Dirigente do Partido Comunista de Israel denuncia perseguições políticas e naturalização da violência na sociedade israelense

Publicado originalmente no site Resistência.

Encontro organizado por PCdoB e Cebrapaz destacou defesa do Estado palestino soberano e independente

A secretária de Relações Internacionais do Partido Comunista de Israel, denunciou perseguições políticas, sionismo, racismo antiárabe e a naturalização da violência na sociedade israelense durante ato realizado na sede nacional do PCdoB, em São Paulo.

A atividade ocorreu em 16 de maio, com o auditório lotado, e foi organizada pela Secretaria de Relações Internacionais do PCdoB e pelo Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz). O encontro reuniu dirigentes políticos e militantes em defesa da Palestina livre e contra a ocupação israelense.

O ex-deputado Jamil Murad coordenou a atividade e saudou Reem Hazzan em nome do Comitê Central do PCdoB, destacando os laços de amizade internacionalista entre o partido brasileiro e o Partido Comunista de Israel.

O presidente do Cebrapaz, José Reinaldo Carvalho, ressaltou a relação histórica da entidade com combatentes israelenses e palestinos comprometidos com a paz e com a luta contra a ocupação. Ele afirmou que os comunistas israelenses mantêm posições firmes em defesa da libertação do povo palestino e destacou que a crítica ao sionismo não pode ser confundida com antissemitismo.

“A origem de todo o mal na Palestina é a ocupação israelense”, afirmou José Reinaldo, ao denunciar o como caráter colonialista do sionismo. O dirigente também defendeu a proclamação do Estado palestino, com independência plena e reconhecimento de seus direitos nacionais.

Trajetória de Reem Hazzan é destacada no ato

Em nome da Coplac (Confederação Palestina Latino-Americana e do Caribe), Emir Mourad fez uma saudação especial a Reem Hazzan e destacou sua trajetória política, marcada pela militância comunista, feminista e palestina. Ele lembrou que a dirigente nasceu e cresceu em Akka, mudou-se para Haifa e construiu sua atuação em movimentos juvenis, estudantis, comunitários e na Frente Democrática para a Paz e a Igualdade, a Hadash.

Mourad também ressaltou que Reem Hazzan vem de uma família ligada à causa palestina e ao movimento comunista, tendo enfrentado perseguições por sua atuação política. Em sua fala, apresentou a trajetória da dirigente como símbolo de resistência, defesa da memória palestina e luta pela unidade entre árabes e judeus em torno da paz, da justiça e da autodeterminação do povo palestino.

Reem Hazzan, secretária de Relações Internacionais do Partido Comunista de Israel

Mourad enfatizou que a presença de Reem Hazzan no Brasil expressa a importância da solidariedade internacional em um momento de avanço do fascismo, da ocupação e da violência contra os palestinos. Mourad afirmou que a resistência palestina segue viva e que o Estado palestino soberano e independente será fruto da luta do povo palestino e da solidariedade ativa dos que defendem a justiça.

Reem Hazzan critica naturalização do ódio em Israel

Em sua avaliação sobre o cenário posterior a 7 de Outubro, Reem Hazzan afirmou que a mudança mais grave não se limitou ao governo de Benjamin Netanyahu ou ao aparato repressivo do Estado israelense. Para a dirigente, a guerra em Gaza aprofundou uma transformação social mais ampla, marcada pela naturalização do ódio, da violência e da desumanização dos palestinos.

Reem relatou que a extrema direita israelense instrumentalizou o trauma provocado pela ação do Hamas para ampliar o racismo antiárabe, legitimar políticas mais violentas nos territórios ocupados e isolar ainda mais os setores da esquerda antiocupação. Segundo ela, palestinos cidadãos de Israel passaram a enfrentar perseguições em locais de trabalho, universidades, redes sociais e espaços públicos.

A dirigente também afirmou que a repressão contra palestinos dentro de Israel não começou com a guerra atual, mas foi intensificada após 7 de Outubro. Ela lembrou que manifestações com bandeiras palestinas já eram reprimidas em Haifa antes do conflito, mas afirmou que, depois do início da guerra, até protestos de rua chegaram a ser proibidos.

Reem Hazzan também apontou a expansão da violência de ocupantes na Cisjordânia como um dos elementos centrais da escalada. Segundo ela, o deslocamento de tropas israelenses para Gaza e para a fronteira com o Líbano abriu espaço para ataques contra palestinos, tomada de terras e maior articulação entre colonos armados e setores do Exército israelense.

Defesa da solução de dois Estados

Reem Hazzan também criticou a estratégia do governo Netanyahu de inviabilizar qualquer solução política para a questão palestina. Segundo ela, a destruição da credibilidade dos Acordos de Oslo e a aposta permanente no militarismo alimentaram o desespero tanto na sociedade israelense quanto na palestina.

A dirigente afirmou que segue sendo fundamental disputar a sociedade israelense e fortalecer os setores comprometidos com a paz. Para ela, o papel da esquerda antiocupação é combater o militarismo, enfrentar o racismo e defender uma alternativa política baseada na justiça e no reconhecimento dos direitos palestinos.

A ex-presidente do Conselho Mundial da Paz Socorro Gomes, liderança do Cebrapaz e do movimento de solidariedade ao povo palestino no Brasil, também defendeu o fim da colonização e da ocupação militar israelense da Palestina. Ela reafirmou a necessidade de responsabilização da liderança israelense por crimes contra o povo palestino e cobrou o fim do cerco à Faixa de Gaza.

Socorro Gomes também reiterou a defesa do estabelecimento do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores à guerra de 1967, Jerusalém Leste como capital, direito de retorno dos refugiados e libertação dos prisioneiros políticos palestinos.

O ato terminou com manifestações de solidariedade ao povo palestino e de apoio às forças que, na Palestina, em Israel e em outros países, lutam contra a ocupação e por uma solução justa para a questão palestina.