Socorro Gomes defende a importância do Movimento dos Países Não Alinhados durante a Cúpula na Venezuela

Concluída neste domingo (18 de setembro de 2016), a 17ª Cúpula do Movimento dos Países Não Alinhados (MNA) colocou em evidência que os povos unem-se para enfrentar a ofensiva imperialista em todos os continentes. A avaliação é de Socorro Gomes, presidenta do Conselho Mundial da Paz, que tem estatuto de observador no MNA (leia a íntegra do seu discurso abaixo). O movimento, que integra 120 nações, emitiu a Declaração de Margarita com compromissos direcionados à democratização da Organização das Nações Unidas (ONU), o fortalecimento de mecanismos multilaterais e outros pontos de uma nova ordem internacional.

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Durante os três dias de reunião entre chefes de Estado e de Governo dos países que integram o MNA na ilha de Margarita, acompanhados por organizações observadoras como o CMP, a ONU, a União Africana, a Liga Árabe, entre outras, a Venezuela destacou-se da imagem criada pela mídia conservadora e pelas potências imperialistas, como os Estados Unidos, enfrentando as tentativas de isolamento aliadas à intentona de golpe. Na reunião, os membros do MNA reafirmaram a luta contra o colonialismo, o terrorismo e as guerras, defendendo a refundação da ONU e a construção da paz.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, apresentou à imprensa nacional a Declaração de Margarita enquanto uma “atualização muito importante que moverá o mundo, para além da hegemonia dos meios de comunicação internacionais.” Maduro considerou que “hoje podemos dizer, desde Margarita, que temos uma agenda de luta, um plano de luta renovado.” Leia aqui a declaração e os compromissos assumidos pelo países não alinhados.

O MNA foi lançado em 1961 com inspiração na Conferência de Bandung, realizada em 1955, e em seus dez princípios, baseados na soberania dos povos, na cooperação, no estabelecimento de relações internacionais de solidariedade, na não ingerência, no anti-colonialismo e no anti-imperialismo.

A presidenta do Conselho Mundial da Paz (CMP), Socorro Gomes, recobrou estes princípios para enfatizar a importância do papel do MNA para os movimentos da paz atualmente, para a luta internacionalista contra as guerras, contra as armas nucleares, contra a militarização do planeta e outros desafios impostos pelo conservadorismo e pelo imperialismo.

Socorro transmitiu a mensagem do CMP e suas preocupações com as crescentes ameaças de guerra disseminadas pelo planeta, com a persistência do colonialismo e a modernização dos artefatos de destruição em massa que ameaçam a humanidade. Mas Socorro também garantiu que o compromisso dos movimentos da paz é fortalecido por ações e fóruns como o MNA, que isolam cada vez mais as forças imperialistas e reacionárias. Leia a seguir o seu discurso.

Excelentíssimos Chefes de Estado e de Governo,

Senhoras e senhores,

Recebam, em nome do Conselho Mundial da Paz, a mais calorosa saudação e a nossa mensagem de paz e solidariedade, nesta ocasião em que se realiza, no heroico país do Libertador Simón Bolívar e do inolvidável Comandante Hugo Chávez, a 17ª Cúpula do Movi­mento de Países Não Alinhados. Este é o segundo maior foro do mundo, com 120 Estados-membros, que representam quase dois terços dos integrantes da Organização das Nações Unidas e 55% da população mundial.

Nossa felicitação ao presidente Nicolás Maduro e ao povo venezuelano pela designação de seu país como Presidente do Movimento de Países Não Alinhados, um marco importante na diplomacia regional, que a um só tempo é um golpe nos intentos das forças conservadoras, pró-imperialistas e inimigas da paz para isolar a República Bolivariana. Esta Presidência é o terceiro mandato que a Venezuela assume, além do Mercosul e da Unasul. Como brasileira, não posso deixar de manifestar minha inconformidade com a atitude do governo do meu país, oriundo de um golpe de Estado institucional, que, em aliança com a Argentina e o Paraguai, violou as normas do Mercosul para impedir que a Venezuela assuma, como é de direito, a Presidência pro tempore do Organismo regional.

Desde a histórica Conferência de Bandung, em 1955, e a Primeira Conferência dos Chefes de Estado e de Governo Não Alinhados, em 1961, o mundo passou por grandes transformações. Em todo esse período histórico, foi de grande importância o papel desse Movimento, que segue sendo um ator de peso na atualidade, em defesa dos princípios das Nações Unidas, contra as guerras de agressão e intervenções estrangeiras, pela autodeterminação dos povos e nações, a independência nacional, o desenvolvimento econômico com justiça social e o equilíbrio ambiental. E sobretudo, na luta pela paz mundial, o desarmamento nuclear, a segurança internacional, os direitos dos povos, a democratização e a igualdade nas relações internacionais.

