Por José Reinaldo
Os dois líderes comunistas reforçam aliança estratégica e destacam amizade histórica entre a China e a RPDC
Xi Jinping, secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e presidente chinês, e Kim Jong Un, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia e presidente dos Assuntos de Estado da República Popular Democrática da Coreia, reforçaram em Pyongyang a aliança estratégica entre a China e a RPDC, destacando a amizade histórica entre os dois países, a memória revolucionária comum e a importância desses laços para o fortalecimento do socialismo.
De acordo com a Xinhua, os dois líderes concordaram nesta terça-feira (9), que China e RPDC devem levar adiante, de geração em geração, a grande amizade tradicional construída entre os dois países. O compromisso foi reafirmado durante uma agenda marcada por forte simbolismo político, histórico e geopolítico, em que a memória das lutas compartilhadas foi apresentada como base para a continuidade das relações bilaterais.
A agenda em Pyongyang incluiu uma homenagem de Xi Jinping à Torre da Amizade China-RPDC. O presidente chinês esteve acompanhado de sua esposa, Peng Liyuan, e foi recebido por Kim Jong Un e sua esposa, Ri Sol Ju. A cerimônia reforçou o peso histórico da relação entre os dois países, que se apoiam em uma narrativa comum de solidariedade, resistência e defesa de seus respectivos projetos nacionais.
Memória histórica e tradição revolucionária
Xi e Kim concordaram que os anos em que a China e a RPDC lutaram lado a lado na década de 1950 constituem uma memória histórica permanente para os dois lados. A referência à luta comum ocupa papel central na relação bilateral, pois conecta a cooperação atual a uma experiência considerada fundadora na construção da amizade entre os dois países.
Os líderes também se comprometeram a preservar conjuntamente as instalações memoriais dedicadas aos mártires dos Voluntários do Povo Chinês. A decisão de manter esses espaços e promover programas voltados à educação juvenil e às tradições revolucionárias sinaliza que Pequim e Pyongyang pretendem transformar a memória histórica em instrumento de continuidade política para as novas gerações.
Nesse contexto, o encontro ultrapassa o protocolo diplomático e assume significado geopolítico mais amplo. Ao destacar a memória da Guerra de Resistência à Agressão dos EUA e de Ajuda à Coreia, China e RPDC reafirmam uma visão comum sobre soberania, segurança regional e resistência a pressões externas. A mensagem política é a de que a parceria bilateral segue ancorada em experiências históricas compartilhadas e em objetivos estratégicos convergentes.
Visita à formação de quadros do PTC
Na manhã de terça-feira, Xi Jinping visitou a Escola Central de Formação de Quadros do Partido do Trabalho da Coreia, em Pyongyang, acompanhado por Kim Jong Un. A visita tem relevância política particular por ocorrer em uma instituição voltada à formação de dirigentes e quadros partidários, elemento central nos sistemas políticos dos dois países.
A presença de Xi nesse espaço reforça a dimensão partidária da relação China-RPDC. Mais do que uma aproximação entre Estados, o encontro expressa também a continuidade dos vínculos entre o Partido Comunista da China e o Partido dos Trabalhadores da Coreia, duas organizações que atribuem papel estruturante à direção política, à formação ideológica e à preservação de suas tradições revolucionárias.
Durante a visita, Xi e Kim plantaram juntos um abeto na área arborizada entre os prédios de ensino. A árvore, que permanece verde ao longo do ano, foi apresentada como símbolo da amizade duradoura e sempre renovada entre a China e a RPDC. O gesto sintetizou a mensagem central do encontro: a intenção de preservar a relação bilateral como legado histórico e projeto político para o futuro.
Importância para o socialismo
O encontro também ganha relevância por seu significado para o socialismo. Ao valorizar a formação de quadros, a memória revolucionária e a educação das novas gerações, China e RPDC indicam que a continuidade de seus projetos políticos depende não apenas da cooperação diplomática, mas também da transmissão de valores, experiências e referências históricas.
A reafirmação da amizade tradicional entre a China e a RPDC aponta para uma articulação entre soberania nacional, estabilidade política e continuidade socialista. No cenário internacional contemporâneo, marcado por disputas geopolíticas e pressões sobre modelos alternativos de desenvolvimento, a relação China-RPDC é apresentada pelos dois países como parte de uma trajetória própria, baseada em independência, memória comum e cooperação entre partidos.
A cerimônia na Torre da Amizade, a visita à escola de formação do PTC e o plantio conjunto do abeto compuseram uma sequência de gestos cuidadosamente simbólicos. Eles reforçaram a ideia de que a aliança entre China e RPDC não se limita a interesses imediatos, mas se apoia em uma perspectiva histórica de longa duração e em uma agenda política voltada à permanência desses laços nas próximas gerações.
Ao final da agenda, a mensagem transmitida por Xi Jinping e Kim Jong Un foi de continuidade. A amizade China-RPDC, apresentada como patrimônio político e histórico dos dois povos, foi reafirmada como eixo de cooperação, memória e orientação estratégica em um momento de crescente disputa geopolítica global.
