Manifestação em Brasília apoia retorno de Zelaya ao poder

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que está em visita ao Brasil, esta semana, recebeu apoio do Cebrapaz e movimentos sociais, sindicais e estudantis na manifestação em frente à Embaixada de Honduras, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (12). Os manifestantes consideram o golpe militar um risco para a paz e a democracia em toda a América Latina.

“Jamais/ Jamais/ Jamais vou aceitar/ As bases na Colômbia/ E o Golpe militar”, gritaram os manifestantes em frente ao prédio, após os discursos contrários à deposição de Zelaya do governo hondurenho e à instalação das bases militares pelos Estados Unidos na Colômbia.

Duas grandes faixas complementavam as palavras de ordem: Uma pedia “Paz na América do Sul/ Fora as bases militares da Colômbia”, e a outra queria “Democracia em Honduras/ Retorno imediato de Zelaya ao poder”.

Para Leandro Cerqueira, da União de Juventude Socialista (UJS), os dois eventos estão ligados à proposta dos Estados Unidos de se tornarem “polícia do mundo”. Ele diz que é chegada a hora do Presidente Barack Obama, que se diz um democrata, desativar as 20 bases militares dos Estados Unidos na América Latina e retirar a 4a Frota que faz exercícios militares no mar da região.

Moysés Leme, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), disse que a visita de Zelaya ao Brasil é o momento oportuno para que a sociedade brasileira se manifeste contra o golpe em Honduras, “que teve a concessão americana (Estados Unidos da América) para acontecer.”

Ele lembrou que o que vê hoje em Honduras já vimos no Brasil, toque de recolher, censura e perseguição àqueles que querem a volta do governo democraticamente eleito e escolhido pelo povo. “Queremos a liberdade do povo de Honduras”, disse o líder sindical, assinalando que “o que provocou o golpe foi a decisão de Zelaya de querer implantar um sistema mais democrático no país, de discutir o socialismo.”

Vítor Guimarães, membro da Cabrapaz, que também falou aos manifestantes, afirmou que “quem defende a paz do mundo repudia a atitude do governo dos Estados Unidos que quer dialogar com o governo golpista”. Segundo ele, a manifestação deve servir de guia para o Presidente Lula sobre a posição do povo brasileiro. “O povo brasileiro não aceita o governo golpista e a intervenção nos nossos países e se posiciona em defesa da nossa soberania”. 

Repúdio unânime

O governo brasileiro, conforme nota oficial do Itamaraty divulgada nesta terça-feira (11), apoiou todas as resoluçoes da Organizaçao dos Estados Americanos (OEA), as declaraçoes do Mercosul, da Uniao das Naçoes Sul-americanas (Unasul) e do Grupo do Rio, “na perspectiva de um retorno pacífico e imediato do Presidente Zelaya”.

Desde que foi deposto por militares e enviado à Costa Rica em 28 de junho, Zelaya tem tentado retornar ao seu país. Embora o golpe tenha sido condenado por todo o continente e por organismos internacionais, o governo de fato liderado pelo presidente Roberto Micheletti não cedeu às pressoes crescentes para permitir o retorno de Zelaya. O atentado à democracia em Honduras recebeu o repúdio unânime de todas as naçoes do mundo.

(De Brasília, Márcia Xavier – Foto: Iberê Lopes)

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