Socorro Gomes: Repudiamos a demolição de lares palestinos e a brutalidade da ocupação israelense; pelo fim da ocupação já!

É com enorme preocupação e alarme que fomos informados de que, após anos de batalha judicial em que residentes do bairro Wadi Hummus, em Sur Baher, Jerusalém Oriental (Palestina ocupada), desafiaram a ocupação israelense, o Ministério da Defesa do estado ocupante mandou cumprir a ordem de demolição de dezenas de residências palestinas neste 22 de julho.

Israeli forces patrol the village of Sur Baher, July 22, 2019.
Sur Baher (Jerusalém Oriental, Palestina), 22/07. Foto: Mussa Qawasma/Reuters

A mídia cita fontes locais segundo as quais 16 prédios com cerca de 100 apartamentos estavam sendo destruídos. De acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), soldados israelenses e retroescavadeiras invadiram a vila de madrugada e expulsaram as famílias de suas casas.

O Ministério da Defesa de Israel alegou considerar os edifícios “riscos securitários”, pois estariam alegadamente “próximos demais” do vergonhoso muro israelense, que corta território palestino, roubando vastas porções de terras. O pretexto coloca em evidência, como sempre, um regime criminal e fora-da-lei que viola o direito internacional humanitário ao destruir lares em território ocupado.

O Conselho Mundial da Paz tem repudiado nos mais firmes termos tamanha arbitrariedade, um verdadeiro crime de guerra pelo qual Israel não pode, mais uma vez, passar impune. Enquanto potências aliadas do regime ocupante emitem modestas notas condenatórias, na prática, tal tática de destruição de casas, desapropriação de terras, devastação de olivais, entre outros métodos bárbaros, sob o pretexto de velar pela segurança de Israel, não são outra coisa que não parte da estratégia colonizadora, que pretende levar às últimas consequências a expulsão do povo palestino para anexar o seu território e enterrar de vez a possibilidade de consolidação do Estado da Palestina.

Abd el-Rahman Shatawi.Também consternados, denunciamos com contundente revolta a tática de intimidação e terror que soldados israelenses empregam rotineiramente, como foi o disparo, por um atirador de elite, que atingiu na cabeça o pequeno Abd el-Rahman Shatawi, de 9 anos de idade, em Kafr Qaddum, na Cisjordânia ocupada. Após levarem a cabo a cada vez mais brutal repressão de protestos semanais na região, não contente, o soldado, posicionado no alto de uma colina, disparou contra Abd el-Rahman, que está em coma, com dezenas de estilhaços da munição alojados na cabeça.

A brutalidade dos dois episódios, embora em eventos separados, é patente do regime de ocupação e apartheid israelense, cujo fim é a colonização dos territórios palestinos e a expulsão ou submissão da sua população. Seus reiterados crimes de guerra têm ficado impunes diante da aliança imperialista com que conta o regime criminoso de Israel, a começar pelos Estados Unidos, mas também pela negligência da União Europeia, além da aliança de governos autoritários liderados por proto-fascistas mundo afora.

O Conselho Mundial da Paz tem acompanhado de perto a situação na Palestina ocupada e se solidarizado de forma irredutível e incondicional com o bravo povo palestino, que resiste aos crimes cotidianos da ocupação israelense e de um regime de apartheid internacionalmente condenado.

Fim à ocupação israelense, já! Pelo estabelecimento de um Estado da Palestina livre e soberano!

Socorro Gomes
Presidenta do Conselho Mundial da Paz