Médicos cubanos desempenham papel audaz e essencial para enfrentar o Ebola, reconhece o New York Times

Cuba tem atuado decisivamente no combate ao vírus Ebola, disseminado a ritmo acelerado pela África ocidental e que já atingiu os Estados Unidos e a Europa. A ilha revolucionária tem enviado médicos e enfermeiros capacitados para contribuir com o trabalho de evitar a propagação do Ebola, que já ceifou 4.555 vidas entre os 9.915 casos relatados até o momento, de acordo com a Organização Mundial da Saúde e o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Recentemente, até mesmo o jornal The New York Times reconheceu o papel fundamental da resposta cubana, uma ilha que continua enfrentando o embargo e o cerco estadunidense imposto ainda na década de 1960.

 

Foto: AFP

Cuba tem superado uma distância de mais de sete mil quilômetros dos países africanos em que o Ebola tem ameaçado a população, sobretudo Serra Leoa, Libéria e uma região da Guiné, para prestar sua contribuição essencial. Embora a Nigéria e o Senegal já tenham sido declarados pela Organização Mundial da Saúde como livres do vírus, o desafio ainda é preocupante. Apesar das barreiras que enfrenta, porém, desenvolvendo a área da saúde e a medicina que chegou a ser mundialmente reconhecida como exemplar, Cuba tem desempenhado um dos principais papeis na mobilização contra a disseminação do Ebola.

Em 19 de outubro, um artigo do New York Times reconhecia este papel, embora fizesse a ressalva de que a atuação cubana também visasse “melhorar sua posição internacional assediada”. Cuba continua demonstrando a importância do estabelecimento de relações globais de verdadeira cooperação, dando prioridade às pessoas afetadas por mazelas e enfermidades e não aos exércitos e às armas. Por isso, afirmou o artigo, sua atuação deveria ser “aplaudida e imitada”. 

“O pânico global sobre o Ebola não foi respondido adequadamente pelas nações que têm mais a oferecer. Enquanto os Estados Unidos e vários outros países ricos têm estado contentes a oferecer fundos, apenas Cuba e algumas organizações não-governamentais estão oferencendo o que é mais necessário: profissionais médicos na área. Os doutores na África ocidental precisam desesperadamente de apoio para estabelecer locais de isolamento para detectar a doença mais cedo,” afirmou o artigo.

O vírus também já foi detectado nos EUA e na Europa. “É uma pena que Washington, o maior doador na luta contra o Ebola, esteja diplomaticamente afastado de Havana, o contribuidor mais audaz.” Por isso, continua o texto, o que está em jogo deveria servir “como um lembrete urgente ao governo Obama de que os benefícios de um movimento rápido para restaurar as relações diplomáticas com Cuba pesam muito mais do que os inconvenientes.” 

Os trabalhadores da saúde cubanos estão expostos e devem receber a assistência necessária, ressaltou o artigo, lembrando das instalações mantidas pelos EUA – e os mais de 500 soldados – na região e que serviriam para a evacuação de médicos que por acaso sejam infectados. O secretário de Estado norte-americano John Kerry chegou a saudar timidamente o trabalho dos cubanos, “que beneficiará todo o esforço global e deve ser reconhecido por isso,” admite o texto.

Cuba tem enviado médicos e enfermeitos para diveras regiões do planeta, desde as afetadas por desastres e dramas como a atual disseminação do Ebola até regiões carentes de especialistas e médicos capacitados. Ainda em 2005, quando o furacão Katrina atingiu a esquecida Nova Orleans, nos EUA, o governo norte-americano recusou a oferta cubana de cooperação com o envio de médicos. 

Já na África ocidental estão 460 médicos e enfermeiros treinados pelo governo de Cuba, com apoio técnico da Organização Mundial da Saúde, sobre as precauções para o tratamento de pessoas infectadas por um vírus altamente contagioso. De acordo com o jornal, os primeiros 165 profissionais chegaram a Serra Leoa nos últimso dias. José Luis Di Fabio, o representante da OMS em Havana, disse que a equipe cubana está particularmente preparada para a missão porque muitos profissionais cubanos já haviam trabalhado na África. “Cuba tem profissionais médicos muito competentes”, disse Fabio, que é uruguaio.

“Fabio disse que os esforços de Cubapara ajudar em emergências de saúde no exterior são entravados pelo embargo imposto pelos EUA à ilha, que luta para conseguir equipamentos mais modernos e para manter suas prateleiras médicas adequadamente abastecidas,” disse o artigo, que fez referência a uma coluna do líder Fidel Castro no jornal cubano Granma afirmando que os EUA e Cuba têm de deixar de lado suas diferenças, ao menos temporariamente, para combater este surto fatal. “Ele tem toda a razão”, conclui o texto. 

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