Socorro Gomes: “América Latina tem vocação para a paz”

Durante a Conferência Internacional “A Integração Latino-Americana e a Luta pela Paz”, realizada nos dias 17 e 18 últimos, Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, entidade promotora do evento, destacou o momento histórico de grandes transformações progressistas que a América Latina está vivendo.

Entre estas transformações, está, segundo ela, o aumento das convicções dos povos de que “a América Latina tem vocação para a Paz”. A presidente do CMP denunciou a crescente militarização “imposta pelos Estados Unidos e seus aliados, por terra, mar e ar, que gera insegurança e é uma ameaça constante às nossas soberanias”.

Por outro lado, Socorro observou o crescimento da luta pela integração dos povos latino-americanos “no rumo de um objetivo comum, que é a autodeterminação, a soberania plena dos países da região para o progresso da humanidade” .

O pronunciamento da dirigente também incluiu um balanço da luta pela paz nos últimos anos, “mobilizando gente de todos os quadrantes do planeta”. Ela assinala que “o próprio povo dos Estados Unidos rejeita o belicismo desenvolvido por seus governos”, dando como exemplo a conferência de Seatle, “um momento exemplar”, e constatando que no cotidiano daquele país há mais e mais manifestações em defesa dos direitos humanos e da paz. O mesmo ocorre na Europa, segundo ela, onde cresce a olhos vistos o movimento por um mundo melhor, resistindo aos ataque aos direitos dos trabalhadores e à paz.

Socorro Gomes destacou ainda que a humanidade vive um contexto em que crescem as agressões do imperialismo dos Estados Unidos e de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao redor do mundo. O Norte da África, o Oriente Médio e boa parte da Ásia e das Américas sofrem todos os dias novas agressões, com invasões de países, bombardeios atingindo populações civis, espalhando o terror, a morte e a destruição em todos os quadrantes.

Ela repudiou as agressões contra a Líbia e o agigantamento da máquina de guerra dos Estados Unidos, sobre a qual fez minuciosa análise baseada em dados da atualidade.

Leia a íntegra do pronunciamento da presidente do Conselho Mundial da Paz:

Esta Conferência ocorre em um momento histórico, muito importante para a América Latina. As conquistas na luta anti-imperialista nessa região têm sido marcantes, a começar pela decisão de povos que elegeram governantes com uma postura mais altiva, em defesa da soberania de suas nações.

Com isso, cresce também em toda a região a consciência de que a América Latina tem vocação para a Paz. A pressão do imperialismo, no entanto, muitas vezes traz instabilidade e até provoca conflitos nessa parte do mundo. A militarização imposta pelos Estados Unidos e seus aliados, por terra, mar e ar, gera insegurança e é uma ameaça constante às nossas soberanias.

Por outro lado, contudo, cresce a luta e pela integração dos povos latino-americanos no rumo de um objetivo comum, que é a autodeterminação, a soberania plena dos países da região para o progresso da humanidade. A integração solidária progressista joga nisso um importante papel. Todos sabem, porém, que essa tarefa não fácil. Mas temos certeza de que ela é possível.

A incessante luta pela Paz no mundo tem mobilizado gente de todos os quadrantes do Planeta. Vemos isso nos eventos internacionais que se repetem num volume crescente e reforçam, dia após dia, a consciência de que as novas gerações só conseguirão um futuro de progresso e justiça se conseguirmos a Paz.

O próprio povo dos Estados Unidos rejeita o belicismo desenvolvido por seus governos. A conferência de Seattle foi um momento exemplar, mas no cotidiano daquele país há mais e mais manifestações em defesa dos direitos humanos e da Paz. O mesmo ocorre na Europa, onde cresce a olhos vistos o movimento por um mundo melhor, resistindo aos ataque aos direitos dos trabalhadores e à Paz.

Ano após ano, o Fórum Social Mundial avança no sentido de aparar diferenças e fazer com que o movimento popular cresça no mundo inteiro, no caminho da justiça, soberania e da Paz.

Por todas essas razões é que estamos aqui, agora, para tratarmos da integração latino-americana e da luta pela Paz. Sairemos daqui com propostas concretas de ações que nos levem a cumprir os objetivos aqui propostos. Disso eu tenho certeza. E, ao tratarmos de um tema aparentemente regional, estamos, em verdade, debatendo o panorama mundial.

