Entidades palestinas e mexicanas convocam Dia Global de Ação por um Mundo sem Muros

Associações e movimentos palestinos e mexicanos somaram-se para convocar um Dia Global de Ação por um Mundo sem Muros, em 9 de novembro. Denunciando o muro segregacionista – de apartheid – de Israel na Palestina ocupada e o muro da vergonha construído pelos EUA na fronteira com o México, a longa lista de entidades internacionais signatárias do apelo rechaça a política opressiva e discriminatória desses “monumentos de expusão e exclusão” e convoca à manifestação da luta por justiça, liberdade e igualdade à escala mundial. Leia o apelo a seguir, divulgado pela campanha palestina Stop the Wall:

Dia Global de Ação por um Mundo sem Muros - Stop the Wall
Fonte em inglês: Stop the Wall

9 de novembro, Dia Global de Ação: Um Mundo sem Muros

“Não há uma palavra para muro em nossa língua. Perguntamos aos nossos anciãos. Pesquisamos. Não há uma palavra para muro porque não deveria haver muros.”

Verlon M. Jose, vice-presidente dos Tohono O’odham. A terra do povo Tohono O’odham está dividida pela fronteira entre os EUA e o Mérico.

Do Muro do apartheid de Israel em terra palestina ao Muro da Vergenha dos EUA em terra indígena na fronteira com o México – quase 70 muros em todos os continentes estão hoje despedaçando as vidas e terras dos povos enquanto fortificam fronteiras frequentemente unilateralmente definidas ou limites de controle estatal. Eles causam milhares de mortes todos os anos e destróem os meios de subsistência e esperança de muitos mais. São monumentos de expulsão, exclusão, opressão, discriminação e exploração.

Há 15 anos, Israel começou a construção de seu Muro de até oito metros de altura e mais de 700km de extensão em terra palestina ocupada como parte integral da sua política de confiscar mais de 60% da Cisjordânia e aprisionar o povo palestino em não mais do que 13% da sua pátria histórica. Isto, somado ao cerco através de um muro e do isolamento completo da Faixa de Gaza palestina desde 1994. Os palestinos nunca deixaram de resistir a estes Muros ilegais e à expulsão contínua do seu povo de suas terras e, em 2003, lançaram o apelo para a definição de 9 de novembro — dia em que o Muro de Berlim caiu — como o Dia Internacional contra o Muro do apartheid de Israel.

Hoje, é hora de nos unirmos contra a proliferação global dos muros — convocamos para 9 de novembro o Dia Global de Ação por um Mundo sem Muros.

Israel é central na promoção desta nova era global de muros e os EUA emergiram para ratificá-la: Desde a Índia, à Arábia Saudita, à Turquia, ao Saara Ocidental e à Europa, hoje, o número de muros concebidos para definir forçosamente e selar fronteiras quase triplicou nas últimas décadas. Estes muros impedem o direito à liberdade de movimentação e autodeterminação. Tornaram-se pedra de toque num mundo em que as guerras, a militarização e a exclusão substituem a justiça, a liberdade e a igualdade.

Muros não só foram erguidos para fortificar fronteiras de controle estatal, mas para demarcar as fronteiras entre ricos, poderosos, os socialmente aceitáveis e os “outros”. Eles dominam cada vez mais nossas cidades e sociedades. Dezenas de milhares permanecem prisioneiros de consciência ou sob condições ilegais e desumanas atrás das grades. Muros visíveis e invisíveis, como no caso do bloqueio a Cuba, têm como objetivo impedir-nos de alcançar a justiça econômica, política, social e ambiental.

Quando não promovem de forma aberta esses muros, governos de facto toleram sua existência, enquanto uma verdadeira indústria de muros literalmente mata de se enriquecer com tudo isso. Vendendo sua ideologia, metodologia e tecnologia, as corporações juntam-se em feiras de armamentos, leilões e seminários para lucrar com a construção desses muros.

Como povos afetados por esses muros e movimentos que colocam a justiça, a liberdade e a igualdade como nossas ferramentas para resolver os problemas deste planeta, somamo-nos à convocatória para o 9 de novembro como um Dia Global de Ação por um Muro sem Muros.

Vamos nos unir em mobilização para:

  • Sensibilizar sobre o efeito devastador da crescente dominância dos muros em nossos mundos e em nossas vidas
  • Criar solidariedade e ligações entre os povos afetados pelos muros e movimentos que combatem os muros
  • Exigir um fim imediato aos muros que expulsam, excluem, oprimem, discriminam e exploram
  • Resistir e impedir o financiamento daqueles que lucram com os muros

Para ver a lista de entidades, associações, sindicatos e outros signatários do apelo, acesse o site da campanha Stop the Wall. Para endossar o apelo, acesse o formulário aqui.

Tradução: Moara Crivelente / Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz)