Bahia debate Paz, solidariedade, antiimperialismo e integração

A Bahia realizou no último dia 9 de julho a sua etapa preparatória da 2ª Assembléia Nacional do Cebrapaz que terá lugar no Rio de Janeiro de 24 a 26 de julho. A mesa dos trabalhos foi composta por Javier Alfaya, deputado estadual, membro do Conselho Nacional do Cebrapaz e um dos responsáveis pelo núcleo baiano da entidade, Antonio Barreto, da direção nacional e também do núcleo estadual, Muniz Ferreira, professor de História Contemporânea e José Reinaldo Carvalho, jornalista e escritor, especialista em política e relações internacionais e membro da diretoria nacional do Cebrapaz.

 

 

Assembl.BA mesa

Estiveram presentes entre ativistas do movimento social, dirigentes sindicais e militantes políticos, o presidente do PCdoB na Bahia Péricles de Souza, os deputados federais Daniel Almeida e Alice Portugal, as vereadoras de Salvador Aladilce Souza e Olívia Santana, o dirigente da CTB da Bahia, Aurino Pereira, e o do Sindicato dos Médicos, Cayres Meira.

Mais de 30 pessoas estão inscritas para compor a delegação baiana à Assembléia Nacional e a grande tarefa do momento é viabilizar o deslocamento até o Rio de Janeiro para assegurar a participação.

Fato histórico inédito
O professor Muniz Ferreira fez uma conferência sobre a Integração da América Latina e a Luta pela Paz. Saudando os presentes, disse que a Assembléia do Cebrapaz é "evento da máxima importância" num momento em que a humanidade vislumbra "novos horizontes para a cooperação e a integração". Disse que a América Latina está vivendo um novo momento e contrastou o alento e a esperança que se vive agora com o período mais recente em que o mundo viveu as tensões próprias de uma "política baseada em conceitos de segurança, guerra ao terror e intervencionismo por parte dos Estados Unidos".

Ao analisar os processos atuais da integração latino-americana, o professor Ferreira assinalou tratar-se de algo com "enorme significado do ponto de vista histórico, por tratar-se de fato novo original e que representa uma mudança de rumo em relação ao que caracterizou no passado a relação do Brasil com seus vizinhos". "Sendo um país de economia periférica e dependente, o Brasil gravitava em torno das grandes potências". Com relação aos vizinhos, na opinião do professor, as relações eram "pacíficas mas de indiferença ou de tensões abafadas e desconfianças recíprocas". "Era a pior possível – disse Muniz Ferreira -a interação com o cone sul, tendo havido cooperação apenas entre as ditaduras militares, com a integração entre os aparatos repressivos, no que se tornou conhecido como Operação Condor".

Na fase posterior às ditaduras, surgiu a globalização que num primeiro momento traduzia-se na América Latina como subordinação da região às potências econômicas. "É nesta fase que se torna claro que a alternativa passa a ser os blocos regionais, abrindo-se condições para o debate sobre a integração e o Mercosul".

Em seguida, o professor Muniz Ferreira apresentou os aspectos que demonstram por que a fase atual dos processos de integração é nova e original.

Primeiro porque, em contraste com o passado, em que os países latinoamericanos "viveram situações adversas de dependência, atraso e subalternização", os governos atuais estão fazendo esforços para "redefinir a inserção dos seus países no mundo, numa fase pós-neoliberal em que os governos passam a lutar por soberania e resistem à subordinação".

Busca de alternativas
Em segundo lugar, o professor vê uma "busca comum de alternativas, como traço novo e original".
Em terceiro lugar, "os processos de integração adquirem uma inédita intensidade". Em quarto lugar, não são processos apenas no âmbito comercial e econômico. Na sua visão a integração atual é "multifacética".

Por fim, o professor Muniz Ferreira destacou que a grande novidade é que são os próprios países latinoamericanos os protagonistas da integração, em contraste com o passado quando os Estados Unidos exerciam na região um papel desestabilizador e era a potência que definia os rumos a serem percorridos.

Assembl.BA plateia

Antiimeprialismo, espírito da época
José Reinaldo Carvalho saudou os presentes em nome do Cebrapaz e conclamou os militantes baianos a organizarem uma delegação numerosa, forte e representativa à Assembléia Nacional.
Ele lembrou que o antiimperialismo é o espírito da época e está na essência de uma política transformadora, não havendo nenhuma contradição entre a luta antiimperialista, a questão nacional e as lutas democráticas e sociais do povo brasileiro. "Não se pode conceber – disse Reinaldo – a questão nacional dissociada de um sistema de dominação montado no Brasil numa aliança entre o imperialismo e as classes dominantes nativas.

Por isso a luta antiimperialista está intrinsecamente ligada ao combate cotidiano do povo brasileiro contra o sistema de dominação da grande burguesia monopolista associada e a oligarquia financeira, aliança que subjuga o país e o mantém na órbita do poder geopolítico do imperialismo".

O dirigente do Cebrapaz discorreu ainda sobre a correlação existente entre a luta pela paz e a solidariedade com os povos agredidos ou ameaçados e referiu-se à necessidade de cultivar na militância dos movimentos populares o espírito internacionalista e defendeu que deve ser um "internacionalismo de massas, o internacionalismo do povo brasileiro"

Crise do panamericanismo
José Reinaldo também abordou o novo momento político por que passa a América Latina e reafirmou que para o Cebrapaz a região se destaca como o "continente rebelde" e o "mais promissor local do mundo para o desenvolvimento das lutas antiimperialistas na atualidade". Ressaltou que o "panamericanismo tal como foi concebido e implantado desde o início do século 20 pelos Estados Unidos, entrou em profunda crise". "O imperialismo norte-americano está isolado – ressaltou – e são as forças progressistas que protagonizam a integração e as relações políticas internacionais na região". O dirigente insistiu em que os "interesses dos Estados Unidos e os da América Latina são antagonicamente opostos" e que, ainda que se deva tomar em consideração a tentativa da nova Administração norte-americana de mudar suas táticas e a linguagem, "os movimentos populares não deve nutrir ilusões quanto à mudança da natureza do imperialismo e à existência de um imperialismo ‘benigno'".

Chamou a atenção para a existência de três governos reacionários e pró-estadunidenses na região – os da Colômbia, do México e do Peru, que precisam ser derrotados. E para o que considerou "sinais negativos" na situação – o golpe em Honduras e o desgaste eleitoral das forças democráticas que governam a Argentina. "Esses episódios mostram que as batalhas não estão ganhas e que devemos preparar-nos para impedir os retrocessos".

Por fim, o diretor do Cebrapaz lembrou que na Assembléia Nacional a entidade se pronunciará sobre os grandes temas da atualidade internacional, como a crise no Oriente Médio, a luta do povo palestino, o combate à militarização e às armas nucleares, com destaque para a luta contra a IV Frota dos EUA, a crise na península coreana, as guerras do Iraque e Afeganistão e as ameaças que pairam contra o Irã e outros países. Reinaldo informou que a partir desta Assembléia o Cebrapaz intensificará as campanhas de solidariedade com a Venezuela, a Bolívia e Cuba, sobretudo a luta contra o bloqueio e pela libertação dos cinco patriotas presos nos Estados Unidos.

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*Jornalista e diretor de Comunicações do Cebrapaz

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