Recordando as vítimas dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, apelamos pela abolição dos arsenais nucleares

Marcando o aniversário do primeiro uso das devastadoras armas nucleares pelos Estados Unidos contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, o Conselho Mundial da Paz expressa a sua solidariedade ao povo japonês, vítima da catástrofe provocada por uma potência imperialista que não mede as consequências para conquistar seus objetivos.

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Monumento às Crianças, Parque da Paz, Hiroshima, Japão.

Neste 73º aniversário, ao tempo em que honramos a memória das mais de 200 mil vítimas fatais dos bombardeios nucleares de Hiroshima e Nagasaki e saudamos a determinação dos sobreviventes, que tomaram para si a luta contra os armamentos nucleares, é preciso enfatizar o repúdio irredutível de todas as forças amantes da paz ao uso da devastação e do massacre de um povo como técnica de ameaça.

Como no caso dos bombardeios das cidades japonesas, que os EUA alegam ainda hoje terem atacado com tamanho poder de destruição para causar a rendição do Japão e encerrar assim a Segunda Guerra Mundial, a tentativa dos responsáveis de justificar o emprego dessas horrendas armas da morte deve ser rechaçada nos mais firmes termos.

Conforme temos reiterado, a tragédia infligida ao povo japonês pela inauguração da bomba atômica foi uma afronta repugnante a toda a humanidade e, por isso, sua repetição deve ser combatida também por toda a humanidade. Além disso, o ambiente de ameaça, chantagem nuclear  e iminência da aniquilação não podem jamais conduzir à paz, somente ao terror e à dominação ou, no caso do emprego dessas armas, à devastação.

Entretanto, testes nucleares e a proliferação e disseminação dos arsenais pelo planeta inteiro são as notícias com que a nossa luta se vê defrontada, ao tempo em que conflitos e disputas em diversas regiões intensificam e ameaçam os povos com uma guerra mais abrangente, de proporções inéditas.

Há quase sete décadas o Conselho Mundial da Paz lançou seu Apelo de Estocolmo contra essa e outras armas de destruição em massa, um apelo firmado por centenas de milhões de pessoas em todo o planeta. Ainda assim, em afronta direta à vontade dos povos, as potências imperialistas, sobretudo aquelas que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), avançam teses assentadas em pressupostos anacrônicos de confrontação e ameaça de aniquilação, buscando modernizar seus arsenais e disseminá-los por diversas regiões do mundo, tornando o emprego dessas armas mais ágil, mais devastador e supostamente mais controlado, facilitando ou buscando tornar mais trivial o seu uso.

Temos denunciado que além de a redução dos arsenais ser extremamente lenta diante dos compromissos demandados pelos povos de todo o mundo, essa diminuição é ilusória, uma vez que os armamentos têm sido modernizados para alcançarem maiores distâncias ou causarem maiores danos concentrados. Além disso, através do seu programa de partilha nuclear, a OTAN distribuiu ogivas nucleares entre países europeus. Israel, que produziu entre 80 e 200 ogivas, segue sem monitoramento do seu próprio programa, enquanto promove uma empreitada quase ensandecida para provocar uma guerra contra o Irã.  

Por isso, como temos afirmado, continua urgente o reforço da luta de todas as forças amantes da paz em todo o planeta contra as armas nucleares e outras armas de destruição em massa, pela sua abolição completa. O objetivo de uma ordem internacional equitativa, de cooperação e progresso partilhado, não é minimamente compatível com uma ordem de dominação e ameaça de aniquilação por parte de um punhado de potências detentoras dos arsenais nucleares, que desenvolvem e posicionam tais armas pelo mundo conforme os seus interesses geoestratégicos.

Apelamos pelo avanço decisivo das iniciativas de aprofundamento dos compromissos de não-proliferação e de abolição completa de todas as armas de destruição em massa. Exigimos a conclusão de tais compromissos para a sua ampla implementação monitorada urgente, ao tempo em que reforçamos nossa luta conjunta pela paz e por uma ordem internacional equitativa, baseada na amizade e na cooperação entre os povos.

Reafirmamos uma vez mais nossa solidariedade ao povo japonês neste aniversário e nosso apoio resoluto à sua luta pelo reconhecimento e a reparação.

Pelo fim da ameaça de devastação e aniquilação, pelo fim das armas de destruição em massa!

Viva a amizade entre os povos e a luta pela paz!

Socorro Gomes
Presidenta do Conselho Mundial da Paz