Vivemos em um contexto em que crescem as agressões do imperialismo dos Estados Unidos e de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao redor do mundo. O Norte da África, o Oriente Médio e boa parte da Ásia e das Américas sofrem todos os dias novas agressões, com invasões de países, bombardeios atingindo populações civis, espalhando o terror, a morte e a destruição em todos os quadrantes.

As agressões contra a Líbia, que extrapolam todos os princípios de soberania e autodeterminação dos povos, com bombardeios que atingem e matam populações civis, numa ciranda de horror e crime contra a humanidade. A decisão inicial do Conselho de Segurança da ONU, de criar uma zona de exclusão aérea na Líbia, abriu caminho para uma guerra de pilhagem, que hoje se aplica também no caso da Síria. São ações que apenas reproduzem uma política que há muito o imperialismo vem praticando naquela região. Mas não é só naquela parte do mundo.

Na Ásia, persiste a presença avassaladora no Afeganistão, com sérias agressões também ao Paquistão. A Paz não voltará a essa região enquanto não forem retiradas as tropas americanas que ali implantaram medo e terror. O controle físico desses territórios, com pesados armamentos, espalhando morte, destruição e permanente pressão psicológica não podem mais ser tolerados.

Falam em defesa de civis quando destroem países e assassinam milhares de civis como no Iraque, Afeganistão e Paquistão, e sustentam o genocida estado sionista de Israel contra o povo palestino.

Os maiores crimes contra a humanidade foram cometidos pelos EUA com o lançamento das bombas sobre Hiroshima e Nagasaki e nunca foram punidos. O povo do Vietnã sofre até hoje as consequências do lançamento do agente laranja sobre essa nação.

Os argumentos que as potências imperialistas usam se contradizem com suas próprias ações no continente asiático. E a permanente presença no Japão, onde suas inúmeras bases, explícitas e camufladas, humilham aquele povo e servem para um amplo controle militar de toda região.

Hoje, se alguém encostar aleatoriamente o dedo sobre o mapa do mundo, por certo indicará uma alguma base militar das grandes potências. São tantas as instalações belicistas dos Estados Unidos (EUA) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que todos os países do mundo são vigiados e intimidados de perto a todo instante.

Também os oceanos e mares estão, todos eles, repletos de embarcações militares imperialistas, prontas a entrar em operação a qualquer momento, em qualquer lugar. São forças que se movimentam constantemente, num tenebroso e ameaçador desfile da arrogância e da prepotência. Um exemplo maior desse crescente controle é o assustador aumento da presença da marinha americana no Oceano Índico.

E no campo nuclear, que serve de justificativa para invasões e agressões, o setor tem recebido permanente incentivo do governo de Barack Obama. Não é possível hoje se dimensionar com segurança o tamanho do arsenal nuclear dos Estados Unidos. Mas é certo que se trata de uma ameaça permanente a toda a Humanidade.

As armas nucleares, que são fundamentais na atual corrida armamentista, são uma ameaça muito maior do que as mudanças climáticas que assombram o mundo. Se fosse detonada uma mínima parcela das 23 mil ogivas atômicas armazenadas, a humanidade seria extinta. A resolução da Assembleia Geral da ONU, de janeiro de 1946, que determina a eliminação das armas nucleares, jamais foi cumprida pelos Estados Unidos e seus aliados, que inclui o Estado de Israel, o único no Oriente Médio que tem bombas atômicas.

Vivemos em um mundo que é como se as famílias de nossas comunidades urbanas e rurais dormissem todas as noites com um policial armado em suas portas e telhados. Pois é desta forma que as nações do mundo são tratadas, com o agravante de que esses países centrais, apesar da crise econômica instalada em 2009, aumentaram de forma assustadora os gastos com armas e ações militares em 2010 e início de 2011. Especialmente os Estados Unidos.

Segundo confirma o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), durante o pior ano desta crise econômica, que foi 2009, o governo de Washington aumentou em 7,2% seus gastos em equipamento militar. Isto significa um gasto de 661 bilhões de dólares, ou seja, 41 bilhões de dólares a mais do que no ano anterior.

