Gaza: soldados israelenses confessam atrocidades

Os depoimentos foram compilados pela organização Breaking the Silence, formada por veteranos de Israel, e são de arrepiar.

Os soldados israelenses destacados para a Faixa de Gaza tinham ordens para disparar sem distinguir entre civis e combatentes leais ao Hamas. É esta a ideia comum aos depoimentos atribuídos a 14 soldados operacionais e 12 reservistas do Exército israelense.

Um dos soldados relatou: "Se não tiverem a certeza, matem. Avançamos e as explosões eram simplesmente loucas. A partir do momento em que chegamos ao ponto de partida, começamos simplesmente a disparar contra locais suspeitos. Na guerra urbana, qualquer pessoa é o nosso inimigo. Não há inocentes".

Uma das táticas tinha o nome de "procedimento de vizinho": as tropas israelenses obrigavam civis palestinos a entrarem em edifícios suspeitos antes de um ataque, de forma a dar maior cobertura aos soldados.

Eis outros relatos: "Abrimos fogo e não fazemos perguntas". "Disseram-nos que deviamos arrasar toda a área envolvente". "O meu comandante disse-me, meio a rir, meio a sério, que essas demolições podiam acrescentar-se à sua lista de crimes de guerra". "Se algumas vez nos falaram de inocentes, foi para dizermos que não havia inocentes".

Outra das táticas, com o nome de código "o dia seguinte", consistia na destruição sistemática e total de casas e infra-estruturas nas zonas próximas da linha de fronteira com Israel, criando-se assim as condições para futuras operações militares.

Isto incluia disparos indiscriminados na direção de caixas d'água, em um momento em que a Faixa de Gaza se debatia com a escassez daquele bem essencial. É também citado o uso de munições de fósforo branco contra a população civil, uma prática abrangida por uma alegada estratégia de "destruição em massa que não estava relacionada com qualquer ameaça direta às forças israelenses".

A componente religiosa também desempenhou o seu papel. Distribuiram-se panfletos com o selo do exército pelos soldados que diziam coisas messiânicas e apocalípticas: "os palestinos são alienígenas nesta terra", "esta é uma luta entre a luz e a obscuridade", "os palestinos são os filhos da obscuridade e nós os filhos da luz".

A agressão terrestre de Israel na faixa de Gaza teve início em 27 de dezembro de 2008, e teria provocado cerca de 1.417 mortos, entre os quais 926 civis. As Nações Unidas citam ainda a destruição de mais de 50 mil casas, 200 escolas, 800 propriedades industriais, 39 mesquitas e duas igrejas.

Os testemunhos anônimos – um homem identificado como sargento Amir é a única excepção – espalhados nas 112 páginas do relatório vão ao encontro das posições assumidas por múltiplas organizações de defesa dos Direitos Humanos, que acusam a engrenagem de guerra israelense de empregar, de forma sistemática e indiscriminada, um poder bélico de grande desproporção.

Reagindo ao relatório da Breaking the Silence, as Forças de Defesa de Israel (eufemismo israelense para suas tropas de ocupação), pela voz da tenente-coronel Avital Leibovich, procuraram diminuir o seu conteúdo, considerando-o "boatos ou rumores".

Por sua vez, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, reage em sentido semelhante, alegando que as tropas do seu país são "um dos exércitos mais morais do Mundo, que se comporta de acordo com o mais elevado código ético".

Fonte: www.vermelho.org.br

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