Organizações fortalecem campanha contra instalação de bases estrangeiras

Os países da América Latina e do Caribe têm ainda um longo caminho de luta a percorrer contra as instalações de bases militares estrangeiras em seus territórios. Por isso, neste ano, organizações e movimentos sociais que lutam pela paz e a desmilitarização das Américas estão fortalecendo e dando continuidade à campanha “América Latina é de Paz — Fora Bases Militares Estrangeiras”.

A iniciativa foi lançada em São Paulo no dia 10 de dezembro de 2009, Dia Internacional dos Direitos Humanos, e em pouco tempo se espalhou pela América Latina. Centenas de organizações já abraçaram a campanha e estão desenvolvendo atividades para debater e combater a militarização do território latino-americano.

No ano passado, atividades como o I Seminário de Paz e pela Abolição das Bases Militares Estrangeiras (Cuba), o Encontro de Mulheres e Povos das Américas contra a Militarização (Colômbia), o III Encontro Sindical Nossa América (Venezuela) e até a Cúpula dos Povos em Defesa da Mãe Terra (Bolívia), que contemplou debates sobre ‘Segurança, militarização e mudanças climáticas’, marcaram a agenda da campanha.

Neste ano, a iniciativa terá continuidade com mobilizações em vários países da AL. “Uma campanha como esta, contra as bases militares estrangeiras, é de longa duração, pois é uma luta para consolidar a soberania dos povos e eliminar a ingerência de potências estrangeiras em nossos territórios”, esclareceu Rubens Diniz, Secretário Geral do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz).

De acordo com Diniz, em 2010, a campanha promoveu debates no sentido de vincular, por exemplo, a luta contra as bases militares estrangeiras com temas como as mudanças climáticas. O debate encontra um ponto de interseção quando se relembram as tensões geradas por potências que querem controlar os recursos naturais de outros países.

“Neste ano, queremos avançar na construção da campanha em nível nacional. Em fevereiro cada país estará organizando, estruturando e consolidando a campanha em sua região. Queremos promover no Brasil, onde não há bases militares, o debate sobre a permanência de bases em países como a Colômbia e gerar uma reflexão sobre a intenção da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] de luta contra o narcotráfico nas águas do Atlântico Sul, onde foi encontrado petróleo”.

Até junho, a agenda da Campanha já está definida. Nela estarão presentes uma Conferência Continental de luta contra as bases estrangeiras e o colonialismo, o II Seminário de Paz e pela Abolição das Bases Militares Estrangeiras em Guantánamo, Cuba; a Jornada Continental de solidariedade com Honduras e debates sobre o tema no Fórum Social Mundial em Dacar, no Senegal.

Como parte da campanha, Diniz informou ainda que serão confeccionados vídeos e cartilhas para conscientizar a população, explicar o que são as bases e quais as implicações de sua instalação e permanência dentro do território latino-americano.

Máquina de guerra

Ao mesmo tempo em que os países da América Latina lutam por liberdade e pelo fim da ingerência de grandes potências sobre seus territórios, países como os Estados Unidos alimentam a cada dia mais sua máquina de guerra. Apenas o governo estadunidense investe 1,5 trilhão de dólares em gastos militares. Valor que corresponde a 43% dos gastos militares em todo o mundo.

Com essa soma, os EUA conseguem manter mais de 500 bases militares fora de seu território. Algumas se encontram em Cuba, Colômbia, Japão, Afeganistão, Iraque, Alemanha, entre outros. De acordo com o Relatório da Estrutura de Bases de 2010, publicado pelo Departamento de Defesa estadunidense, as forças armadas dos EUA agora mantém 662 localizações estrangeiras em 38 países. Todas, ou grande parte das bases instaladas sob a alegação de combater o narcotráfico, apesar das evidentes intenções de controlar recursos naturais importantes como o petróleo.

Fonte: Agência Adital

 

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