A estrutura das Forças Armadas dos Estados Unidos, que é diferente da maioria das demais nações do mundo, facilita nos dias atuais a manutenção de suas perto de mil bases militares espalhadas pelo mundo. Há um comando fechado, mas descentralizada, com tentáculos ágeis e com grande autonomia de ação.

Essa estrutura é dividida de modo a confundir sua forma de ação. O exército dos Estados Unidos é uma só força, mantendo em atividade, em março de 2011, cerca de 380 mil componentes, entre homens, mulheres e pessoal administrativo.

São gastos extraordinários com pessoal, hoje só comparáveis aos picos ocorridos na Segunda Grande Guerra e nas guerras da Coreia e do Vietnã. Os dados oficiais do Departamento de Defesa dos Estados Unidos dão conta de um contingente de cerca de 2,4 milhões de pessoas engajadas. Desse total, 1,5 milhão está em serviço militar regular, mas outros 900 mil são considerados “adicionais”. Ou seja, são mercenários empregados em ações pelo mundo afora.

Os maiores contingentes estão no Afeganistão (71 mil pessoas), Iraque (50 mil), Alemanha (53 mil), Japão (36 mil), República da Coreia (30 mil). Mas um enorme efetivo está espalhado por 135 países onde existem cerca de 850 bases das Forças Armadas daquele país.

Na parte aérea existe a United States Air Force, que mantém um efetivo de 40 mil homens e cerca de 2 mil aviões e helicópteros. Entretanto, essa força só cuida das atividades a partir de solo firme, ou seja, as aeronaves operadas a partir de navios porta-aviões são da Marinha.

E a Marinha, que é a mais expansiva e tentacular das três armas dos Estados Unidos, é dividida em três partes. A primeira é a Marinha, com suas amedrontadoras frotas de navios de guerra e os porta-aviões. A segunda é dos famigerados Mariners, que operam em terra, a partir de apoio naval. E a terceira é a Guarda Costeira, com forças regulares que se confundem com as do Exército.

O plano militar dos EUA, já no governo Obama, aprofunda as determinações hegemônicas da maior potência agressora do planeta, explicitado no relatório quadrienal de revisão da política de defesa, QDR, de fevereiro de 2010, e a revisão da política nuclear, NPR, de abril de 2010.

O novo governo, além de aprovar um orçamento militar que é superior ao de todos os demais países do mundo somados, explicita um leque de objetivos que acentua o aspecto militar como instrumento da hegemonia estadunidense no mundo. O relatório proclama que “os interesses dos Estados Unidos e seu papel no mundo exigem Forças Armadas com capacidade a tudo que se conhece”, defende que “o domínio continuado das Forças Armadas norte-americanas nas guerras de larga escala de exército contra exército”.

Tais propósitos são traduzidos num vasto elenco de metas militares, que são: “expandir a capacidade de ataque de longa distância, explorar as vantagens das operações subterrâneas, garantir o acesso ao espaço e ao uso de recursos espaciais”, etc.

Entre as metas militares, o QDR acentua a presença das forças militares dos EUA em todo o mundo. São ameaças que colocam para os partidários da Paz a necessidade de ampliar e aprofundar a Luta em defesa da Paz, indissociável da Luta por soberania e autodeterminação dos povos.

É condição fundamental para a própria sobrevivência da Humanidade o desmonte da máquina de horrores e destruição, assim é que o Conselho Mundial da Paz tem promovido e apoiado campanhas pelo desmantelamento da Otan, pelo desmonte das bases militares estrangeiras nos países em todo o mundo, a começar pela de Guantânamo, em Cuba, um verdadeiro campo de concentração, bem como pela destruição total das armas nucleares.

Também é urgente o fim do boicote econômico a Cuba, agora aplicado também em outros países, como a Venezuela. Da mesma forma, devem ser colocados em liberdade os cinco patriotas cubanos presos e maltratados nos Estados Unidos por lutarem contra o terrorismo.

A Humanidade não pode mais conviver com as ameaças e o terrorismo contra povos e nações que é inerente à natureza imperialista. Uma Terceira Guerra Mundial certamente significaria o fim da Humanidade.

O CMP sinaliza para a necessidade cada vez mais forte de unificarmos de cada vez mais unificarmos nossa luta nos diversos continentes.

Pelo Estado da Palestina já!
Fora as bases militares estrangeiras!
Viva a Paz e a Solidariedade entre os povos!
Muito obrigada!

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