“Ocupação e Resistência na Palestina”: Embaixador e professor de Gaza apelam à solidariedade internacional

O primeiro dia do ciclo “Ocupação e Resistência na Palestina”, organizado pelo núcleo de São Paulo do Cebrapaz, contou com a participação do embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, do professor Refaat Alareer, da Universidade Islâmica de Gaza, e Moara Crivelente, do Cebrapaz. O debate, realizado no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, enfatizou a importância da solidariedade global com a justa causa do povo palestino pelo fim da ocupação e da impunidade israelenses.

Falando desde Gaza através do Skype, o professor Refaat Alareer, que editou dois livros de contos sobre a Palestina ocupada e agredida (“Gaza Writes Back”, de 2014, e “Gaza Unsilenced”, de 2015, ainda sem tradução para o português), contou sobre a atual situação no território sitiado por Israel e pelo Egito desde 2007. “Se tivermos sorte, temos até 10 horas de energia elétrica por dia, mas a média é de quatro horas, já que Israel, no ano passado, destruiu a única planta de energia de Gaza”, disse Alareer, que usava o restante de bateria do seu computador para a chamada por Skype.

Sobre o novo livro, “Gaza Unsilenced”, que editou com Laila el-Haddad (autora de “Gaza Mom” e “Gaza Kitchen”), Refaat Alareer conta que o conjunto de contos marca a última ofensiva israelense contra Gaza – entre 8 de julho e 26 de agosto de 2014 – com “vozes de dentro e de fora de Gaza, que testemunham de forma poderosa os ataques israelenses e os efeitos do bloqueio devastador, que continua a estrangular o povo de Gaza muito tempo depois da ofensiva.”

Para o professor, a unidade nacional palestina é prioridade diante da luta contra a ocupação israelense, e a solidariedade internacional, neste esforço, é fundamental. Alareer abordou a atual situação de Gaza, onde o material de construção necessário para reerguer as mais de 10 mil casas e outra infraestrutura devastada pela ofensiva israelense é barrado pelo bloqueio, assim como a movimentação, inclusive de estudantes que procuram deixar o território.

O Embaixador da Palestina, Ibrahim Alzeben, também enfatizou a ocupação israelense como o principal alvo da causa palestina pela libertação e pelo fim da violência, instando os movimentos sociais e partidos solidários ao povo palestino a reforçar a luta pela responsabilização da liderança israelense pelos crimes de guerra cometidos durante da ofensiva contra Gaza e no contexto generalizado da ocupação.

Alzeben reiterou o compromisso dos palestinos com a paz e com a diplomacia, recordando que o conflito, que já dura quase 70 décadas, não é uma disputa religiosa entre muçulmanos e judeus, é uma questão de colonização e de ocupação. O Embaixador reafirmou a importância da solidariedade internacional na defesa do direito internacional, das resoluções das Nações Unidas que reconhecem os direitos do povo palestino à autodeterminação e aos acordos já assinados – como os Acordos de Oslo, da década de 1990 – que a Palestina cumpre, mas Israel ignora.

O Embaixador também explicou aspectos da ocupação da Palestina – fragmentada, deliberadamente, entre Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, esta ilegalmente anexada por Israel em 1981. A segregação é evidente tanto nos territórios palestinos ocupados quanto dentro de Israel, onde 20% da população é palestina. Para Alzeben, o fim da impunidade israelense é uma meta central para a transformação da situação e para o fim da ocupação.

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Thiago Cassis, do núcleo de São Paulo do Cebrapaz, apresenta o ciclo

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O ciclo organizado pelo Cebrapaz estende-se até 26 de agosto, quando foi declarado, em 2014, o cessar-fogo entre Israel e o Hamas – após as mortes de mais de 2.200 palestinos, dos quais 1.462 eram civis, inclusive 551 crianças. O propósito do ciclo é abordar o aniversário da terceira ofensiva israelense contra Gaza em cinco anos no contexto da ocupação persistente dos territórios e das vidas dos palestinos, com o lançamento de uma campanha de apoio às demandas palestinas no Tribunal Penal Internacional e ao relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, pelo fim da impunidade que sustenta a ocupação e a repetição da violência.

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