação foi liderada pelo presidente Antônio Barreto.

Participando dos eventos no Irã, a delegação do Cebrapaz, composta por Barreto, o diretor do núcleo do Distrito Federal Marcos Tenório e pela Delegada Valéria Martirena, ouviu do presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, uma rica exposição sobre a revolução de 1979, em seminário para os convidados. Barreto entregou ao líder parlamentar uma mensagem do Cebrapaz na mesma oportunidade (reproduzida no final da matéria).

Representantes dos povos em luta da região puderam também usar a palavra. Delegados da Palestina, Síria, Iraque, Kuwait e Paquistão foram alguns dos que transmitiram suas mensagens. Na ocasião, oficiais iranianos também saudaram a resistência dos povos vítimas das agressões imperialistas e expressaram a solidariedade do povo persa.

Discursando para uma imensa multidão no domingo (11), em Teerã, o presidente iraniano Hassan Rouhani apelou a um “ano de unidade”, no contexto dos protestos registrados por todo o país. “Peço que o 40º aniversário da revolução, no ano que vem, seja o ano da unidade. Peço aos conservadores, reformistas, moderados e todos os partidos, todo o povo, para que se unam.” E reforçou: “Nossa revolução foi vitoriosa quando todos nos unimos.”

Comandante da Força Quds do Exército de Guardiões da Revolução Islâmica (ou Guarda Revolucionária), o general Qasem Soleimani disse que o povo iraniano tem resistido bravamente às pressões estrangeiras nessas quatro décadas, referindo-se à ingerência externa e às tentativas de desestabilização e isolamento promovidas pelos EUA e seus aliados. Enfatizou ainda o empenho do Irã por estabelecer boas relações com outras nações, rechaçando a posição de subserviência de algumas com relação às potências imperialistas, e ressaltou o esforço dos iranianos no apoio ao combate ao terrorismo no Iraque e na Síria.

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De acordo com a mídia local, milhões de pessoas estiveram nas ruas no domingo, comemorando o aniversário da revolução. Centenas de delegações estrangeiras foram convidadas à tribuna, onde puderam assistir à passeata. Barreto deu entrevistas a duas emissoras nacionais e, nos eventos, a delegação do Cebrapaz exibiu uma faixa em apoio ao povo iraniano, exigindo o fim da ingerência estadunidense.

A revolução que derrubou o regime do Xá Mohammad Reza Pahlavi, um ditador respaldado pelos EUA, eclodiu em 22 Bahman (10 ou 11 de fevereiro, no calendário gregoriano), de 1979. Já as comemorações deste fim de semana denunciaram as novas investidas do presidente estadunidense Donald Trump pelo isolamento do Irã e por maiores sanções, inclusive com o abandono completo do acordo nuclear entre o país persa, a União Europeia e os EUA, alcançado em 2016, após anos de negociações. Por isso, o presidente Rouhani enfatizou que as tentativas de desestabilização respaldadas pelos EUA estão sendo enfrentadas pelo povo iraniano com unidade e resistência.

Mensagem do presidente do Cebrapaz ao Governo do Irã:

Estimados amigos, foi com grande alegria que recebi o convite, através da Assembleia Mundial do Despertar Islâmico, para visitar, nesta data magna, a República Islâmica do Irã.

Represento o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz, Cebrapaz, entidade que compõe o Conselho Mundial da Paz. O CMP, que em seus 70 anos tem estado comprometido com a luta pela paz mundial, é presidido por uma integrante do Cebrapaz, a companheira Socorro Gomes, que me pediu que enviasse a vocês sua fraterna saudação.

Venho do Brasil, um país distante geograficamente do Irã, mas cujo povo sente-se unido ao povo iraniano pelo laço comum da luta anti-imperialista.

De fato, a Revolução Iraniana derrotou um governo títere das forças imperialistas e ditatorial. Um governo que traía os interesses nacionais iranianos, entregando sem resistência o patrimônio desta rica nação aos Estados Unidos da América e a outras nações que vivem da rapinagem.

Ao romper com este histórico e proclamar bem alto a independência e a soberania da nação iraniana, a Revolução de 1979 viu desabar uma tempestade de ataques, calúnias e perseguições.

Guerra, sabotagens e sanções: a todas estas provas dolorosas resistiu o povo iraniano, que se recusa a ser fantoche nas mãos de potências estrangeiras.

Estimados amigos,
A história mostra que os povos submetidos ao imperialismo estão fadados a um destino cruel. Por isso, a luta do Cebrapaz em defesa da paz mundial tem como eixo o anti-imperialismo, combatendo o principal promotor das guerras e da exploração de povos e nações.

Também à América Latina e ao meu país os imperialistas estendem suas garras, contando com o apoio de uma elite corrupta e sem amor à pátria. No entanto, seguimos resistindo e denunciando os crimes dos EUA e de seus aliados em todas as regiões onde os povos se erguem contra as forças da dominação. É o caso do enfrentamento do Irã e outras nações ameaçadas pelas forças sionistas, que sustentam um regime opressivo do povo palestino e agressivo contra a vizinhança, servindo de posto avançado do império.

Nossa solidariedade à República Islâmica do Irã vem da compreensão inabalável de que o principal inimigo da humanidade é o imperialismo, sobretudo o estadunidense. Com Donald Trump na Presidência, caem todas as máscaras que tentavam dar uma aparência civilizada a um regime de ameaças e agressões internacionais. Da tribuna da ONU, Trump carrega despudoradamente contra governos, povos e nações. Aprofunda ainda mais o apoio celerado dos EUA ao sionismo racista e genocida, colocando o mundo em alerta máximo.

Sabemos, queridos amigos, que quando os EUA falam em “intervenções” e patrulhamento, geralmente, o mundo sofre novas guerras e agressões. Neste cenário, cresce em importância o papel do Irã na resistência aos grandes senhores da guerra. O papel do povo iraniano na luta anti-imperialista é incontestável.

De que lado está o Irã no conflito entre israelenses e palestinos? Estará o Irã ao lado das poderosas forças sionistas, que recebem bilhões de dólares em armamentos dos Estados Unidos? Não, o Irã está ao lado do mais fraco, ao lado do povo palestino martirizado, ao lado da justiça contra a opressão.

De que lado está a República Islâmica do Irã no conflito sírio? Estará ao lado dos grupos terroristas armados e apoiados pela Arábia Saudita, Israel e os Estados Unidos? Não, está ao lado do povo sírio, em luta na defesa da sua soberania nacional e contra o terrorismo.

No distante Caribe, no continente americano, qual a voz que se levanta desde o Oriente para condenar o bloqueio criminoso dos EUA contra Cuba Socialista? É a voz digna e firme da República Islâmica do Irã.

Portanto, não faltam motivos para que o Cebrapaz considere, como considera, o Irã, um país irmão na luta anti-imperialista. Daí vem nosso apoio invariável ao povo iraniano diante de todas as chantagens, sanções e ameaças que o imperialismo estadunidense lhe faz.

Contem sempre, caros amigos, com a solidariedade militante do Cebrapaz em vossa luta heroica pela soberania do Irã e por um mundo baseado na justiça, na paz, na amizade e na equidade entre povos e nações.

Antônio Barreto
Presidente do Cebrapaz
Fevereiro de 2018