Os movimentos sociais e os defensores da paz em todo o mundo admiram o Movimento dos Países Não Alinhados como uma coletividade de Estados nacionais ampla e representativa comprometida com os princípios referidos e que nunca faltou com seu dever de solidariedade com os povos e nações em luta por seus direitos.

Valorizamos esta Cúpula de Chefes de Estado de Governo como um grande acontecimento político.

O Movimento dos Países Não Alinhados é uma organização política, cuja plataforma sempre foi a luta contra o colonialismo e o imperialismo, por uma nova ordem econômica e política internacional. Ecoam fortemente as vozes dos seus países-membros quando se pronunciam sobre temas candentes da política internacional, numa cabal demonstração da sua atualidade como articulação internacional.

Na opinião da nossa organização, o Conselho Mundial da Paz, vivemos um momento em que recrudescem as ameaças de guerra e as ações intervencionistas por parte de potências imperialistas e hegemonistas. Multiplicam-se as bases militares estrangeiras nos territórios de países soberanos, agiganta-se o militarismo, aumentam e se aperfeiçoam as armas nucleares e outros artefatos de destruição em massa. A Otan assume o papel de gendarme internacional. Preocupam-nos especialmente os intentos de militarização da África, com a existência do Africom, da América Latina, com a expansão das bases militares e a existência da Quarta Frota da Marinha de Guerra estadunidense, a estratégia militar dos Estados Unidos para a Ásia e a persistência dos conflitos no Oriente Médio, a guerra terrorista contra a Síria, o massacre do povo palestino. Numa conjuntura como esta, o Movimento dos Países Não Alinhados pode desempenhar importante papel a favor da resistência dos países e povos que lutam para defender a sua soberania e conjurar os perigos advindos da ação agressiva das grandes potências.

A realização da Cúpula dos Países Não Alinhados em território latino-americano atribui-lhe um significado especial, porquanto a região se encontra no alvo de uma brutal ofensiva por parte imperialismo estadunidense e das oligarquias locais para reverter as grandes conquistas alcançadas pelos países da América Latina e o Caribe no aprofundamento da democracia, fortalecimento de sua soberania, da integração solidária e na realização de políticas sociais que em muito contribuíram para erradicar a miséria.

Os exemplos mais eloquentes dessa ofensiva são o golpe de Estado que se consumou no Brasil contra o governo democrático da presidenta Dilma Rousseff, eleita com mais de 54 milhões de votos, e as tentativas de golpe e intervenção contra a Bolívia, o Equador e a Venezuela. Especialmente a República Bolivariana está no alvo da guerra econômica das oligarquias e permanentemente ameaçada de golpe e intervenção externa, que se agudizou a partir do momento em que o governo dos Estados Unidos emitiu um decreto considerando o país como uma ameaça a sua segurança nacional.

No contexto latino-americano e caribenho saudamos a assinatura do acordo de paz na Colômbia entre o governo nacional e a insurgência. Este acordo é resultado da luta heroica do povo colombiano por democracia, soberania, progresso e justiça social.

Congratulamo-nos com o povo e o governo da República de Cuba pelos êxitos da sua diplomacia e da heroica resistência em defesa de sua autodeterminação. O restabelecimento das relações com os Estados Unidos é uma vitória histórica da sua resistência, um passo importante na luta contra o iníquo bloqueio econômico. Esta Cúpula do Movimento dos Países Não Alinhados pode ser também um alento e uma manifestação de solidariedade para que resultem vitoriosos os esforços pelo fim do bloqueio e pela devolução à soberania do povo cubano do território de Guatânamo, usurpado pelos Estados Unidos.

Igualmente, esta reunião pode constituir um estímulo à luta contra os remanescentes do colonialismo, sobretudo pela independência de Porto Rico, pela devolução das Ilhas Malvinas à soberania do povo argentino e pela independência do Saara Ocidental.

Senhoras e senhores o êxito desta cúpula mostrará que são as forças da guerra, das intervenções externas, da violação de direitos, da dominação imperialista e da hegemonia que estão isoladas no cenário internacional. Os povos e países soberanos serão os beneficiários dos sucessos alcançados aqui. E com isso se fortalecerão os esforços que todos fazemos pela paz.

Muito obrigada,

Socorro Gomes,
Presidenta do Conselho Mundial da Paz
17ª Cúpula do Movimento de Países Não Alinhados
Ilha de Margarita, Venezuela, 18 de setembro de 2016.

Cebrapaz

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